sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

“A Papuda lhe espera”: web resgata VÍDEO de Bolsonaro após transferência


    Jair Bolsonaro, então deputado, em seu gabinete em 2017. Foto: Reprodução

Após a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de transferir Jair Bolsonaro para o complexo penitenciário da “Papudinha”, opositores ressuscitaram um antigo meme de 2017, onde o então deputado faz uma piada sobre a penitenciária.

No vídeo, Bolsonaro ri enquanto diz “a Papuda lhe espera”, em seu antigo gabinete na Câmara dos Deputados, zombando de deputados do PT que estavam na chamada “Lista do Fachin”. Essa lista envolvia investigações sobre supostas propinas pagas pela empreiteira Odebrecht.

O “meme” foi resgatado por diversos usuários do X e petistas após a transferência de Bolsonaro. O deputado Rubens Pereira Júnior (PT-MA) e o ministro da Secretaria-Geral, Guilherme Boulos compartilharam o vídeo em suas redes sociais.

Rubens, ao compartilhar o vídeo, fez questão de brincar: “Tem vídeos que envelhecem mal, né? O que acham?”.

A decisão de Moraes de transferir Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para a Papudinha, nesta quinta (15), foi motivada por questões de saúde e a necessidade de condições melhores para o ex-presidente cumprir sua pena.

Na Papudinha, Bolsonaro ficará em uma cela maior, com condições melhores, incluindo a possibilidade de realizar exercícios físicos, o que não era permitido na carceragem da PF.

Veja as publicações:

Fonte: DCM

Prévia do PIB tem alta de 0,7% em novembro, diz Banco Central


Índice interrompe sequência de quedas e mantém crescimento de 2,4% em 12 meses

Moedas de real (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

A atividade econômica brasileira apresentou uma recuperação em novembro de 2025, após um período de desaceleração ao longo do segundo semestre. O Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), considerado uma prévia do Produto Interno Bruto (PIB), registrou crescimento de 0,7% na comparação com outubro, já descontados os efeitos sazonais. O resultado interrompeu uma sequência de dois meses consecutivos de retração do indicador.

A alta observada em novembro foi a primeira desde agosto, quando o índice havia avançado 0,4%, e sugere uma reação pontual da economia após a perda de ritmo registrada nos meses anteriores.

Na comparação com o mesmo mês de 2024, o IBC-Br apresentou expansão de 1,2%, sem ajuste sazonal. Já no acumulado de 12 meses, o indicador aponta crescimento de 2,4%, evidenciando que a economia brasileira segue em trajetória de expansão, ainda que em um ritmo mais moderado do que o observado no ano anterior.

O desempenho positivo de novembro foi impulsionado principalmente pela indústria, que avançou 0,8%, e pelo setor de serviços, com crescimento de 0,6%. Em sentido oposto, a agropecuária registrou retração de 0,3% no período. Os impostos sobre produtos, que refletem o nível geral de atividade econômica, também tiveram contribuição positiva para o resultado mensal.

O IBC-Br é composto por dados da agropecuária, da indústria, dos serviços e da arrecadação de tributos, funcionando como um termômetro antecipado do PIB oficial, que é calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Por essa razão, o indicador é acompanhado de perto por analistas e agentes do mercado financeiro.

Apesar do avanço registrado em novembro, o Banco Central tem reiterado que uma desaceleração da atividade econômica ao longo de 2025 já era esperada, em função do patamar elevado da taxa básica de juros. Atualmente, a Selic está fixada em 15% ao ano. Em comunicados recentes, a autoridade monetária tem destacado que um crescimento mais contido é considerado necessário para garantir a convergência da inflação à meta de 3%.

As projeções do mercado financeiro indicam que o PIB brasileiro deve crescer 2,26% em 2025, desempenho inferior aos 3,4% registrados em 2024, refletindo justamente os efeitos da política monetária restritiva sobre o nível de atividade econômica.

Fonte: Brasil 247

As diferenças entre a rotina de presidiário de Bolsonaro na Papudinha e na sede da PF

Jair Bolsonaro (PL) e sua nova cela na Papudinha. Foto: Reprodução

A decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), que transferiu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal (PF) no Distrito Federal para o 19º Batalhão da Polícia Militar, a chamada Papudinha, detalha ponto a ponto como serão as novas condições de custódia em comparação com a cela anterior.

No novo local, Bolsonaro terá mais espaço físico, mais refeições diárias e uma estrutura de atendimento em saúde bem mais ampla do que a oferecida na sede da PF.

Bolsonaro deixou, na quinta-feira (15), a carceragem da PF, onde ficava em um espaço de 12 metros quadrados, para ocupar uma sala de Estado-Maior no Núcleo de Custódia da PM-DF, no Jardim Botânico.

A Papudinha fica a poucos metros das unidades da Papuda para presos comuns, tem capacidade para 60 presos e oito celas no formato de alojamentos coletivos, com banheiro com box, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala.

De acordo com o STF, a cela destinada ao ex-presidente é igual à que abriga Anderson Torres: área total de 54,76 m² de área coberta, além de cerca de 10 m² de área externa, somando 64,83 m². No batalhão, o banho de sol deixa de ser feito em pátio improvisado e passa a ocorrer na própria área externa da cela, com privacidade e horário livre.

