quarta-feira, 29 de outubro de 2025

VÍDEO – “Ou soma ou suma”: Castro volta a provocar governo federal

 O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante entrevista coletiva nesta quarta (29). Foto: Reprodução

O governador Cláudio Castro (PL-RJ) voltou a provocar o governo federal nesta quarta (28), ao comentar a megaoperação policial que causou massacre nos complexos do Alemão e da Penha. Em tom de enfrentamento, o bolsonarista disse que não aceitará críticas.

“Ou soma no combate à criminalidade ou suma! Temos muita tranquilidade de defendermos tudo que fizemos ontem”, declarou em entrevista coletiva. Durante a coletiva, o governador pediu “integração e financiamento” do governo federal para ações de segurança, mas reclamou do que chamou de politização da tragédia.

“Aquele que não entender que a segurança pública é o maior problema do Brasil hoje vai se arrepender e pedir perdão à sociedade. O Rio sai na frente e não vai se furtar a fazer sua parte”, prosseguiu o governador.

A operação reacendeu a troca de acusações entre os governos estadual e federal. Na terça (28), Castro disse que estava “sozinho” no enfrentamento ao crime organizado e acusou o governo Lula de negar apoio. Ele afirmou que fez três pedidos de empréstimo de blindados das Forças Armadas, mas que todos foram recusados sob a justificativa de que seria necessário um decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO).

“Tivemos pedidos negados três vezes: para emprestar o blindado, tinha que ter GLO, e o presidente é contra a GLO. Cada dia uma razão para não estar colaborando”, queixou-se Castro. Segundo ele, a ausência de apoio federal teria forçado o estado a agir com recursos próprios.

Em nota, o Ministério da Justiça desmentiu as acusações do governador. O chefe da pasta, Ricardo Lewandowski, afirmou que Castro deveria “assumir as suas responsabilidades” ou “jogar a toalha” e pedir intervenção federal no estado.

Fonte: DCM

PGR pede que o governo do Rio preste mais esclarecimentos sobre megaoperação policial

A Procuradoria fez o pedido em manifestação enviada ao ministro do STF Alexandre de Moraes

     Paulo Gonet - 02/09/2025 (Foto: Antonio Augusto/STF)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, recomendou nesta quarta-feira (29) que o governo do Rio de Janeiro esclareça se a operação policial mais letal da história do estado seguiu as diretrizes determinadas pelo Supremo Tribunal Federal (STF), como a proporcionalidade no uso da força, presença de ambulância, atuação da polícia técnico-científica, o uso de câmeras nos uniformes, nas viaturas, entre outras determinações.

A ação policial deixou 121 mortos, de acordo com estatísticas divulgadas pelo governo do estado do Rio de Janeiro, comandado por Cláudio Castro. Inicialmente, algumas estimativas apontaram mais de 130 mortos.

Conforme o Portal Jota, a PGR fez o pedido em manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes, após o Conselho Nacional de Direitos Humanos (CNDH) apresentar uma peça no STF pedindo que a Corte requisitasse ao governador Claudio Castro as informações sobre a operação.

“O amicus curiae pede que se adotem medidas complementares e urgentes para fiscalização e monitoramento. Não especifica o que sugere, não dando margem para que a Procuradoria-Geral da República analise e eventualmente encampe algum pedido concreto. Decerto que medidas complementares poderão ser cogitadas a partir da compreensão mais precisa dos fatos que as informações haverão de propiciar”, escreveu Gonet.

Segue a lista dos esclarecimentos a serem prestados

1.⁠ ⁠Preservação do local para a realização de perícia e conservação dos vestígios do crime;

2.⁠ ⁠Comunicação imediata ao Ministério Público;

3.⁠ ⁠Atuação da polícia técnico-científica, mediante o envio de equipe especializada ao local devidamente preservado, para realização das perícias, liberação do local e remoção de cadáveres;

4.⁠ ⁠Acompanhamento pelas Corregedorias das Polícias Civil e Militar;

5.⁠ ⁠Utilização de câmeras corporais pelos agentes de segurança pública;

6.⁠ ⁠Utilização de câmeras nas viaturas policiais;

7.⁠ ⁠Justificação e comprovação da prévia definição do grau de força adequado à operação;

8.⁠ ⁠Observância das diretrizes constitucionais relativas à busca domiciliar;

9.⁠ ⁠Presença de ambulância, com a indicação precisa do local em que o veículo permaneceu durante a operação;

10.⁠ ⁠Observância rigorosa do princípio da proporcionalidade no uso da força, em especial nos horários de entrada e saída dos estabelecimentos educacionais. Em caso negativo, solicita-se informar as razões concretas que tenham tornado necessária a realização das ações nesses períodos;

11.⁠ ⁠Necessidade e justificativa, se houver, para utilização de estabelecimentos educacionais ou de saúde como base operacional das forças policiais, bem como eventual comprovação de uso desses espaços para a prática de atividades criminosas que tenham motivado o ingresso das equipes.

