A estratégia, que desafia o governo e a classe trabalhadora, inclui campanhas públicas para destacar possíveis impactos negativos da alteração na jornada
Associações empresariais, representantes do setor produtivo e frentes parlamentares têm se mobilizado para que a votação sobre o fim da escala 6x1 — modelo que prevê seis dias consecutivos de trabalho e um de descanso — seja adiada para depois das eleições. A estratégia inclui a elaboração de estudos técnicos e campanhas públicas para destacar possíveis impactos negativos da alteração na jornada.
As informações foram publicadas neste domingo (22) pelo jornal Folha de S.Paulo, que relata articulações em curso para frear a tramitação da proposta no Congresso Nacional. Segundo o jornal, empresários avaliam alternativas como a desoneração da folha de salários ou a autorização para pagamento por hora trabalhada como caminhos para mitigar eventuais efeitos da mudança.
A PEC 148/2015 foi aprovada no dia 10 de dezembro do ano passado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas ainda precisa passar por duas votações no plenário do Senado e duas na Câmara, com voto favorável de, pelo menos, 49 senadores e 308 deputados.
☉ Projetos
O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) encaminhou ao Congresso um projeto de lei que trata do fim da escala 6x1. Paralelamente, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), analisa a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) e outros parlamentares após a repercussão do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT) - a proposta de emenda à Constituição estabelece jornada semanal de 36 horas, distribuída em quatro dias de trabalho e três de descanso.
Outra iniciativa em debate é a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que prevê a redução gradual da jornada para 36 horas semanais ao longo de dez anos, sem corte salarial. O texto ainda aguarda a indicação de relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Também tramita o Projeto de Lei 67/25, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que fixa limite de 40 horas semanais para todas as categorias profissionais. Pela proposta, a carga horária cairia das atuais 44 horas para 42 em 2027 e para 40 em 2028.
☉ Setor empresarial
Entidades empresariais defendem que o tema não seja votado sob influência do calendário eleitoral. O presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Vander Costa, afirmou que o assunto precisa ser discutido com cautela. “A ideia não é atrasar. É discutir no tempo certo, sem afogadilho. O que a gente não defende é votação rápida com finalidade eleitoreira”, declarou.
Em nota, a Confederação Nacional da Indústria (CNI) também defendeu a separação entre debate técnico e disputas políticas. A entidade sustentou ser necessário “separar o debate técnico do calendário eleitoral”. Acrescentou ainda que “o que a instituição pede, com a serenidade e responsabilidade de quem pensa no longo prazo, é que o debate seja elevado, orientado por evidências e compromisso com resultados duradouros”.
O presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes (Abrasel), Paulo Solmucci, informou que estuda encomendar pesquisa para avaliar se trabalhadores manteriam apoio à redução da jornada caso conhecessem os possíveis impactos econômicos. “É muito difícil você propôr que alguém trabalhe menos e essa pessoa ser contra, mas não está claro para ninguém o impacto pesado e grave para o custo dos serviços”, afirmou.
☉ Argumentos a favor e contra a mudança
Defensores do fim da escala 6x1 argumentam que a ampliação do tempo livre pode melhorar a qualidade de vida e elevar a produtividade, ao aumentar a satisfação dos trabalhadores. Já críticos sustentam que a redução da jornada pode elevar custos para empregadores, pressionar preços e impactar a competitividade de setores intensivos em mão de obra.
O debate segue em curso no Congresso Nacional, com diferentes propostas em tramitação e pressão de diversos segmentos da sociedade, enquanto a definição sobre o calendário de votação permanece em aberto.
☉ Pesquisas
Divulgada em 11 de fevereiro, a Nexus – Pesquisa e Inteligência de Dados apontou que 73% dos brasileiros apoiam o fim da escala 6 x 1. Em julho de 2025, a pesquisa Genial/Quaest revelou que 70% dos parlamentares rejeitam a proposta de jornada de quatro dias semanais.
Fonte: Brasil 247
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