quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Eleições 2026: PT e PL demonstram apetite pelo Senado e priorizam alianças nos estados

Estratégia das duas maiores siglas prioriza alianças regionais e eleição de senadores para ampliar influência no Congresso

               Lula (Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil | Pedro França/Agência Senado)

As duas principais forças políticas do país, PT e PL, já articulam suas estratégias para as eleições de 2026 com um objetivo comum: fortalecer suas bancadas no Congresso Nacional. Sem perspectiva de construir projetos hegemônicos nos estados, as siglas caminham para reduzir o número de candidaturas próprias aos governos estaduais e concentrar esforços na disputa presidencial e, sobretudo, no Senado, informa o jornal O Globo.

PT e PL pretendem costurar alianças regionais com partidos de centro para viabilizar palanques estaduais e, ao mesmo tempo, montar chapas mais competitivas para deputado federal e senador. A avaliação interna é que ampliar a presença no Legislativo será decisivo para garantir governabilidade a partir de 2027.

No campo presidencial, os movimentos são distintos, mas igualmente cercados de cautela. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) já é apontado como pré-candidato natural à reeleição pelo PT. Já no PL, o nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) segue como aposta do grupo, embora ainda enfrente resistências até mesmo entre aliados mais próximos, especialmente no Centrão.

Nos estados, o PT tende a lançar candidaturas próprias apenas onde já governa e disputará a reeleição, como na Bahia, com Jerônimo Rodrigues; no Ceará, com Elmano de Freitas; e no Piauí, com Rafael Fonteles. Nas demais unidades da Federação, a orientação é priorizar alianças com siglas como PSD, MDB e PSB. O PL, por sua vez, trabalha para manter o governo de Santa Catarina com Jorginho Mello e avalia candidaturas próprias no Rio Grande do Sul, com o deputado Zucco, e em Alagoas, com o prefeito de Maceió, JHC.

Nos maiores colégios eleitorais, a tendência é que a disputa pelo Executivo estadual fique concentrada em nomes ligados ao Centrão. No Rio de Janeiro, por exemplo, o prefeito Eduardo Paes (PSD), aliado de Lula no plano nacional, surge como favorito, enquanto também mantém diálogo com o PL. O líder do partido na Câmara, Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que ainda não há definição: “O PL está testando alguns nomes para avaliar uma candidatura própria a governador. (O governador do Rio) Cláudio Castro e Flávio Bolsonaro vão tomar a decisão sobre o Rio de Janeiro”.

Em Minas Gerais, o cenário também permanece indefinido. Há a possibilidade de PT e PL abrirem mão de candidaturas próprias, enquanto nomes da oposição, como o vice-governador Matheus Simões (PSD) e o senador Cleitinho (Republicanos), buscam apoio do bolsonarismo. Lula, por sua vez, insiste em convencer o ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (PSD) a entrar na disputa, apesar da resistência do senador. No PT, também são cogitadas candidaturas próprias, como as das prefeitas Margarida Salomão, de Juiz de Fora, e Marília Campos, de Contagem, esta última com desempenho considerado promissor na corrida ao Senado.

A prioridade petista no estado foi resumida pelo vice-presidente do partido, deputado Jilmar Tatto: “Tanto Minas quanto em São Paulo é Lula quem vai resolver. Essa última viagem que ele fez para Minas ele insistiu no Rodrigo Pacheco. Vamos aguardar, isso vai ficar para março ou abril”. Em seguida, reforçou a estratégia nacional da legenda: “A prioridade nossa é Senado e Câmara. Esses candidatos, a maior parte deles, só vão sair se tiver que sair mesmo. Não é prioridade do PT lançar candidatos a governador. Se puder fazer composição, acordo para eleger deputado, ou mesmo para eleger Lula, vamos fazer”.

Em São Paulo, as indefinições também se acumulam. O ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o deputado Guilherme Derrite (PP) são citados como possíveis nomes para o Senado. Haddad ainda aparece como opção ao governo estadual, embora tenha demonstrado resistência a disputar cargos eletivos, mesmo após anunciar que deixará o ministério em fevereiro para atuar na campanha de Lula.

No campo da direita, a dificuldade de unificar um projeto presidencial amplia a importância da disputa pelo Senado. Com dois terços das cadeiras em jogo em 2026, o bolsonarismo vê na Casa uma forma de manter influência política mesmo em um eventual cenário de reeleição de Lula.

Entre as principais apostas está o vereador Carlos Bolsonaro (PL), que deve disputar uma vaga por Santa Catarina, em aliança com Jorginho Mello. A articulação, no entanto, provoca tensões internas, já que a deputada Caroline de Toni (PL-SC) e o senador Esperidião Amin (PP) também disputam espaço. No Distrito Federal, a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) desponta como candidata ao Senado, em um cenário igualmente competitivo, que inclui o governador Ibaneis Rocha (MDB) e a deputada Bia Kicis (PL).

Além desses nomes, o PL e aliados do bolsonarismo trabalham candidaturas ao Senado em diversos estados, como Guilherme Derrite em São Paulo, Marcelo Queiroga na Paraíba, Gustavo Gayer em Goiás, Capitão Alberto Neto no Amazonas e Reinaldo Azambuja no Mato Grosso do Sul, consolidando a estratégia de priorizar o Legislativo como eixo central da disputa eleitoral de 2026.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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