Dados

Agentes de segurança foram mobilizados para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão, dos quais 30 foram expedidos pelo estado do Pará, que atuou como parceiro na operação. A ação resultou na apreensão de várias toneladas de entorpecentes e de 118 armas de fogo, entre elas 91 fuzis.

De acordo com um estudo publicado no ano passado pelo Grupo de Estudos dos Novos Ilegalismos da Universidade Federal Fluminense (Geni/UFF), em colaboração com o Instituto Fogo Cruzado, o Comando Vermelho foi a única facção criminosa que conseguiu expandir seu território entre 2022 e 2023 na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.

O levantamento indicou um aumento de 8,4% no domínio da organização, que passou a controlar 51,9% das áreas sob influência de grupos criminosos na região. O avanço permitiu à facção retomar 242 quilômetros quadrados (km²) que haviam sido tomados pelas milícias em 2021.

Naquele ano, as milícias detinham o controle de 46,5% dos territórios, enquanto os integrantes do Comando Vermelho dominava 42,9%. Veja um pouco o histórico da facção que tem ramificações em mais de 20 estados brasileiros.

Fonte: Brasil 247 com informações do Portal Jota

Alcolumbre manda Senado instalar CPI do crime organizado após maior chacina policial da história do RJ

Comissão vai investigar milícias e facções após operação no Rio que deixou mais de cem mortos

       O presidente do Senado, Davi Alcolumbre - 7/8/25 (Foto: Edilson Rodrigues/Senado)


O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), determinou nesta terça-feira (29) a instalação da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado, que deve iniciar os trabalhos na próxima semana. A medida ocorre um dia após a operação mais letal já registrada no Rio de Janeiro, que deixou mais de cem mortos e quatro policiais entre as vítimas. Alcolumbre informou que a CPI começará na terça-feira (4) e investigará a estrutura, a expansão e o funcionamento das organizações criminosas, com foco especial nas milícias e facções.

“Determinei a instalação da CPI do Crime Organizado para a próxima terça-feira (4), em entendimento com o senador Alessandro Vieira. A comissão irá apurar a estruturação, a expansão e o funcionamento do crime organizado, com foco na atuação de milícias e facções. É hora de enfrentar esses grupos criminosos com a união de todas as instituições do Estado brasileiro, assegurando a proteção da população diante da violência que ameaça o país”, disse Alcolumbre, de acordo com o jornal O Globo.

☆ Alcolumbre manifesta apoio às forças de segurança

Na véspera, o presidente do Senado havia se manifestado sobre os confrontos no Rio, dizendo que o Congresso acompanhava “com atenção e preocupação” a escalada da violência. Em nota publicada nas redes sociais, ele expressou apoio às forças de segurança e solidariedade às famílias das vítimas.

“A Presidência do Senado Federal manifesta apoio às ações das forças de segurança no combate à criminalidade, às facções e ao crime organizado, reafirmando a necessidade de um esforço coletivo e conjunto de todos os atores do Estado brasileiro para proteger os cidadãos da violência que assola o país. Manifesta, ainda, solidariedade às famílias das vítimas, aos profissionais de segurança envolvidos e a toda a sociedade fluminense”, afirmou Alcolumbre.

☆ Senado aprova mudanças nas audiências de custódia

Paralelamente, o Senado aprovou um projeto de lei que altera o Código de Processo Penal e muda as regras das audiências de custódia. O texto também determina a coleta de material genético de detidos suspeitos de integrar organizações criminosas.

A proposta foi apresentada pelo ex-senador e atual ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, e relatada pelo senador Sergio Moro (União Brasil-PR). A votação ocorreu após a operação no Rio de Janeiro e foi incluída como item extra na pauta.

☆ Mudanças na legislação

O novo texto, segundo a reportagem, prevê que prisões preventivas poderão ser decretadas quando houver fundamentação concreta nos casos de participação em organização criminosa, uso reiterado de violência ou grave ameaça, e apreensão de grande quantidade de drogas, armas ou munições.

As prisões em flagrante também poderão ser convertidas em preventivas quando o acusado for reincidente, quando o crime envolver violência ou grave ameaça, quando o investigado já tiver sido solto em audiência de custódia anterior ou em casos de fuga ou risco de fuga.

☆ Coleta de DNA e combate ao crime organizado

Outro ponto central do projeto é a obrigatoriedade da coleta de material genético de presos envolvidos com facções ou crimes sexuais. O procedimento deverá ocorrer durante a audiência de custódia ou em até dez dias após a prisão.