A mesma área poderá ser usada para exercícios físicos, com possibilidade de instalação de esteira, bicicleta ergométrica e barras de apoio na cama para evitar quedas — rotina que, segundo Moraes, era inviável na PF por questões administrativas e de segurança.


Refeições, visitas e rotina de convivência

A rotina alimentar também muda. Na Superintendência da PF, Bolsonaro recebia três refeições diárias — café da manhã, almoço e jantar. Na Papudinha, passam a ser cinco: café da manhã, almoço, lanche, jantar e ceia.

As visitas, antes restritas às terças e quintas-feiras, entre 9h e 11h, com permanência máxima de 30 minutos por visitante em uma sala administrativa, passam a ocorrer às quartas e quintas-feiras, por até seis horas de duração, com até duas horas para cada visitante.

Na decisão, Moraes registrou que “a transferência possibilitará o início imediato da intervenção fisioterapêutica requerida pela defesa que, segundo seus médicos, precisa ser realizada no início da noite, o que não é possível na Superintendência da Polícia Federal em virtude das condições administrativas e de segurança, mas será plenamente viável no novo local do custodiado”.


Equipe de saúde ampliada e justificativa do STF

Outra diferença central está na área da saúde. Na PF, Bolsonaro era atendido por um médico da própria instituição, em regime de plantão 24 horas. Já no Núcleo de Custódia da PM-DF, além de um médico de plantão 24 horas, há equipe composta por 2 médicos clínicos, 3 enfermeiros, 2 dentistas, 1 assistente social, 2 psicólogos, 1 fisioterapeuta, 3 técnicos de enfermagem, 1 psiquiatra e 1 farmacêutico.

Moraes afirmou que “a comparação das instalações oferecidas pelo Núcleo de Custódia da Polícia Militar no Complexo Penitenciário da Papuda com as instalações existentes na Superintendência Regional da Polícia Federal do Distrito Federal demonstra, nesse momento e em virtude dos novos requerimentos da defesa, a conveniência da imediata transferência”.

O ex-presidente foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal a 27 anos e 3 meses de prisão por crimes ligados à trama golpista, incluindo organização criminosa armada, golpe de Estado, tentativa de abolição violenta do Estado Democrático de Direito, dano qualificado e deterioração de patrimônio tombado.

Antes de ser levado para a PF e agora para a Papudinha, Bolsonaro chegou a cumprir período em prisão domiciliar por decisão de Moraes, que avaliou o risco de fuga.

Confira o quadro comparativo:
Quadro comparativo de celas — Foto: Decisão de Alexandre de Moraes

Fonte: DCM

VÍDEO: Moraes diz que “fez o que tinha que fazer” após mandar Bolsonaro para a Papudinha

Jair Bolsonaro e Alexandre de Moraes. Foto: Antonio Augusto/TSE

O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), fez uma declaração que foi considerada irônica logo após determinar a transferência do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) da Superintendência da Polícia Federal, em Brasília, para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, unidade conhecida como Papudinha.

“Hoje já fiz o que tinha que fazer”, disse o ministro durante a formatura da 194ª turma de Direito da Universidade de São Paulo, em São Paulo, na última quinta-feira (15). A frase foi recebida com aplausos e gritos pela plateia no Teatro Vibra São Paulo.

A declaração foi feita enquanto Moraes, patrono da turma, comentava o descumprimento do limite de tempo dos discursos no evento. Em tom descontraído, o ministro brincou sobre a possibilidade de intervir, mas sugeriu que sua decisão de horas antes já havia sido suficientemente significativa.

“Vocês percebem que ninguém cumpriu os três minutos, quase tive que tomar algumas medidas. Mas me contive hoje, acho que hoje já fiz o que tinha que fazer”, disse, arrancando reação entusiasmada dos formandos e convidados.



A fala ecoou o clima político do dia. Antes da cerimônia, Moraes havia ordenado que Bolsonaro deixasse a sede da PF, onde estava detido desde novembro do ano passado, e fosse levado ao batalhão da PM-DF.

A decisão atendeu parcialmente às reclamações da defesa, que vinha alegando condições inapropriadas na cela, especialmente o barulho constante do ar-condicionado. O ruído motivou a entrega de um tampão de ouvido ao ex-presidente e até o desligamento do equipamento durante a noite, mas não impediu novos pedidos da defesa por prisão domiciliar.

Fonte: DCM

Irmã de Ricardo Nunes tem problema com alcoolismo e transplante para cirrose agendado, diz família

Janaina Reis Miron, irmã do prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes. Foto: Divulgação


A família da advogada Janaina Reis Miron, irmã do prefeito de São Paulo Ricardo Nunes (MDB), confirmou que ela sofre de alcoolismo e tem um transplante marcado para a próxima terça-feira (20). A informação foi dada por familiares e por representantes da OAB após a prisão de Janaina, identificada pelo sistema de reconhecimento facial Smart Sampa na última quinta-feira (15). Ela tinha mandados abertos por embriaguez ao volante e desacato.

