Deputado afirma na CPMI do INSS que autorização, expansão do consignado e crescimento do banco ocorreram sob a gestão Bolsonaro
O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) apresentou, na segunda-feira (23), durante sessão da CPMI do INSS no Congresso Nacional, uma cronologia que, segundo ele, demonstra que o governo Jair Bolsonaro (PL) foi determinante para permitir a atuação do Banco Master no sistema de crédito consignado do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). O parlamentar sustentou que as decisões adotadas entre 2019 e 2022 criaram as condições para a expansão das operações da instituição financeira.
De acordo com as declarações feitas por Pimenta na comissão, o caso do Banco Master não é um episódio isolado, mas resultado de uma sequência de atos administrativos iniciados ainda no primeiro ano do governo Bolsonaro. Segundo o deputado, a instituição havia sido inabilitada em 2016 por irregularidades e tentou, sem sucesso, ingressar no sistema financeiro brasileiro em 2017 e 2018. A autorização para operar, afirmou, só foi concedida em 2019, pelo Banco Central então presidido por Roberto Campos Neto, já sob a gestão de Bolsonaro.
O parlamentar destacou que, em 2020, o Banco Master firmou acordo com o INSS para operar crédito consignado com desconto direto na folha de aposentados. Pimenta afirmou que isso ocorreu “mesmo sabendo que os chefes do banco estavam sob suspeita de manipular o mercado para ganhar dinheiro em benefício próprio”.
Entre 2019 e 2022, ainda conforme o deputado, o banco registrou crescimento acelerado. Nesse período, a margem do crédito consignado foi ampliada por medida provisória assinada pelo então presidente Jair Bolsonaro, pelo então ministro da Economia Paulo Guedes, pelo então ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni e pelo então ministro João Roma. A ampliação elevou o limite de desconto permitido nas aposentadorias.
Pimenta também mencionou que João Roma foi sucedido por Ronaldo Bento no Ministério da Cidadania, e que, sob essa gestão, foi autorizado o oferecimento de empréstimos consignados a beneficiários do Auxílio Brasil. Paralelamente, segundo o deputado, o Banco Master ampliou significativamente a captação de recursos junto ao público e passou a operar no limite máximo de endividamento permitido pelas regras do Banco Central.
Pimenta contrapôs esse período às medidas adotadas posteriormente. Segundo ele, já sob a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o INSS suspendeu e não renovou o acordo com o Banco Master, impedindo novos descontos na folha de aposentados. Ainda de acordo com o deputado, o Banco Central encerrou as atividades da instituição devido às irregularidades identificadas.
O parlamentar também citou a atuação da Polícia Federal, que, conforme afirmou, desarticulou o esquema e prendeu Daniel Vorcaro, apontado como dono do Banco Master.
Fonte: Brasil 247
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