Em seu relatório, Moro destacou que as audiências de custódia, criadas pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ) em 2015, têm como objetivo “prevenir torturas ou abusos na prisão em flagrante, oportunizando um contato direto do preso com a autoridade judicial”.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Lula ficou "estarrecido" com número de mortos da ação policial mais "cruenta e violenta" do RJ, diz Lewandowski

Ministro da Justiça também disse que o presidente surpreso com a ausência de informações oficiais enviadas ao Planalto antes da operação

      Ministro Ricardo Lewandowski 24/03/2024 (Foto: REUTERS/Ueslei Marcelino)

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, disse nesta quarta-feira (29) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) ficou “estarrecido” com o número de mortos na megaoperação policial realizada na véspera, no Rio de Janeiro. Segundo o g1, o ministro afirmou que a ação foi “extremamente cruenta e violenta”, o que causou profunda preocupação no governo federal.

Lewandowski lembrou que, conforme determina a Constituição, “a responsabilidade pela segurança pública é dos governos estaduais”. O presidente, segundo ele, também ficou surpreso com a ausência de informações oficiais enviadas ao Planalto antes da operação.

☉ Operação mais letal do Rio causa indignação

A megaoperação, considerada a mais letal da história do estado, deixou mais de 130 mortos e espalhou tensão por diversos bairros do Rio de Janeiro. Moradores revoltados levaram corpos até uma praça na Penha, na zona norte da cidade, em protesto contra a violência e a falta de esclarecimentos sobre as vítimas. O episódio gerou troca de acusações entre o governo do estado e o governo federal.

☉ GLO não foi discutida com o presidente

Questionado sobre a possibilidade de o governo decretar uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), Lewandowski explicou que a medida é “complexa e excepcionalíssima”. Ele destacou que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), precisaria formalizar um pedido reconhecendo a incapacidade do estado em conter a crise na segurança pública.

“O governador do Rio de Janeiro teria de fazer esse pedido. Não é uma ação espontânea do presidente ou do governo federal”, afirmou o ministro. Ele acrescentou que a hipótese de GLO não foi tratada na reunião desta quarta-feira no Palácio da Alvorada.

☉ Apoio federal ao estado do Rio

Durante a coletiva, Lewandowski informou que o governo federal colocou à disposição do Rio de Janeiro vagas em presídios federais para abrigar lideranças de facções criminosas. Também foram enviados homens da Força Nacional e equipes dos institutos nacionais de perícia para ajudar na identificação dos corpos e na investigação dos crimes.O ministro ressaltou ainda que, em reunião marcada para a tarde desta quarta, ouviria o governador Cláudio Castro sobre as necessidades do estado para ampliar o apoio federal.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Zema e Caiado elogiam chacina policial no Rio

Governadores de Goiás e Minas Gerais apoiam operação no RJ que deixou mais de 120 mortos e criticam governo federal, enquanto petistas reagem

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, em entrevista coletiva (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)


Os pré-candidatos à presidência da República, Ronaldo Caiado (União Brasil) e Romeu Zema (Novo), manifestaram-se publicamente em apoio à operação conduzida no estado do Rio de Janeiro, que resultou em mais de 100 mortos. As informações são do UOL.

Os dois governadores elogiaram o chefe do Executivo fluminense, Cláudio Castro (PL), e criticaram o governo do Luiz Inácio Lula da Silva (PT) — destacando falta de apoio federal à operação estadual.

Caiado afirmou: “Quero me solidarizar com o governador do estado do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Parabéns!” e acrescentou que “essa posição, essa decisão de enfrentar o crime recebe o aplauso hoje do Brasil”. De acordo com a reportagem, ele afirmou ter sentido “muito orgulho ao ver as tropas de segurança do estado do Rio, policiais civis e militares, que mesmo sem a proteção e a participação do governo federal, para dar a eles estruturas para poderem ter mais cobertura no momento do ataque, eles foram de peito aberto.”

Na mesma linha, Zema declarou que “mais uma vez as forças policias do estado têm de enfrentar sozinhas essas facções terroristas”. Ele também afirmou que “o ministro [da Justiça e Segurança Pública] do Lula, em vez de ajudar, vem criticar o governador do Rio por ter enfrentado o Comando Vermelho”.

Em contrapartida, os parlamentares do Partido dos Trabalhadores (PT) reagiram com veemência. A bancada do partido na Câmara repudiou “a insistência do governador em uma estratégia de guerra, já exaustivamente fracassada, que faz da polícia fluminense uma das que mais mata e mais morre no mundo”.

A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, afirmou: “Os violentos episódios desta terça-feira no Rio, com dezenas de mortes, inclusive de policiais, bloqueio de rodovias e ameaças à população, ressaltam a urgência do debate e aprovação da PEC da Segurança Pública no Congresso Nacional”.