Segundo a família, não há contato com Janaina há mais de 15 anos, e eles não irão se manifestar publicamente sobre a prisão. A mãe dela e de Nunes cria um de seus três filhos, enquanto os outros dois vivem com o pai. Advogados da OAB disseram que ela estava em uma UBS para retirar medicamentos para o tratamento do alcoolismo e preparação da cirurgia por cirrose.

A defesa alegou que Janaina deixou de comparecer às audiências obrigatórias porque não foi informada pelo advogado anterior sobre as datas. Ela foi condenada em 2022 e deveria se apresentar mensalmente ao fórum. A família reforçou que a situação de saúde é grave e que o transplante está agendado.

Fonte: DCM

Bolsonaro tem 53% de imagem negativa entre eleitores, aponta pesquisa Quaest

Levantamento nacional mostra rejeição majoritária ao ex-presidente. Silas Malafaia é o segundo mais rejeitado

Jair Bolsonaro, escurecido na foto - 30/07/2021 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)

Pesquisa Quaest divulgada nesta sexta-feira (16) indica que Jair Bolsonaro (PL) enfrenta um elevado índice de rejeição junto ao eleitorado. De acordo com os dados, 53% dos brasileiros avaliam de forma negativa a imagem do ex-mandatário, percentual que o coloca como o nome com pior desempenho entre as lideranças analisadas no estudo.

Na sequência do ranking de rejeição aparece o pastor-empresário Silas Malafaia. Entre os entrevistados que afirmaram conhecê-lo, 46% classificaram sua imagem como negativa. Em terceiro lugar está o ministro da Fazenda, Fernando Haddad (PT), que registra 42% de avaliação desfavorável entre os eleitores consultados.

Michelle Bolsonaro surge na quarta posição do levantamento. Segundo a pesquisa, 38% dos entrevistados disseram ter uma imagem negativa da ex-primeira-dama, percentual inferior ao de outros nomes associados ao bolsonarismo, mas ainda expressivo dentro do cenário analisado.

Jair Bolsonaro cumpre pena privativa de liberdade de 27 anos e três meses de prisão por participação em uma trama golpista. Ele está detido na Sala de Estado-Maior do 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecida como “Papudinha”, por decisão do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

Além da avaliação de imagem, outra pesquisa recente da Quaest apresentou simulações para a eleição presidencial deste ano. Os cenários indicam vantagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sobre possíveis adversários ligados ao campo bolsonarista, como o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e os governadores Ratinho Jr. (PSD) e Tarcísio de Freitas (Republicanos).

No cenário considerado mais provável, Lula aparece na liderança com 36% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro ocupa a segunda colocação, com 23%. Em uma disputa que inclui o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas registra 9%, mantendo o filho do ex-presidente na vice-liderança.

A pesquisa foi realizada pela Genial/Quaest entre os dias 8 e 11 de janeiro. O levantamento ouviu mais de 2 mil pessoas em todo o país e apresenta margem de erro de dois pontos percentuais.

Fonte: Brasil 247

Lula participa de cerimônia que marca 90 anos do salário mínimo no Brasil

Evento no Rio celebra trajetória histórica do piso nacional e inclui lançamento de medalha comemorativa

Moedas de reais - 15/10/2010 (Foto: REUTERS/Bruno Domingos)

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) participa nesta sexta-feira (16) da cerimônia que celebra os 90 anos de implementação do salário mínimo no Brasil. A solenidade ocorre na Casa da Moeda do Brasil, no Rio de Janeiro, e integra a agenda oficial de comemorações de uma das mais importantes políticas de proteção social do país.

Durante o evento será lançada oficialmente uma medalha comemorativa em alusão aos 90 anos do salário mínimo, marco histórico que consolidou um patamar básico de remuneração e ajudou a estruturar direitos trabalhistas no Brasil.

Desde sua criação, o salário mínimo desempenha papel central na promoção da justiça social, na redução das desigualdades e no estímulo ao desenvolvimento econômico. Ao garantir uma renda mínima, a política assegura condições básicas de dignidade aos trabalhadores e impacta diretamente a vida de milhões de brasileiros, incluindo aposentados e pensionistas.

O salário mínimo foi instituído em 1936 pela Lei nº 185 e implementado durante o governo de Getúlio Vargas, em resposta às condições precárias de trabalho que predominavam no país, marcadas por longas jornadas e remuneração insuficiente. Ao longo das décadas, o instrumento enfrentou períodos de forte desvalorização, especialmente em contextos de inflação elevada e instabilidade econômica, como durante o regime militar e nas décadas de 1980 e 1990.

Uma mudança estrutural ocorreu em 2006, durante o primeiro mandato do presidente Lula, com a criação da Política de Valorização do Salário Mínimo. A iniciativa passou a combinar a reposição da inflação com o crescimento do Produto Interno Bruto (PIB), assegurando ganho real aos trabalhadores. Essa política se tornou referência para pisos salariais estaduais, benefícios previdenciários do INSS, programas sociais e contratos públicos.

