terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

PM joga spray de pimenta em deputado Fábio Félix e parlamentar dá voz de prisão (vídeo)

Caso ocorreu durante o Bloco Rebu, em Brasília, após abordagem e condução de coordenadora do evento pela PM

          Fábio Félix (Foto: Carlos Gandra/CLDF)

O deputado distrital Fábio Félix foi atingido por spray de pimenta no rosto durante uma abordagem abusiva da Polícia Militar do Distrito Federal no Bloco Rebu, na tarde de segunda-feira (16), em Brasília. O parlamentar deu voz de prisão ao policial envolvido.

O fato ocorreu depois que a PM prendeu a coordenadora do bloco, Dayse Hansa, e a colocou na viatura. Segundo reportagem co Correio Braziliense, após ser atingido pelo spray, Fábio Félix telefonou para a comandante-geral da corporação, Ana Paula Habka, para relatar a situação. Na conversa, presenciada pela reportagem, ele afirmou: “Eu estou me sentindo gravemente desrespeitado como eu nunca fui em oito anos como deputado”.

O parlamentar relatou que foi chamado por integrantes da organização do evento após a condução da coordenadora e que tentou dialogar com os policiais.

“Me falaram que a coordenadora estava sendo levada e eu vim entender o que estava acontecendo. Eu me apresentei, disse que era deputado e presidente da Comissão de Direitos Humanos, e pedi para conversar”, afirmou. “Fui avisado pelos organizadores do bloco que as coordenadoras do bloco LGBT ali na área do setor comercial sul tinham sido apreendidas, estavam sendo presas pela polícia numa abordagem violenta, muito truculenta, sem diálogo e com sem policiais femininos, que era uma abordagem que seria equivocada.”

Segundo ele, a recepção foi agressiva desde o início. “Eles já estavam gritando, super agressivos. Um dos policiais foi grosseiro e jogou spray de pimenta na minha cara de forma desrespeitosa”, declarou.

De acordo com Felix, a situação escalou quando policiais passaram a empurrá-lo para trás e exigiram que ele deixasse o local. Ele afirmou ter se recusado, argumentando que já havia se identificado e que estava ali para mediar o conflito.

“Ele falou: ‘Agora você vai sair’. Eu falei: ‘Agora eu não vou sair daqui porque eu já me identifiquei e nós estamos conversando sobre a situação e eu estou aqui para mediar a situação, até porque era um um bloco LGBT, era um bloco importante pra cidade no meio do carnaval’.”

O deputado afirma que um sargento utilizou spray de pimenta diretamente em seu rosto. “Ele jogou o spray de pimenta diretamente no meu olho. Quer dizer, uma abordagem direta que ele fez, sendo que eu não empregava nenhum tipo de força, medo, risco naquele momento a integridade física dele ou de ninguém.”

Felix também criticou o que considera falta de justificativa para a ação policial. “Não tem justificativa você tratar um presidente da comissão de direitos humanos, um deputado distrital que tá ali tentando fazer o seu trabalho ou minimamente dialogar sobre a situação no carnaval daquela forma.”

O deputado afirmou que já apresentou representação à Polícia Civil e ao Ministério Público do Distrito Federal por abuso de autoridade, lesão corporal e desacato.

“Já estou representando aqui a Polícia Civil e também mandando um documento pro promotor de justiça do Distrito Federal da atividade policial por abuso de autoridade contra o policial, por lesão corporal e também desacato.”

Fábio Félix disse que buscava apenas esclarecimentos sobre a ocorrência, mas que não houve abertura para conversa. “Eu só queria entender a situação. Pedi para conversarmos, mas mandaram eu me afastar imediatamente. Eu disse que não ia sair porque estava ali para dialogar”, contou.

Segundo Felix, ele atua tradicionalmente durante o carnaval na condição de deputado distrital e presidente da Comissão de Direitos Humanos da Câmara Legislativa do Distrito Federal.

O deputado também afirmou que não recebeu explicações formais sobre os motivos da condução de Dayse Hansa. “Eles não explicaram nada. Simplesmente levaram a mulher e não quiseram falar comigo. Soube por outras pessoas que ela estava gravando um vídeo”, disse.

A Câmara Legislativa do Distrito Federal (CLDF) emitiu uma nota repudiando a agressão contra o deputado distrital.

A nota defende que o distrital estava cumprindo seu papel como presidente da Comissão de Defesa dos Direitos Humanos, Cidadania e Legislação Participativa ao averiguar a abordagem policial contra dois homens que estavam portando maconha. "Foi justamente na tentativa de estabelecer o diálogo entre policiais e foliões que o Deputado foi surpreendido, sem razão alguma, com spray de pimenta em seu rosto", afirmou a Câmara, em nota assinada pelo Deputado Ricardo Vale (PT), 1º Vice-Presidente no exercício da Presidência, enfatizando que irá cobrar as autoridades para que a agressão seja investigada, e os responsáveis, punidos.

A nota ressalta que as imagens "não deixam dúvidas da atuação legítima e pacífica do Deputado". No mesmo trecho, afirma que enquanto pulava carnaval "sentiu-se no dever de tentar ajudar a desfazer a confusão que se instalou na redondeza", pontuou.

 

Fonte: Brasil 247

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