Enquanto isso, o governador Cláudio Castro cobrou o governo federal, dizendo que o estado está “completamente sozinho”. Segundo ele, o Rio fez três solicitações anteriores por blindados que não foram atendidas. Por outro lado, admitiu que não requisitou blindados para a operação mais recente. A pasta federal correspondente informou que não foi acionada e que não houve pedido oficial de apoio nas circunstâncias relatadas.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

Câmara inscreve Eduardo Bolsonaro em cadastro de devedores por faltas sem justificativa

Deputado deve quase R$ 14 mil à União por ausências não justificadas, caso pode ir à Dívida Ativa

      Eduardo Bolsonaro - 14/08/2025 (Foto: REUTERS/Jessica Koscielniak)

A Câmara dos Deputados decidiu incluir o nome de Eduardo Bolsonaro (PL-SP) no Cadastro Informativo de Créditos não Quitados do Setor Público Federal (Cadin), após o parlamentar deixar de pagar R$ 13,9 mil referentes a faltas não justificadas registradas em março deste ano. As ausências ocorreram no período em que o deputado já estava nos Estados Unidos, onde permanece desde fevereiro. A licença oficial só foi protocolada em 20 de março, deixando dias de ausência sem justificativa formal.

Com sete meses fora do Brasil, Eduardo Bolsonaro já acumula 39 faltas não justificadas. Caso atinja o limite de 45 — equivalente a mais de um terço das sessões do ano legislativo —, o deputado poderá perder o mandato por excesso de ausências. As informações são do jornal O Globo.

☉ Cobrança foi determinada após decisão do TCU

O valor da dívida foi calculado com base em um acórdão do Tribunal de Contas da União (TCU), que determinou que a Câmara apurasse eventual uso indevido de recursos públicos durante a permanência do parlamentar no exterior.

A Câmara emitiu uma guia de recolhimento com vencimento em 12 de setembro, mas o débito não foi quitado. Em nota, a instituição informou que, “diante da insuficiência de saldo na folha de pagamento, instaurou uma cobrança individualizada”.

Segundo a Casa, o nome do deputado foi inserido no Cadin, que reúne pessoas físicas e jurídicas com pendências junto ao poder público. O caso também será enviado à Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN), responsável por avaliar se o processo será encaminhado à Dívida Ativa da União.

☉ Impacto político e disputa interna no PL

Apesar de ser um procedimento administrativo, o episódio tem repercussões políticas. O PL havia indicado Eduardo Bolsonaro para o cargo de líder da Minoria na Câmara, numa tentativa de fortalecê-lo internamente. No entanto, o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB), indeferiu a nomeação. “Não é possível exercer a função a partir do exterior”, justificou Motta.

O partido tenta recorrer à Mesa Diretora, apoiando-se em um trecho da Constituição que considera apenas as ausências em sessões ordinárias. Essa interpretação poderia reduzir o número de faltas e adiar uma possível perda de mandato, mas a manobra depende da concordância do presidente da Câmara.

☉ Eduardo Bolsonaro acumula faltas e pode perder mandato

Na semana passada, o Conselho de Ética arquivou um processo que poderia levar à cassação do mandato de Eduardo, apresentado pelo PT, sob acusação de quebra de decoro por articular, fora do país, sanções contra autoridades brasileiras. Mesmo com o arquivamento, o deputado ainda responde a outras representações que podem resultar em novos processos disciplinares.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Rogério Correia aciona PGR para investigar ligações de Nikolas Ferreira com “máfia dos combustíveis”

Deputado petista pede ao STF apuração sobre apoio de empresários investigados por cartel e fraude fiscal à campanha de Nikolas Ferreira

      O deputado federal Rogério Correia (PT-MG) (Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados)

O deputado federal Rogério Correia (PT/MG) apresentou nesta terça-feira, 28 de outubro, uma notícia de fato à Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitando a abertura de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar possíveis conexões do deputado Nikolas Ferreira (PL/MG) com empresários condenados por cartelização e fraude fiscal no setor de combustíveis de Minas Gerais.

A medida foi fundamentada em uma reportagem da jornalista Sara Vivacqua, publicada no Diário do Centro do Mundo (DCM), que detalha indícios de apoio logístico e financeiro à campanha de Nikolas por parte de integrantes da chamada “máfia dos combustíveis”.

● Empresas investigadas por cartel e sonegação

De acordo com o documento enviado à PGR, empresas e empresários ligados a Ciro Augusto Bergomi Picarro e Augusto Joaquim Picarro — ambos já citados em decisões do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) por manipulação de bombas e sonegação de ICMS — teriam cedido imóveis e recursos à estrutura de campanha de Nikolas Ferreira.A notícia de fato também aponta doações do empresário Ronosalto Pereira Neves, do grupo Mart Minas, que figura em colaborações premiadas da Operação Greenfield e em investigações da JBS. As informações, segundo Correia, indicam a necessidade de apuração rigorosa para esclarecer possíveis fluxos de dinheiro ilícito no financiamento da campanha.