Em 2023, o Governo do Brasil ampliou o modelo, reforçando a vinculação dos reajustes anuais à inflação medida pelo INPC e ao crescimento econômico, em consonância com os princípios sociais da Constituição de 1988. O aumento real do salário mínimo passou a ser apontado como um dos instrumentos mais eficazes de redistribuição de renda, com impactos diretos na redução da pobreza e da desigualdade, além de efeitos positivos sobre a economia, especialmente em regiões com maior concentração de trabalhadores de baixa renda.

Em 2026, além de marcar nove décadas de existência do salário mínimo, o país celebra os 20 anos da política de valorização. Desde 1º de janeiro deste ano, o novo valor em vigor passou de R$ 1.518 em 2025 para R$ 1.621 em 2026, representando um reajuste de 6,7%. O cálculo considera a inflação acumulada dos 12 meses anteriores e o crescimento real do PIB registrado dois anos antes, mantendo o poder de compra e ampliando a renda real da população trabalhadora.

Fonte: Brasil 247

Clima na Polícia Federal é de alívio após transferência de Bolsonaro para Papudinha

Transferência reduziu pressão logística e operacional na PF, segundo investigadores

  Bolsonaristas em frente a sede da Polícia Federal em Brasília (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)

A transferência de Jair Bolsonaro (PL) para a unidade prisional conhecida como Papudinha gerou um clima de alívio entre servidores da Superintendência da Polícia Federal no Distrito Federal. De acordo com relatos internos, a permanência do ex-mandatário no prédio da PF vinha impondo uma rotina atípica, com impactos diretos na logística e no funcionamento da unidade, originalmente destinada a detenções temporárias, relata o Metrópoles.

Segundo investigadores, a saída de Bolsonaro “desafogou” a estrutura da Superintendência da PF, que já era considerada inadequada para uma detenção de longo prazo, avaliação que antecede inclusive a condenação do ex-presidente pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), em setembro do ano passado.

A transferência ocorreu na quinta-feira (15), por determinação do ministro Alexandre de Moraes, relator responsável pela execução da pena. Bolsonaro deixou as dependências da Polícia Federal e passou a ocupar uma sala de Estado-Maior no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, localizado no Núcleo de Custódia da PM, área conhecida como Papudinha, anexa ao Complexo Penitenciário da Papuda.

Internamente, a avaliação majoritária entre agentes e servidores é de que a decisão foi acertada. Para investigadores, a Papudinha oferece um espaço mais amplo e condições consideradas mais compatíveis com a situação jurídica de Bolsonaro, ao mesmo tempo em que reduz a pressão operacional sobre a Polícia Federal, que não dispõe de estrutura adequada para custodiar presos por períodos prolongados.

Bolsonaro estava detido desde 22 de novembro de 2025 na Superintendência da PF, em Brasília. Nos dias que antecederam a transferência, a defesa apresentou diversos pedidos ao STF solicitando a conversão da prisão em regime domiciliar. Os advogados também questionaram as condições da custódia e chegaram a requerer a instalação de uma televisão com acesso à internet. As solicitações foram rejeitadas por Alexandre de Moraes, que afirmou que Bolsonaro já dispunha de privilégios e rebateu críticas feitas por filhos e aliados ao local da detenção.

Ao determinar a mudança para a Papudinha, o ministro destacou que a nova unidade garantiria condições ainda mais adequadas para o cumprimento da pena. Moraes autorizou visitas semanais da esposa, Michelle Bolsonaro, e dos filhos, além do fornecimento diário de marmitas. O acesso a uma Smart TV, no entanto, foi negado.

A sala de Estado-Maior destinada a Bolsonaro é semelhante à ocupada anteriormente por Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e por Silvinei Vasques, ex-diretor da Polícia Rodoviária Federal, ambos também condenados. Embora o espaço tenha capacidade para até quatro pessoas, ele será utilizado exclusivamente pelo ex-presidente.

A decisão judicial estabeleceu ainda uma série de condições específicas para a custódia, como assistência médica integral por profissionais particulares previamente cadastrados, atendimento médico em regime de plantão pelo sistema penitenciário, autorização para sessões de fisioterapia, alimentação especial diária entregue por pessoa indicada pela defesa, visitas semanais de familiares, assistência religiosa com dois líderes indicados, permissão para leitura e instalação de equipamentos de apoio e fisioterapia, como barras na cama, esteira e bicicleta.

Localizada no Jardim Botânico, a Papudinha fica a poucos metros das alas da Papuda destinadas a presos comuns e tem capacidade para cerca de 60 detentos. O prédio conta com oito celas em formato de alojamentos coletivos, equipadas com banheiro, chuveiro, cozinha, lavanderia, quarto e sala. Reformadas em 2020, as instalações também dispõem de consultório médico, áreas para prática esportiva e espaço exclusivo para atendimento de advogados.

O Núcleo de Custódia da Polícia Militar é destinado a militares estaduais, civis com direito à sala de Estado-Maior — como advogados e determinadas autoridades — e presos que aguardam definições sobre a perda de cargo. A fiscalização da unidade é realizada pela Vara de Execuções Penais do Distrito Federal, responsável por acompanhar o cumprimento das penas e medidas de segurança.

Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles

“Domiciliar não existe para quem tentou romper a tornozeleira”, afirma Pedro Serrano

Jurista diz que tentativa de violação inviabiliza benefício e avalia como correta decisão de manter Bolsonaro sob custódia estatal

Jair Bolsonaro e presídio da Papuda (Foto: Reuters | Reprodução)

A tentativa de rompimento da tornozeleira eletrônica pelo ex-presidente Jair Bolsonaro inviabiliza qualquer hipótese de prisão domiciliar, afirmou o jurista e professor de Direito Constitucional Pedro Serrano. Ao analisar o caso, sustentou que não há precedente jurídico que autorize a concessão do benefício a quem descumpriu de forma direta uma medida de monitoramento imposta pela Justiça.

A avaliação foi feita durante entrevista ao programa Boa Noite 247, da TV 247, na qual Serrano comentou as recentes decisões relacionadas às condições de custódia do ex-presidente. Segundo ele, a transferência para uma unidade prisional administrada pelo sistema penitenciário foi adequada e necessária para preservar tanto a segurança quanto a institucionalidade das decisões judiciais.

Ao comentar o local de custódia, Serrano destacou que se trata de um espaço digno e compatível com a condição de ex-presidente da República. “Um ex-presidente tem direito legal à proteção do Estado. Quando está preso, não perde esse direito”, afirmou. Para ele, a unidade escolhida garante segurança e condições humanas adequadas, sem caracterizar qualquer tipo de luxo.

O jurista também avaliou positivamente o afastamento do ministro Alexandre de Moraes das decisões administrativas do cotidiano carcerário. “Agora vai ter uma autoridade administrativa profissionalizada para decidir esse cotidiano, expondo menos o Supremo”, disse, ao defender que questões como infraestrutura e rotina devem ser resolvidas pela administração penitenciária, e não diretamente pelo Judiciário.

Serrano rejeitou de forma enfática a narrativa de que Bolsonaro estaria sendo submetido a maus-tratos. “Esse mimimi de tortura é ridículo. Tortura é algo muito mais grave, muito mais intenso”, declarou, acrescentando que o sofrimento inerente à prisão não pode ser confundido com práticas ilegais ou desumanas.

Durante a entrevista, ele também abordou os pedidos da família do ex-presidente para a concessão de prisão domiciliar. Segundo Serrano, a tentativa de buscar apoio junto a ministros do Supremo não altera a realidade jurídica do caso. “Não conheço, nunca ouvi falar de um caso de alguém que tenha tentado romper tornozeleira e tenha ficado em domiciliar. Não existe isso”, afirmou.

O professor lembrou ainda que Bolsonaro já conta com condições diferenciadas em relação ao sistema prisional comum, como acesso a médicos particulares, visitas frequentes de familiares e possibilidade de receber alimentação externa. “Ele tem uma série de privilégios já. É difícil até imaginar qual privilégio a mais teria”, observou.

Para Serrano, não há fundamento jurídico que sustente a mudança de regime. “Ele cometeu um crime grave, foi condenado de forma definitiva pela Justiça. Não está preso de forma cautelar. Ele tem que cumprir a pena. Ponto”, concluiu, ressaltando que o cumprimento ocorre em condições especiais, mas dentro dos limites da lei.

Fonte: Brasil 247

Emendas a ONGs ligadas a políticos somam R$ 105 milhões sob suspeita

Decisão de Flávio Dino no STF barra repasses e cita indícios de nepotismo e desvio de recursos públicos

      Flávio Dino (Foto: Antonio Augusto/STF)

A decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), de proibir o uso de emendas parlamentares destinadas a organizações não governamentais administradas por familiares de congressistas ou por assessores, colocou sob escrutínio um volume expressivo de recursos públicos. Levantamentos apontam que ao menos R$ 105,2 milhões já haviam sido repassados a entidades agora impedidas de receber verbas por esse mecanismo.

A medida, tomada nesta semana, tem como base reportagens do jornal O Globo, que identificaram o envio de 57 emendas parlamentares a ONGs ligadas direta ou indiretamente a parlamentares, ex-assessores e aliados políticos. Segundo os dados apurados, os repasses a esse tipo de entidade cresceram de forma acelerada desde 2019, alcançando o recorde de R$ 1,7 bilhão em 2025.

Na decisão, Flávio Dino destacou que o cenário revela sinais consistentes de irregularidades. “Conforme evidencia a reportagem, avolumam-se indícios graves de malversação de verbas públicas, com a destinação de recursos para a satisfação de interesses privados — prática que equivale à apropriação privada do Orçamento Público, em desvio dos critérios objetivos e impessoais que devem reger a atuação estatal”, escreveu o ministro.

A proibição abrange ONGs que tenham, em seus quadros administrativos, cônjuges, companheiros ou parentes até o terceiro grau de parlamentares responsáveis pela indicação das emendas, bem como de assessores vinculados a esses congressistas. A decisão também veta a contratação ou subcontratação de empresas ligadas a esses familiares, mesmo de forma indireta, como fornecedores ou prestadores de serviço.

