A ministra acusou o jornal de estigmatizar a classe trabalhadora brasileira
A ministra da Secretaria de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, criticou neste domingo (22) a Folha de S.Paulo após a publicação da reportagem intitulada “Brasileiro trabalha menos que a média mundial; veja rankings”. A declaração foi feita nas redes sociais, em meio ao debate sobre a redução da jornada de trabalho e o fim da escala 6x1.
Em sua manifestação na plataforma X, Gleisi reagiu à abordagem adotada pelo jornal. “Reservar pelo menos dois dias por semana para cuidar da família e da própria vida é um direito que a Folha não quer reconhecer e ainda por cima tenta estigmatizar como preguiça. É o mesmo preconceito dos que foram contra a abolição do trabalho escravo dois séculos atrás”, escreveu a ministra.
◎ Estigmatização de trabalhadores
Na mesma publicação, Gleisi afirmou que a cobertura integra uma ofensiva contra a proposta de mudança na jornada semanal. “A campanha da @folha contra o fim da escala 6x1 chegou ao extremo de tachar como preguiçosos os trabalhadores brasileiros na manchete deste domingo. Se for mesmo verdadeiro que o tempo médio de trabalho no país seria de 40,1 horas por semana, como diz estudo citado pelo jornal, qual seria o problema de reduzir na lei a jornada de 44 para 40 horas semanais? Mas o fato é que esta não é a realidade para milhões”.
A ministra relaciona a discussão à proposta defendida pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que encaminhou ao Congresso Nacional projeto de lei para alterar o modelo atual de seis dias de trabalho e um de descanso.
◎ O que diz a reportagem da Folha
Em trecho da matéria, a Folha de S.Paulo afirma que “em comparação com o resto do mundo, o brasileiro não trabalha muito. Nem pode ser considerado particularmente esforçado”.
O jornal informa que os dados analisados são do economista Daniel Duque, pesquisador do FGV Ibre, com base em um banco de dados global de horas trabalhadas organizado pelos economistas Amory Gethin, do Banco Mundial, e Emmanuel Saez, da Universidade da Califórnia em Berkeley (EUA).
Segundo a reportagem, o conjunto de informações confirma relações entre características demográficas, carga tributária, transferências realizadas pelos países, renda per capita e número de horas trabalhadas. Ainda conforme o texto, “Sob qualquer desses critérios, o brasileiro trabalha menos do que seria esperado”.
◎ Propostas no Congresso
O tema da jornada de trabalho está em discussão no Legislativo. Além do projeto encaminhado pelo Executivo, o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos), analisa a PEC 8/2025, apresentada pela deputada Erika Hilton (Psol-SP) e outros parlamentares após a repercussão do Movimento Vida Além do Trabalho (VAT). A proposta prevê jornada semanal de 36 horas, distribuída em quatro dias de trabalho e três de descanso
Também tramita a PEC 221/2019, de autoria do deputado Reginaldo Lopes (PT-MG), que estabelece redução gradual da jornada para 36 horas semanais em um período de dez anos, sem diminuição salarial. O texto ainda aguarda designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara.
Outra proposta em análise é o Projeto de Lei 67/25, da deputada Daiana Santos (PCdoB-RS), que fixa limite de 40 horas semanais para todas as categorias. A transição ocorreria de forma escalonada, com redução de 44 para 42 horas em 2027 e para 40 horas em 2028.
A reação da ministra amplia o embate público em torno da redução da jornada e da escala 6x1, tema que mobiliza governo, Congresso e setores da imprensa no atual cenário político.
Fonte: Brasil 247
Nenhum comentário:
Postar um comentário