● Relação com desinformação sobre o Pix

O texto faz ainda referência a uma notícia de fato anterior, que pedia a apuração da conduta de Nikolas Ferreira ao propagar desinformações sobre o sistema Pix. À época, Rogério Correia alegou que o deputado poderia estar atuando em sintonia com grupos econômicos interessados em manter zonas de opacidade financeira, facilitando lavagem de dinheiro e evasão fiscal.

● Pedido de ampla investigação institucional

No pedido à PGR, o parlamentar solicita que o órgão requisite informações ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), à Receita Federal, ao CADE, ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF), à Polícia Federal e à Justiça Eleitoral de Minas Gerais, para rastrear eventuais vínculos entre agentes econômicos e políticos.

Rogério Correia afirmou que a investigação é indispensável para proteger as instituições democráticas contra a influência de interesses criminosos. “A apuração é essencial para defender a moralidade pública, a probidade eleitoral e a soberania das instituições democráticas diante da infiltração de interesses criminosos na política”, declarou o deputado.

Fonte: Brasil 247

Lula reúne ministros para tratar da crise de segurança no Rio

Presidente retorna da Ásia e lidera reunião após ação policial contra o Comando Vermelho que deixou mais de 100 mortos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva - 26/09/2025 (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou para esta quarta-feira (29) uma reunião com ministros em Brasília para discutir a crise de segurança pública no Rio de Janeiro. A decisão ocorre após uma megaoperação policial em duas favelas da capital fluminense, que teve como alvo o Comando Vermelho e reacendeu o debate sobre o avanço da violência no estado. As informações são da agência ANSA.

Lula desembarcou em Brasília na noite de terça-feira (28), depois de viagem oficial à Malásia, onde se encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. No Palácio do Planalto, o petista deve se reunir com o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e com ministros como Rui Costa (Casa Civil) e Gleisi Hoffmann, ministra da Secretaria de Relações Institucionais.

● Reunião emergencial antes do encontro com Lula

Na véspera, Geraldo Alckmin liderou uma reunião de emergência para avaliar o cenário de insegurança no estado. O encontro contou com a presença de Rui Costa, Gleisi Hoffmann, Sidônio Palmeira (Comunicação Social), Jorge Messias (Advocacia-Geral da União) e Macaé Evaristo (Direitos Humanos), além de representantes do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

Após a reunião, o Palácio do Planalto informou que Rui Costa “entrou em contato com o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e comunicou a disponibilidade de vagas em presídios federais para receber presos de facções criminosas que atualmente cumprem pena em unidades do sistema prisional fluminense, com o objetivo de transferi-los para estabelecimentos de segurança máxima”.

● Governo descarta envio de tropas federais ao Rio

Mais cedo, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afastou a possibilidade imediata de decretar uma Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que permitiria o envio de tropas federais. Segundo ele, o governo federal mantém o diálogo com as autoridades estaduais e monitora de perto o agravamento da situação.

Fonte: Brasil 247 com informações da agência ANSA

Ministros do STF dizem que Cláudio Castro está “perdido” após chacina no Rio

 

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL). Foto: Reprodução
Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) avaliaram que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), está “perdido” na condução da política de segurança pública após a megaoperação que deixou 64 mortos nos complexos do Alemão e da Penha, na zona norte do Rio. A ação, realizada nesta terça-feira (28), foi classificada como a mais letal da história do estado. Com informações do Globo.

Segundo integrantes da Corte, Castro tenta transferir responsabilidades ao Judiciário, especialmente ao STF, pelas falhas na execução da operação. O descontentamento cresceu após o governador atacar diretamente a ADPF 635, conhecida como “ADPF das Favelas”, que impôs limites a ações policiais em comunidades durante a pandemia.

Durante entrevista coletiva, Cláudio Castro chamou a decisão do STF de “maldita” e culpou o tribunal pelas dificuldades enfrentadas pelas forças de segurança.

“Ainda são o que nós chamamos de filhotes dessa ADPF maldita. Infelizmente, um partido político ingressou (com a ação) e prejudicou demais o Rio de Janeiro”, afirmou o governador, referindo-se ao PSB, autor da ação em 2020.

Castro criticou as restrições impostas pelo Supremo, dizendo que elas limitam o trabalho dos policiais e beneficiam os criminosos.

“Não pode o policial bem treinado atirar da plataforma, mas pode o criminoso usar um drone com bomba. São essas idiossincrasias que a gente vê e, infelizmente, a tentativa de politização da segurança pública arrebenta sempre no lado do policial que está lá arriscando a sua vida”, disse.