Um dos casos citados envolve a Associação Pestalozzi de Maceió, que recebeu R$ 8,5 milhões em emendas entre 2021 e 2025. A entidade foi presidida por dez anos pela ex-deputada Tereza Nelma (PSD-AL) e, após sua eleição para a Câmara, passou a ser comandada por sua vice. Documentos analisados apontam que parte dos recursos foi usada para pagar o aluguel de um imóvel pertencente ao marido da ex-parlamentar, Renato Viana Soares.

Ao comentar o caso, Soares afirmou: “É um imóvel que me pertence há mais de 20 anos. A Pestalozzi trabalha nesse espaço. Não tem nada de estranho que uma emenda tenha um dia pago alguns meses de aluguel. Eu não sei se tem crime nisso”. Apesar da declaração, auditoria da Controladoria-Geral da União (CGU) concluiu que a operação compromete princípios como impessoalidade, moralidade e transparência na gestão dos recursos públicos. A entidade negou irregularidades e declarou estar à disposição para esclarecimentos, reforçando em nota seu “compromisso inabalável com a inclusão social de PCDs”.

Outro episódio envolve o deputado Raimundo Costa (Podemos-BA), que destinou R$ 17,2 milhões à Federação dos Pescadores da Bahia (Fepesba), entidade que presidiu por sete anos. A CGU apontou potenciais conflitos de interesse, destacando vínculos entre dirigentes, empresas contratadas e o parlamentar. O atual presidente da federação, Aurelino José dos Santos, afirmou que está aberto a corrigir eventuais problemas: “Estamos à disposição para corrigir o que for necessário. Estamos sempre buscando fazer o que a legislação prevê. Caso a justiça ou a legislação definam como irregular, a gente vai corrigir”.

A investigação também alcançou o deputado Eduardo Velloso (União Brasil-AC), cuja emenda, originalmente destinada a eventos culturais, acabou sendo redirecionada a um hospital oftalmológico pertencente a seu pai. Auditoria identificou pagamentos por procedimentos médicos com valores muito superiores aos da tabela do SUS. Segundo a CGU, ao menos R$ 331,1 mil chegaram à clínica. Em nota, o parlamentar afirmou que a responsabilidade pelo repasse foi da prefeitura e que não houve ingerência de sua parte.

Há ainda o caso do deputado Waldenor Pereira (PT-BA), cujos recursos enviados ao governo da Bahia para festas juninas acabaram sendo repassados a uma ONG comandada por uma ex-assessora de seu gabinete. O parlamentar classificou o episódio como coincidência. “O recurso é repassado para o governo do estado, que escolhe a ONG. Possivelmente foi uma coincidência. O fato de ter trabalhado no meu mandato não impede que ela participe de alguma entidade”, declarou. Auditoria da CGU, no entanto, apontou falhas na execução dos recursos e ausência de capacidade técnica da entidade contratada.

Ao justificar a decisão, Flávio Dino afirmou que a medida busca impedir práticas de nepotismo e atos de improbidade administrativa, reforçando a necessidade de critérios objetivos e impessoais na destinação de recursos públicos por meio de emendas parlamentares.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Resistência de Bolsonaro e aliados à Papudinha surpreende Moraes

Ministro do STF afirmou a interlocutores que instalações do batalhão são superiores e criticou queixas feitas por aliados do ex-presidente

18/11/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante o julgamento da Ação Penal 2696 referente ao Núcleo 3 da trama golpista (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

A decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes de transferir Jair Bolsonaro da Superintendência da Polícia Federal para o 19.º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, conhecido como Papudinha, provocou reação negativa entre aliados do ex-presidente, que classificaram a medida como uma tentativa de humilhação. Nos bastidores, porém, o magistrado demonstrou surpresa com a resistência ao local, que, segundo ele, oferece condições melhores do que a unidade anterior.

As informações foram publicadas pela Coluna do Estadão, que relata que Moraes comentou a interlocutores, nos últimos dias, não compreender a rejeição de Bolsonaro à Papudinha. Em conversas reservadas, o ministro avaliou que a resistência só poderia ser explicada pelo estigma associado ao Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido por abrigar condenados por crimes graves, como tráfico de drogas e armas, formação de quadrilha, assassinatos e terrorismo.

Apesar da imagem negativa, a ala específica para onde o ex-presidente foi levado conta com uma área total de 64,83 metros quadrados e espaço destinado a equipamentos de fisioterapia, como esteira e bicicleta. Na decisão que determinou a transferência, Moraes também respondeu às críticas feitas pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que o acusou de manter o pai em um “cativeiro” e reclamou do barulho do ar-condicionado na sala de Estado Maior.

Ao rebater as queixas, o ministro escreveu “Pasmem” e ressaltou que, “diferentemente dos 384.586 presos em regime fechado”, o local não apresenta superlotação. Segundo ele, há, na verdade, exclusividade na acomodação destinada a Bolsonaro.

Aliados do ex-presidente reagiram de forma contundente. O líder do PL na Câmara, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que Moraes “usa a caneta como cassetete” e que a intenção do magistrado seria apenas espezinhar Bolsonaro. Para o parlamentar, o ministro representa o “autoritarismo de toga”.

