domingo, 15 de fevereiro de 2026

Entenda o motivo de Lucas Pinheiro ter trocado a Noruega pelo Brasil

Para Lucas, a mudança simboliza a retomada do prazer em competir

Lucas Braathen conquista medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de Inverno REUTERS/Gintare Karpaviciute

O esquiador Lucas Pinheiro desembarcou oficialmente no esporte brasileiro após um rompimento com a federação da Noruega motivado por divergências relacionadas a autonomia profissional e patrocínios. As informações foram publicadas pelo UOL.

Em entrevista, Lucas revelou que o desgaste com a estrutura norueguesa foi determinante para sua saída do circuito internacional em 2023, quando anunciou aposentadoria aos 23 anos.

“O vazio no meu coração após o título se uniu à insatisfação com a federação norueguesa de esqui. Não me sentia livre e decidi largar o esporte em outubro de 2023 para abraçar minhas outras paixões: música, arte, moda. Cinco meses depois, a chance de defender as cores da bandeira brasileira apareceu. Não pensei duas vezes. Agora, vou poder aparecer nas páginas dos jornais brasileiros e meu vovô Alberto e minha vovó Marcia vão poder celebrar o neto deles.”

A reviravolta na carreira ocorreu poucos meses após o anúncio da aposentadoria. Segundo a Confederação Brasileira de Desportos na Neve (CBDN), o atleta procurou a entidade manifestando interesse em competir pelo Brasil. À época, ele ainda não possuía passaporte brasileiro, mas iniciou o processo de documentação para viabilizar a mudança.

O presidente da CBDN, Anders Pettersson, explicou como se deu a aproximação. “Há pouco mais de dois anos ele declarou a aposentadoria. Tinha 23 anos e disse que tinha perdido o prazer de competir, que a confederação norueguesa não o estava tratando da maneira que achava que era adequada. Depois, nos procurou e falou sobre o interesse de voltar a competir. Estávamos acompanhando a carreira. À época, ele não tinha passaporte brasileiro. Deu entrada na papelada, conseguiu e iniciamos o processo para ele defender o Brasil”, afirmou.

De acordo com o dirigente, o principal ponto de atrito na Noruega envolvia limitações contratuais e a impossibilidade de estruturar equipe própria e negociar patrocínios de forma independente. No novo arranjo, Lucas passou a ter autonomia para gerir sua carreira, montar seu staff e captar recursos no mercado.“

O que ele queria era, principalmente, liberdade para competir, para montar a equipe dele, ter patrocinador próprio. Falamos que daríamos liberdade, cuidaríamos da logística, inscrição, mas a equipe ele que teria de cuidar. Ele tem oito funcionários. O budget dele é de, mais ou menos, 1,5 milhão de euros (R$ 9,2 milhões) por ano. Dissemos que a CBDN não teria esse recurso, mas que iríamos dar uma ajuda pequena, via Comitê Olímpico do Brasil, e a grande parte ele teria de conseguir.”

Pettersson destacou ainda que a parceria se consolidou como uma via de mão dupla. “Então houve uma mudança, da parte dele, de buscar patrocinador, coisa que ele não podia fazer na equipe norueguesa. Ele tem muito sucesso, muitos patrocinadores. O que a CBDN queria da parte dele? Que ele ajudasse a desenvolver o esporte alpino, fosse uma referência para outros atletas. E isso ele tem feito! Ele é muito acessível, contribui bastante para a CBDN. 
Os dois lados ganharam.”

Para o Brasil, tradicionalmente distante do protagonismo nos esportes de inverno, a chegada de um atleta com experiência internacional representa a chance de ampliar visibilidade e fomentar o esqui alpino em um país de clima predominantemente tropical.

Para Lucas, a mudança simboliza a retomada do prazer em competir sob um modelo que privilegia autonomia e protagonismo na própria trajetória.Com nova bandeira, nova estrutura e liberdade contratual, o atleta aposta em um ciclo de consolidação internacional enquanto assume também o papel de embaixador de uma modalidade ainda em desenvolvimento no cenário esportivo brasileiro.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

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