A operação

A operação, batizada de “Contenção”, mobilizou 2.500 agentes e tinha como alvo lideranças do Comando Vermelho, incluindo criminosos de outros estados que se refugiaram em comunidades do Rio. Segundo a Polícia Militar, houve confronto intenso e diversas armas e munições foram apreendidas.

Após o resultado, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) cobrou explicações do governo fluminense sobre o cumprimento das diretrizes fixadas na ADPF 635, como o uso de câmeras corporais, a presença de ambulâncias durante as ações e o respeito aos horários escolares para evitar risco à população.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

Quem é Belão, chefe do CV preso em megaoperação no Rio

Thiago do Nascimento Mendes, braço direito de Doca, foi detido em megaoperação com 2,5 mil agentes que deixou 64 mortos e 81 presos

Doca e Belão do Quitungo, alvos de megaoperação contra integrantes do CV no Rio (Foto: Reprodução/Portal dos Procurados)

Uma megaoperação conjunta das polícias Civil e Militar do Rio de Janeiro mobilizou cerca de 2,5 mil agentes nesta terça-feira (28), resultando na prisão de Thiago do Nascimento Mendes, conhecido como “Belão do Quitungo”. Ele é apontado como uma das principais lideranças do Comando Vermelho (CV), facção que domina o tráfico em diversas regiões da capital fluminense. As inforações são do Estado de S. Paulo.

Segundo o governo estadual, a operação teve como objetivo enfraquecer a estrutura do CV e capturar criminosos com mandados em aberto. O saldo da ofensiva foi trágico: ao menos 100 pessoas morreram — entre elas quatro policiais — e 81 suspeitos foram presos.

☉ Quem é ‘Belão do Quitungo’

Thiago do Nascimento Mendes, o “Belão”, exercia papel estratégico dentro da facção. Investigado por tráfico de drogas e armas, homicídios, ocultação de cadáver e participação em organização criminosa, ele era considerado o braço direito de Doca, outro nome de peso no Comando Vermelho. Ambos foram capturados no mesmo dia.

De acordo com o governo do Rio, Belão teria ordenado a invasão de um prédio na comunidade do Quitungo, na Penha, para impor cobranças ilegais aos moradores. As extorsões, que variavam em torno de R$ 700 por apartamento, teriam rendido ao grupo cerca de R$ 17 mil mensais. O esquema, segundo as autoridades, chegou a movimentar mais de R$ 500 mil e servia para financiar as atividades do tráfico local.

☉ Doca, o principal alvo

Apontado pelo Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ) como o principal líder do Comando Vermelho no Complexo da Penha, Doca também exercia influência sobre comunidades da zona oeste, como Gardênia Azul, César Maia e Juramento. O Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco/MPRJ) denunciou o criminoso e outros 66 comparsas por associação para o tráfico, e três deles também por tortura.

Doca é investigado por mais de 100 homicídios, incluindo casos de execuções de crianças e desaparecimentos de moradores. Havia 34 mandados de prisão em aberto contra ele, conforme o Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP).

O traficante é apontado como mandante do assassinato de três médicos em outubro de 2023, na zona sudoeste do Rio. As vítimas foram mortas por engano, após um dos profissionais ser confundido com o verdadeiro alvo dos criminosos.

☉ Histórico de violência

Em outro episódio, ocorrido em fevereiro de 2025, Doca foi denunciado por ordenar um ataque a uma delegacia em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Segundo o MPRJ, o ataque tinha como objetivo resgatar Rodolfo Manhães Viana, o “Rato”, preso por tráfico poucas horas antes. Os criminosos usaram fuzis e granadas, feriram dois agentes e chegaram a torturar um policial para obter informações sobre o paradeiro de Rato — que já havia sido transferido para a Cidade da Polícia.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Estado de S. Paulo

Haddad acusa Cláudio Castro de inércia diante de fraudes com combustíveis

Ministro da Fazenda diz que o governo do Rio “tem feito praticamente nada” para combater o contrabando que financia o crime organizado

Haddad acusa Cláudio Castro de inércia diante de fraudes com combustíveis (Foto: REUTERS/Adriano Machado)

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, criticou nesta quarta-feira (29) a atuação do governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, no enfrentamento às fraudes com combustíveis e ao contrabando que financia o crime organizado. As declarações foram dadas na portaria do Ministério da Fazenda, em Brasília, durante conversa com jornalistas.

Segundo o g1, Haddad afirmou que o governo federal e o Ministério da Fazenda têm trabalhado para sufocar o crime organizado “na fonte”, atacando diretamente o financiamento das milícias e do tráfico de drogas. O ministro lamentou, contudo, a falta de engajamento do governo fluminense nesse esforço.