Já o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) reconheceu que, “aparentemente”, Bolsonaro ficará em um espaço melhor e sem barulho, mas questionou: “Mas a pergunta ainda continua: por que não enviá-lo para casa?”

O ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos, ironizou a situação ao afirmar: “Aqui se faz, aqui se paga”. A frase foi publicada junto a um vídeo em que Bolsonaro aparece comemorando a prisão de Lula, em abril de 2018.

A avaliação de Alexandre de Moraes é que Bolsonaro jamais enfrentou a realidade da superlotação do sistema prisional brasileiro, vivida por centenas de milhares de condenados que cumprem pena em regime fechado, cenário que contrasta com as condições oferecidas na unidade onde o ex-presidente está detido.

Fonte: Brasil 247 com informações do Estadão

Petrobras supera metas e bate recordes de produção em 2025

Estatal cresce 11% na produção de óleo e de óleo e gás, impulsionada pelo pré-sal e por novas plataformas na Bacia de Santos

Presidente Lula e presidente da Petrobras, Magda Chambriard, durante cerimôniade ampliação da capacidade operacional da Refinaria Abreu e Lima (Foto: Ricardo Stuckert / PR)

A Petrobras encerrou 2025 com recordes históricos de produção e desempenho acima das metas definidas em seu plano de negócios 2025-2029, reforçando a centralidade do pré-sal na estratégia operacional da companhia.

Segundo o jornal Valor Econômico, a produção de óleo da estatal alcançou 2,40 milhões de barris por dia, ultrapassando em 0,5 ponto percentual o limite superior da meta (+4%) prevista no planejamento. O resultado representa crescimento de 11% em relação à produção registrada em 2024.

☉ Produção total e produção comercial também superam projeções

Em nota, a Petrobras informou que a produção total de óleo e gás natural chegou a 2,99 milhões de barris de óleo equivalente por dia (boed). Esse volume também ficou acima do teto da meta (+4%), superando-o em 2,8 pontos percentuais, e igualmente refletiu alta de 11% na comparação anual.

Já a produção comercial de óleo e gás natural atingiu 2,62 milhões de barris, ficando 0,9 ponto percentual acima do limite superior da meta (+4%). A companhia destacou que, além de superar as projeções, as marcas de produção de óleo, produção comercial e produção total “superaram recordes anuais históricos registrados ao longo de uma trajetória de mais de 70 anos”.

☉ Pré-sal concentra 82% e puxa novos recordes

A estatal apontou que o pré-sal foi determinante para os resultados de 2025, com novos recordes anuais. “A companhia também estabeleceu no pré-sal novos recordes anuais de produção total própria de 2,45 milhões de barris e operada de 3,70 milhões de barris. O volume de produção no pré-sal representa 82% da produção total da Petrobras”, destacou a empresa no comunicado.

O avanço foi acompanhado pela entrada em operação de duas novas plataformas no pré-sal da Bacia de Santos: o navio-plataforma Almirante Tamandaré, no campo de Búzios, e o navio-plataforma Alexandre de Gusmão, no campo de Mero.

☉ Búzios e Mero avançam com novas unidades e aceleração gradual

A Petrobras também reportou marcos relevantes em unidades já em operação. O navio-plataforma Marechal Duque de Caxias, em Mero, alcançou o topo de produção. Já o navio-plataforma Almirante Tamandaré atingiu recorde de produção, chegando a uma média de cerca de 240 mil barris por dia em novembro e dezembro, tornando-se a plataforma de maior produção do Brasil.

Além disso, a companhia informou a continuidade do “ramp-up” [aceleração gradual das atividades] de outras unidades: Maria Quitéria, no campo de Jubarte, e Anita Garibaldi e Anna Nery, nos campos de Marlim e Voador.

☉ Eficiência operacional e produtividade dos poços explicam superação de metas

No balanço operacional divulgado, a Petrobras atribuiu o desempenho ao ganho de eficiência nas unidades. “O aumento significativo de eficiência operacional de todas as unidades operacionais foi fundamental para a superação das metas de produção”, afirmou a estatal.

Outro destaque do ano, segundo a empresa, foi o atingimento de 1 milhão de barris de óleo por dia de produção operada no campo de Búzios com apenas seis plataformas, o que, na avaliação da companhia, demonstra a “grande produtividade” dos poços. “A sétima plataforma, P-78, que entrou em operação em 31 de dezembro, contribuirá para a continuidade da trajetória de crescimento da produção da companhia”.

☉ O que os números indicam para 2026

Com recordes no pré-sal, novas plataformas em operação e unidades em aceleração gradual, a Petrobras encerra 2025 sinalizando continuidade de crescimento, especialmente em campos de alta produtividade como Búzios e Mero, que vêm ganhando peso no portfólio operacional da estatal.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal Valor Econômico

Sakamoto: Transferido para Papudinha, Bolsonaro agora está onde deveria estar


O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) – Reprodução

Por Leonardo Sakamoto, publicado no UOL

Há algo de didático, quase pedagógico, na transferência de Jair Bolsonaro da carceragem da Polícia Federal para a Papudinha, parte do Complexo Penitenciário da Papuda. Não porque o sistema penal brasileiro tenha, de repente, decidido funcionar como manda o figurino, mas porque a mudança desmonta a narrativa de excepcionalidade que sempre acompanhou o ex-presidente.

Jair e sua família reclamavam sistematicamente da carceragem da PF no Distrito Federal, onde ele estava preso por tentativa de golpe de Estado. Reclamavam de ruído do ar condicionado, da falta de acesso a uma TV com streaming, do tamanho do espaço, do pouco tempo de acesso ao sol.

Tanto chiaram que o ministro Alexandre de Moraes, do STF, atendeu ao pedido de mudança de local. Mas, ao invés de enviá-lo para casa, como desejavam, o transferiu para o 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, a Papudinha, parte isolada do complexo penitenciário.
Moraes apresentou, em sua decisão, uma comparação entre os dois espaços. Bolsonaro saiu de uma cela com 12 m2 para outra com quase 65 m2, com cozinha, banheiro, quarto, varanda e quintal descoberto. Os médicos terão acesso a ele 24 horas por dia e poderá continuar recebendo visitas da família. O local é extremamente seguro, onde ficam policiais militares que cometeram crimes, e já hospeda o ex-ministro da Justiça, Anderson Torres — um de seus cúmplices na tentativa de golpe.

Só por curiosidade: reportagem de Lucas Almeida, no UOL, em novembro passado, por ocasião da prisão de Torres, apontou que a cela de 65 m2 era maior que 85% dos apartamentos lançados em São Paulo entre janeiro e junho de 2025.

Convém lembrar que a carceragem da PF nunca foi o inferno dantesco descrito por seus aliados nas redes. Tratava-se de um ambiente controlado, com pouca gente, segurança reforçada e rotina previsível, muito distante do que enfrentam diariamente milhares de presos Brasil afora. A transferência, portanto, pode ser um upgrade, mas o que importa é que ele sai de uma exceção e vai para a regra, da PF à penitenciária. E com acomodações confortáveis, dignas de um ex-presidente da República.


O bolsonarismo sempre operou sob a lógica do privilégio travestido de injustiça. Quando está no poder, chama de prerrogativa. Quando perde, chama de perseguição. O mesmo discurso que naturalizou rachadinhas, ataques às instituições e defesa do golpismo agora tenta convencer que a aplicação da lei é vingança. Não é.

Há também um simbolismo difícil de ignorar. Durante quatro anos, Bolsonaro tratou o Estado como extensão do quintal de casa. Confundiu cargo público com patrimônio privado e Forças Armadas com sua torcida organizada. A transferência para a Papudinha sinaliza, ainda que tardiamente, que o país não funciona assim. Ao menos, não deveria.

E cumprimento de pena se faz em penitenciárias. Bolsonaro estava pagando 27 anos e três meses em uma cela da PF por uma concessão. “Ah, mas e o Lula?”, questionarão os afoitos. Nos 580 dias em que permaneceu na carceragem da PF em Curitiba, ele ainda estava esperando uma decisão final da Justiça. Sim, seu caso ainda não havia transitado em julgado. Foi mandado para a cadeia devido ao entendimento vigente na época de que bastaria uma condenação em segunda instância. Mas cumprimento de pena mesmo só após a palavra final. E se o STF confirmasse, ele bem poderia ser transferido para um presídio.

Se há algo que incomoda profundamente seus seguidores, não é o local da prisão, mas o fim do personagem. O mito que não se curva, que desafia o sistema e sai ileso, dá lugar a um réu comum, sujeito às mesmas regras processuais que qualquer cidadão. Sem live, sem cercadinho, sem decreto. Apenas decisões judiciais.

É claro que a narrativa da vitimização seguirá firme. A defesa e a família de Bolsonaro exigem prisão domiciliar. Alegam idade, problemas de saúde, perseguição política e, como de costume, um conjunto de circunstâncias que, somadas, só valem quando o CPF é o dele.

Sim, esses argumentos não existem para presos pobres, negros ou anônimos. Para o bolsonarismo, a cadeia sempre foi sinônimo de merecimento. No caso de Bolsonaro, virou sinônimo de abuso.
Mesmo que Jair fosse transferido para um hotel cinco estrelas em Brasília, os bolsonaristas iriam reclamar, como estão fazendo nas redes sociais. Na verdade, não aceitam nada menos que uma prisão domiciliar como etapa para uma anistia total.

A democracia não se consolida quando pune inimigos, mas quando trata iguais como iguais, inclusive aqueles que fizeram de tudo para enforcá-la. A transferência de Bolsonaro não é espetáculo, revanche ou sadismo institucional. É, no máximo, a confirmação de que o país começa a reaprender uma lição básica: ninguém está acima da lei, nem mesmo quem passou a vida gritando que estava.

Bolsonaro queria sair de onde estava, foi atendido. Apostou na prisão domiciliar, mas recebeu a Papudinha. Não é sacanagem. É o Estado tentando voltar ao lugar que nunca deveria ter abandonado.

Fonte: DCM