◈ "Andar de cima"

“Eu penso que o governador [do Rio de Janeiro] poderia nos ajudar em relação a isso. O governo do estado tem feito praticamente nada em relação ao contrabando de combustíveis, que é como você irriga o crime organizado”, declarou Haddad. Ele destacou que o combate a esse tipo de fraude é essencial para atingir “o andar de cima do crime”, ou seja, quem movimenta o dinheiro que abastece as organizações criminosas.

O titular da Fazenda informou que sua pasta está “atuando forte” no Rio de Janeiro, especialmente no combate ao financiamento ilegal por meio da adulteração e do contrabando de combustíveis. Haddad lembrou que, recentemente, quatro navios foram apreendidos em operações contra o esquema, e que há atualmente “uma guerra jurídica” pela liberação das mercadorias retidas.

◈ Problema crônico

Para o ministro, o problema é antigo e exige uma resposta mais firme do governo estadual. “O dinheiro, no caso do Rio de Janeiro, todo mundo sabe que está vindo do contrabando de combustível, da fraude tributária, da simulação de refino, da distribuição de combustível batizado. Penso que o governador deveria acordar para esse problema, que é crônico no Rio de Janeiro, e nos ajudar a combater o andar de cima”, reforçou, de acordo com a reportagem. .
As declarações de Haddad ocorrem em meio à maior operação policial da história do estado, realizada nos complexos do Alemão e da Penha, onde as forças de segurança tentam prender cerca de 100 integrantes do Comando Vermelho. O governo do Rio informou que pelo menos 60 suspeitos e quatro policiais morreram na ação. Os números ainda não incluem os cerca de 55 corpos levados por moradores à Praça da Penha nesta quarta-feira (29).

◈ Ajuda federal

Mais cedo, o governador Cláudio Castro havia afirmado que o estado enfrenta o crime organizado “sem ajuda federal”, alegando que o Rio “está sozinho” na luta contra as facções. Em resposta, integrantes do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva(PT) afirmaram que os ministérios da Justiça e da Defesa mantêm ações de cooperação no estado, além de diversas medidas conjuntas em andamento.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

Benedita da Silva responsabiliza Claudio Castro por operação mais letal da história do Rio

“Não pode ser natural você ir para um território onde há milhares de pessoas e fazer uma operação a céu aberto, colocando as famílias em pânico", disse

       Benedita da Silva (Foto: Bruno Spada/Câmara dos Deputados)


A deputada federal Benedita da Silva (PT-RJ) fez um pronunciamento indignado nesta terça-feira (28) na Câmara dos Deputados, ao condenar a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, que deixou mais de 60 mortos. Em fala emocionada, ela lamentou as mortes de policiais, agentes de segurança e civis e cobrou responsabilização do governo fluminense

“Quem está falando aqui é alguém que morou no morro por 57 anos da minha vida”, disse a parlamentar, ao criticar o caráter da operação em áreas densamente povoadas. “Não pode ser natural você ir para um território onde há milhares de pessoas e querer fazer uma operação a céu aberto, colocando as famílias em pânico, as crianças fora da escola. Qual é o resultado dessa megaoperação?”, disse Benedita.

☉ Corpos encontrados

Em seu discurso, a parlamentar rechaçou a narrativa de que a esquerda “protege bandido” e destacou a defesa da população trabalhadora das favelas. É de doer, pra gente. É de doer ouvir nesta Casa que ‘a esquerda protege bandido’. Nós não protegemos bandidos — nós protegemos as famílias decentes, aquelas que limpam a casa dos senhores e das senhoras, que cuidam dos seus cachorros, dos seus filhos. São essas pessoas que nós defendemos. E elas moram lá porque não podem morar no palácio onde nós moramos”

A deputada também questionou o saldo da operação e a ausência de reconhecimento de inocentes entre as vítimas. “Foram mortos mais de 64, e eu tenho certeza de que há mais por aí. Foram policiais, foram agentes de segurança pública, foram pessoas inocentes. Mas vocês não acreditam que existam pessoas inocentes”

☉ Críticas ao governador Cláudio Castro

A deputada ressaltou que o número de vítimas pode ser ainda maior e denunciou a banalização das mortes em favelas. “Foram mortos mais de 64, e eu tenho certeza de que há mais por aí. Foram policiais, foram agentes de segurança pública, foram pessoas inocentes. Mas vocês não acreditam que existam pessoas inocentes.”

Em seguida, Benedita elevou o tom e responsabilizou diretamente o chefe do Executivo fluminense: “E, se há uma pessoa que não é inocente no Estado do Rio de Janeiro, é o governador do estado. O governador do estado!”

Aos 83 anos, Benedita encerrou sua intervenção ressaltando a origem e o vínculo com as comunidades fluminenses: “Gente, eu digo isso com muita tristeza no meu coração. Dá muita vergonha, aos meus 83 anos de idade, continuar sofrendo pelo meu povo. Não moro mais no morro, mas eu sinto a dor. Eu saí da favela, mas ela não saiu de mim. Eu conheço a dor daquela gente, conheço a maldade e a perversidade de quem governa e não sabe governar”

 

Fonte: Brasil 247

Aumento de renda leva 2 milhões de famílias a deixarem o Bolsa Família em 2025

Dados do Ministério do Desenvolvimento Social mostram que melhora econômica e criação de empregos reduziram número de beneficiários do programa

       Bolsa Família (Foto: Lyon Santos/ MDS)

Mais de 2 milhões de famílias brasileiras deixaram o Bolsa Família em 2025, segundo dados divulgados pelo Ministério do Desenvolvimento Social e antecipados pelo jornal O Globo. Em outubro, o programa atendeu 18,9 milhões de domicílios — o menor número desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É também o índice mais baixo desde julho de 2022, quando o benefício ainda era chamado de Auxílio Brasil, na gestão de Jair Bolsonaro.

De acordo com o levantamento, 1.318.214 famílias saíram do programa em razão do aumento da renda, enquanto 726.799 concluíram o período de permanência na chamada “regra de proteção” — que permite que o benefício continue sendo pago, de forma parcial, por um tempo após a elevação da renda. Outras 24.763 famílias optaram pelo desligamento voluntário.

◈ Crescimento econômico e foco na autonomia

O Bolsa Família é destinado a famílias com renda per capita de até R$ 218 mensais. Quando a renda sobe, mas permanece abaixo de R$ 706, o domicílio entra na regra de proteção, que garante metade do valor do benefício (R$ 600) por mais um ano. Para o ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, Wellington Dias, os números refletem uma mudança positiva.

“É importante dizer que quem entra no Bolsa Família só sai para cima, seja porque conquistou uma renda maior com o trabalho, seja porque abriu o próprio negócio. E, caso perca essa renda, retorna automaticamente ao programa”, afirmou. “Esse é um caminho sustentável, e quanto mais avançarmos em educação e oportunidades, mais seguro será o futuro das famílias brasileiras.”
Emprego e empreendedorismo impulsionam desligamentos

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) indicam que 58% das novas vagas formais criadas no primeiro semestre de 2025 foram preenchidas por beneficiários do programa. Além disso, levantamento do ministério em parceria com o Sebrae revela que 55% dos microempreendedores individuais cadastrados no CadÚnico começaram a empreender após a inscrição no sistema — o equivalente a 2,5 milhões de pessoas entre 4,6 milhões registradas.

Um desses exemplos é o de Carla Pereira de Barros, de 39 anos, moradora de Nossa Senhora do Socorro (SE). Após anos de vulnerabilidade social, Carla conseguiu o primeiro emprego formal como professora regente em uma escola municipal e pediu o desligamento voluntário do programa.

“Um dia precisei do Bolsa Família. Graças a Deus hoje não preciso mais, tem alguém que precisa mais do que eu. A minha oportunidade vou dar para o próximo”, contou.

A trajetória de Carla começou em 2010, quando ela enfrentava violência doméstica e havia perdido a casa em uma enchente. Com apoio do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS), iniciou cursos profissionalizantes e começou a vender doces e salgados. Depois de anos de estudo e incentivo, formou-se em pedagogia pela Universidade Federal de Sergipe em 2023 e hoje cursa Letras-Libras, enquanto sonha em abrir sua própria confeitaria.

◈ Queda acentuada desde meados do ano

A redução no número de beneficiários começou a ser observada em outubro de 2023, mas se intensificou entre maio e outubro de 2025, quando cerca de 1,5 milhão de famílias deixaram de receber o auxílio. Além da melhora econômica, contribuiu para esse movimento o fim do prazo da regra de proteção e os ajustes implementados pelo governo federal.

Até maio, famílias com renda per capita de até meio salário mínimo (R$ 756) podiam permanecer no programa por até 24 meses após o aumento da renda. As novas regras reduziram o limite e o tempo de permanência, buscando concentrar os recursos nas famílias mais vulneráveis e incentivar a autonomia financeira.

Segundo o Ministério do Desenvolvimento Social, a expectativa inicial era de que as mudanças resultassem em cerca de 101 mil desligamentos em 2025, com impacto orçamentário estimado em R$ 59 milhões. No entanto, o número superou as projeções, refletindo a melhora do mercado de trabalho e o fortalecimento da renda das famílias.

◈ Ajuste orçamentário e perspectivas

Para 2025, o orçamento do Bolsa Família é de R$ 159,5 bilhões — cerca de R$ 10 bilhões a menos do que em 2024. Desse total, R$ 134,4 bilhões já foram empenhados. A proposta orçamentária para 2026 prevê R$ 158,6 bilhões, mantendo o foco em políticas de inserção produtiva e combate à pobreza extrema.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo