domingo, 11 de janeiro de 2026

Genoino diz que classe dominante brasileira é “corrupta, autoritária e entreguista” e cobra enfrentamento ao imperialismo

Em entrevista à TV 247, ex-presidente do PT critica governadores que apoiam Trump, defende mobilização popular e uma nova política de defesa nacional

       José Genoino (Foto: Mario Agra/Câmara dos Deputados)

O ex-deputado federal e ex-presidente do Partido dos Trabalhadores José Genoino afirmou que a classe dominante brasileira é “corrupta, autoritária e entreguista” e que o país vive uma encruzilhada histórica que exige enfrentamento político, mobilização popular e clareza de lado.


Logo no início da conversa, Genoino sintetizou sua avaliação do momento político brasileiro e internacional. “A classe dominante brasileira é corrupta, autoritária e entreguista. Por isso que nós temos que ter essa clareza para lutar por um Brasil diferente do que tá aí”, afirmou, ao comentar desde o escândalo do Banco Master até a postura de autoridades brasileiras diante da ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela.

Segundo ele, não se trata sequer de uma elite no sentido clássico do termo. “Isso não é elite. Coisa em lugar nenhum do mundo ser elite. É baixo nível demais”, disse, ao criticar governadores que manifestaram apoio a Donald Trump, atual presidente dos Estados Unidos. Para Genoino, essas posições revelam um “espírito vira-lata” e uma tradição histórica de subserviência. “Essa subserviência, esse entreguismo não tem ideia de projeto nacional, de soberania nacional, de democracia, de amor pelo povo”, afirmou.

Durante a entrevista, Genoino avaliou que a crise atual tem um aspecto pedagógico. “A crise tá deixando claro as coisas. Não precisa interpretar muito, é só ver. É um verdadeiro manual de política, um verdadeiro manual de teoria política”, disse. Para ele, a conjuntura junta, de forma explícita, a luta antiimperialista, a defesa da democracia e a luta por direitos sociais.

O dirigente histórico do PT relatou sua participação em atos recentes e disse ver o início do ano marcado por mobilização. “Eu sou otimista, até porque o ano tá se iniciando no clima de luta”, afirmou. Ele citou o ato em frente ao consulado dos Estados Unidos em solidariedade à Venezuela e a mobilização em memória do 8 de janeiro. Também declarou apoio à decisão do presidente Lula de vetar o projeto que alterava a dosimetria das penas dos condenados pelos atos golpistas. “O Lula deu uma grande contribuição”, disse.

Genoino foi enfático ao criticar a tentativa de relativizar as penas dos golpistas. “Quando era o andar de baixo, eles não falavam em dosimetria. Quando chegou no andar de cima, aí vem a dosimetria e eles se vitimizam como coitadinhos”, afirmou. Para ele, há uma tentativa recorrente de “passar o pano” e repetir o padrão histórico brasileiro de “mudar alguma coisa para que nada mude”.

Na avaliação do ex-deputado, a grande mídia tem papel central nesse processo. “A maneira como a grande mídia monopolista cobre essa questão da dosimetria é uma vergonha”, afirmou. Segundo ele, práticas que antes eram tratadas como inaceitáveis estão sendo normalizadas. “O grande problema é que a barbárie tá sendo normalizada como algo que faz parte da vida”, alertou.

No plano internacional, Genoino afirmou que o mundo vive uma situação de extrema gravidade diante da postura dos Estados Unidos sob o governo Trump. “Nós estamos diante de uma grave ameaça. É uma situação muito extremada o que esse imperador tá fazendo com o mundo”, disse. Ele criticou a ideia de “paz pela força” e afirmou que Trump “perdeu qualquer vergonha de assumir os seus interesses”, citando explicitamente o petróleo da Venezuela e ameaças a outros países, como Cuba e a Groenlândia.

Para Genoino, a resposta do Brasil deve passar por uma política externa ativa e pela integração regional. Ele elogiou os contatos feitos pelo presidente Lula com Colômbia, México e outros países. “O presidente Lula tomou uma decisão correta. A posição dele tá evoluindo para uma definição mais clara sobre a integração latino-americana”, avaliou. Ao mesmo tempo, criticou duramente a Europa. “A Europa é vassala. A Europa é uma vergonha”, afirmou.

Outro eixo central da entrevista foi a política de defesa nacional. Genoino defendeu uma profunda reformulação das Forças Armadas, com nova doutrina e subordinação efetiva ao poder civil. “Não basta só botar dinheiro. Simplesmente aumentar o orçamento sem discutir uma política é um equívoco”, disse. Para ele, é necessário abandonar a lógica do “inimigo interno” e reconhecer que as ameaças são externas. “Não é o inimigo interno, é o externo com todas as letras”, afirmou.

Ele defendeu investimentos em áreas estratégicas. “O Brasil tem que investir na guerra cibernética, no enriquecimento do urânio, na tecnologia do espaço aéreo”, disse, alertando para riscos à soberania, como a cessão da base de Alcântara e a gestão estrangeira de satélites brasileiros. Segundo Genoino, sem um projeto de desenvolvimento autônomo, não há política de defesa consistente.

Genoino também fez críticas à trajetória histórica das Forças Armadas, marcada, segundo ele, pela doutrina da tutela e pela formação voltada contra o próprio povo. “O conceito do povo como inimigo gerou um despreparo total para a verdadeira defesa da soberania nacional”, afirmou. Para ele, é urgente estabelecer uma nova doutrina de defesa nacional, alinhada às exigências de um mundo em crise.

Ao longo da entrevista, o ex-presidente do PT ressaltou que o Brasil vive uma disputa profunda. “É um Brasil em disputa”, afirmou, destacando que estão em jogo a democracia, os direitos do povo negro, das mulheres, dos povos originários, o desenvolvimento econômico e a soberania nacional. “Tudo tá em disputa, tudo escancarado”, disse.

Na avaliação final, Genoino afirmou que não há espaço para ilusões. “Não dá para esperar bons modos do capitalismo”, declarou. Para ele, o único caminho possível é o da luta política e social. “O caminho é o da luta, é o do protesto, é o da indignação, é o de organizar essas energias que tão dispersas”, afirmou, concluindo que a resistência ao imperialismo e à barbárie exige clareza, mobilização e enfrentamento permanente.

Fonte: Brasil 247

Sequestrado nos EUA, Maduro envia mensagem: “estamos bem, somos lutadores”

O presidente venezuelano enviou sua primeira mensagem após ter sido sequestrado no bombardeio em Caracas

Nicolás Maduro e Cilia Flores em Caracas, Venezuela - 17/5/2018 (Foto: REUTERS/Carlos Jasso)

O deputado Nicolás Ernesto Maduro Guerra, filho do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, sequestrado e preso pelos Estados Unidos, informou no sábado (10) que seu pai enviou uma mensagem por meio de seus advogados, na qual assegurou que tanto ele quanto sua esposa, a primeira-dama Cilia Flores, estão bem.

O presidente venezuelano enviou sua primeira mensagem após ter sido sequestrado no bombardeio dos EUA em Caracas, em 3 de janeiro. Naquele dia, a Venezuela foi alvo de uma operação militar em várias localidades dos estados Miranda, Aragua e La Guaira, além da capital, Caracas. A ação deixou mais de uma centena de mortos entre civis e militares, além de dezenas de feridos.

O parlamentar relatou que o presidente Nicolás Maduro Moros pediu a seus apoiadores que não caiam na tristeza e reafirmou sua condição de lutador diante da adversidade. Em um vídeo divulgado nas redes sociais, Maduro Guerra destacou que seu pai é “um homem que não conseguiram vencer por nenhum meio e tiveram de usar uma força desproporcional, mas não o venceram, ele está forte”.

Em 3 de janeiro, os Estados Unidos lançaram um ataque de grandes proporções contra a Venezuela, capturando Maduro e sua esposa, Cilia Flores, e levando-os para Nova York. Trump anunciou que Maduro e Flores enfrentariam julgamento por suposto envolvimento em “narco-terrorismo” e por representarem uma ameaça, inclusive aos Estados Unidos. Caracas solicitou uma reunião de emergência da ONU em razão da operação norte-americana. O Supremo Tribunal da Venezuela transferiu temporariamente as funções de chefe de Estado para a vice-presidente Delcy Rodríguez, que foi oficialmente empossada como presidente interina perante a Assembleia Nacional em 5 de janeiro.

Fonte: Brasil 247

EUA avaliam retirar novas sanções contra a Venezuela para ampliar comércio de petróleo

Secretário do Tesouro, Scott Bessent, diz que medida pode ocorrer já na próxima semana e envolver FMI e Banco Mundial

        Scott Bessent - 06/05/2025 (Foto: REUTERS/Jonathan Ernst)

Os Estados Unidos avaliam retirar novas sanções econômicas impostas à Venezuela já na próxima semana, como parte de uma estratégia para facilitar a retomada das vendas de petróleo do país sul-americano. A informação foi divulgada neste sábado (10) pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, as informações são da agência Reuters.

Segundo Bessent, a possível flexibilização das sanções ocorre após a retomada do comércio petrolífero entre os dois países, interrompido desde a ruptura das relações diplomáticas. Ele afirmou que o governo dos EUA estuda medidas para destravar mecanismos financeiros e comerciais que hoje dificultam a circulação de recursos provenientes da venda do petróleo venezuelano.

As sanções americanas em vigor proíbem bancos internacionais e credores de negociar com o governo da Venezuela sem autorização específica. De acordo com instituições financeiras, essas restrições são um dos principais entraves para a reestruturação da dívida venezuelana, estimada em cerca de US$ 150 bilhões, considerada essencial para atrair novamente capital privado ao país.

Em entrevista à Reuters, Scott Bessent afirmou que quase US$ 5 bilhões em ativos monetários da Venezuela, atualmente congelados no Fundo Monetário Internacional (FMI) na forma de Direitos Especiais de Saque (SDRs), poderiam ser utilizados para apoiar a reconstrução da economia venezuelana. O secretário também disse que o Tesouro dos EUA analisa mudanças para facilitar a repatriação das receitas obtidas com a venda de petróleo, que hoje permanecem, em grande parte, armazenadas em navios.

“Como podemos ajudar isso a voltar para a Venezuela, para manter o governo, os serviços de segurança e chegar ao povo venezuelano?”, afirmou Bessent à Reuters, sem detalhar quais medidas práticas estão em estudo.

De acordo com o secretário, ele pretende se reunir com autoridades do FMI e do Banco Mundial para discutir a retomada das relações comerciais com a Venezuela. Bessent afirmou ainda acreditar que empresas privadas menores tendem a retornar rapidamente ao setor de petróleo venezuelano, diante da perspectiva de flexibilização das restrições.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, defendeu que grandes companhias petrolíferas invistam pelo menos US$ 100 bilhões na Venezuela como forma de ampliar a influência americana na região. Executivos do setor, no entanto, demonstraram cautela. O CEO da ExxonMobil, Darren Woods, afirmou que o país é atualmente “ininvestível”. “Já tivemos nossos ativos confiscados lá duas vezes, então você pode imaginar que reentrar uma terceira vez exigiria mudanças bastante significativas”, declarou.

“Estamos confiantes de que, com esta administração e o presidente Trump, trabalhando lado a lado com o governo venezuelano, essas mudanças podem ser implementadas”, acrescentou Woods. Já o vice-presidente da Chevron, Mark Nelson, disse que a empresa permanece comprometida com investimentos na Venezuela, sendo atualmente a única grande petroleira dos EUA ainda em operação no país.

Após a retirada de Nicolás Maduro do poder, o comércio de petróleo entre EUA e Venezuela foi retomado sob forte controle americano. Segundo o Departamento de Energia dos EUA, toda a receita obtida com as vendas será inicialmente depositada em contas controladas pelo governo norte-americano em bancos reconhecidos internacionalmente.

“Contamos com o apoio financeiro das principais empresas de comercialização de commodities e bancos importantes do mundo para viabilizar e concretizar essas vendas de petróleo bruto e derivados”, informou o Departamento de Energia. De acordo com o órgão, os recursos ficarão sob controle dos EUA para “garantir a legitimidade e a integridade da distribuição final dos recursos”, que ocorrerá “em benefício do povo americano e do povo venezuelano, a critério do governo dos EUA”.

Na última terça-feira (6), Trump afirmou que os EUA refinariam e venderiam até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano retidos em razão do bloqueio imposto por Washington. Segundo o Departamento de Energia, as vendas começaram “imediatamente” e devem continuar por tempo indeterminado. O presidente afirmou que o petróleo será comercializado a preço de mercado e que os recursos serão controlados pelo governo americano.

“O petróleo será transportado por navios de armazenamento e levado diretamente a terminais de descarga nos Estados Unidos”, declarou Trump. O volume corresponde a aproximadamente dois meses da produção atual da Venezuela.

Desde dezembro, milhões de barris de petróleo venezuelano permanecem estocados em navios e tanques, sem possibilidade de exportação, em razão do bloqueio imposto pelos EUA. Nesta semana, autoridades americanas apreenderam um petroleiro vazio de bandeira russa, com ligações à Venezuela, no Oceano Atlântico, como parte da estratégia de controle do fluxo de petróleo na região.

Apesar de possuir as maiores reservas de petróleo do mundo, a Venezuela produz atualmente cerca de 1 milhão de barris por dia, volume bem abaixo do potencial do país, devido às sanções econômicas e à deterioração da infraestrutura do setor.

Fonte: Brasil 247 com informações da agência Reuters

Sidônio avalia 2025 como vitória política e propõe novo pacto social para 2026

Ministro sustenta que o projeto de governo ainda está em curso e que o enfrentamento aos privilégios é apenas o primeiro passo de um processo mais amplo

Brasília (DF), 27/08/2025 - O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, durante cerimônia de assinatura do decreto que regulamenta a TV 3.0 no no Palácio do Planalto (Foto: José Cruz/Agência Brasil)

O ano de 2025 foi marcado por desafios econômicos, tensões institucionais e disputas políticas, mas terminou com avanços sociais e econômicos que, segundo o governo federal, confirmam a consolidação de um novo projeto de país. A avaliação foi apresentada pelo Ministro da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom) Sidônio Palmeira em artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo, no qual defende que o período deve ser entendido como uma “travessia” rumo a um Brasil menos desigual e mais inclusivo.

No texto, Sidônio Palmeira afirma que a desigualdade social no Brasil não é fruto do acaso, mas resultado de um processo histórico. Ao recorrer às ideias do sociólogo Florestan Fernandes, o ministro sustenta que a concentração de privilégios foi estruturada ao longo dos séculos e que enfrentá-la exige decisão política e enfrentamento de interesses consolidados. Segundo ele, foi essa escolha que norteou a atuação do Governo do Brasil ao longo de 2025.

De acordo com o artigo, o governo enfrentou um ambiente adverso durante o ano, marcado por previsões econômicas negativas, instabilidade internacional, flutuações cambiais, disseminação de desinformação e tentativas de desestabilização institucional. Ainda assim, Sidônio Palmeira afirma que a gestão optou por não se deixar paralisar pelas crises e seguiu com a implementação de políticas públicas voltadas à população mais vulnerável.

Entre os resultados destacados, o ministro cita a preservação do regime democrático, o controle da inflação, a redução do desemprego a níveis historicamente baixos, o crescimento econômico acima da média mundial e a retirada do Brasil do Mapa da Fome. Ele também aponta o estímulo à economia real, a ampliação do crédito e o avanço da justiça tributária como fatores centrais para a retomada do crescimento com inclusão social.

No artigo, Sidônio Palmeira sustenta que o projeto de governo ainda está em curso e que o enfrentamento aos privilégios é apenas o primeiro passo de um processo mais amplo de desenvolvimento. Para ele, não há neutralidade possível diante da desigualdade social, e governar implica assumir um lado claro em favor da maioria da população.

O texto também enumera programas e políticas implementados ao longo de 2025, como Luz do Povo, Gás do Povo, Reforma Casa Brasil, Agora Tem Especialistas, CNH do Brasil e IR Zero, apresentados como exemplos de ações voltadas diretamente ao cotidiano da população. Segundo o ministro, essas iniciativas evidenciam a opção do governo por uma agenda social focada em renda, serviços públicos e qualidade de vida.

No campo internacional, Sidônio Palmeira destaca a realização da COP30 como um marco da reinserção do Brasil no debate climático global. Ele afirma que o país voltou a dialogar com o mundo a partir de uma perspectiva própria, defendendo que desenvolvimento econômico, preservação ambiental e soberania nacional são dimensões complementares de um mesmo projeto.

Ao projetar 2026, o ministro aponta como prioridade a aprovação do fim da escala de trabalho 6x1, sem redução salarial. Para ele, a medida é fundamental para garantir dignidade aos trabalhadores e fortalecer a democracia. Sidônio Palmeira argumenta que o direito ao tempo e à convivência familiar deve ser entendido como parte essencial de um modelo de desenvolvimento mais justo.

O artigo conclui que o novo ano representa uma oportunidade para aprofundar as transformações iniciadas, consolidando um projeto de país menos desigual, com inclusão social, defesa das riquezas nacionais e superação de heranças históricas. Segundo o ministro, o governo seguirá avançando com base em um posicionamento claro e no compromisso de não deixar parcelas da população para trás.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

Banco Central identifica 36 empresas em desvio bilionário no Banco Master


Autoridade monetária identificou supostos empréstimos fictícios que teriam permitido o desvio de R$ 11,5 bilhões por meio de fundos ligados à Reag

Segurança do lado de fora do Banco Master, após a prisão do acionista controlador do banco, Daniel Vorcaro, em São Paulo - 18 de novembro de 2025 (Foto: REUTERS/ Amanda Perobelli)

O Banco Central identificou indícios de um esquema financeiro envolvendo 36 empresas que teriam sido utilizadas para a concessão de empréstimos supostamente fictícios no Banco Master, permitindo o desvio de R$ 11,5 bilhões. Segundo a apuração, os recursos teriam circulado por uma complexa rede de fundos de investimento administrados pela Reag antes de retornar ao sistema financeiro, em operações que levantaram suspeitas de fraude e lavagem de dinheiro. As informações são do Valor Econômico.

As informações constam de uma comunicação enviada pelo Banco Central ao Ministério Público em 17 de novembro, na véspera da decretação da liquidação extrajudicial do Banco Master. A relação reúne, em sua maioria, empresas de pequeno porte, muitas delas recém-constituídas, com capital social reduzido e forte concentração no setor da construção civil, embora também apareçam companhias de segmentos como alimentos, hotelaria e comércio exterior.

De acordo com o relatório, parte dessas empresas apresenta características típicas de firmas sem operação efetiva, o que contrasta com os procedimentos tradicionais de concessão de crédito no sistema bancário, que costumam envolver análise detalhada de risco, histórico financeiro e relacionamento comercial. Além disso, o Banco Central destacou o caminho percorrido pelos recursos, considerado atípico e repetido em todos os casos analisados.

Segundo a autoridade monetária, os valores captados pelo Banco Master junto a depositantes, principalmente por meio de Certificados de Depósito Bancário (CDBs) — muitos deles com garantia do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) — teriam sido desviados ao longo de uma cadeia de empréstimos e investimentos. Após saírem do banco, os recursos retornavam como novas aplicações em CDBs, agora em nome de fundos considerados “laranjas”, ligados a integrantes do suposto esquema.

Um dos casos citados é o da Brain Realty Consultoria e Participações, que teria tomado um empréstimo de R$ 449,36 milhões. Após a liberação do crédito, a empresa teria direcionado os recursos principalmente para os fundos D Mais e Bravo, ambos administrados no âmbito da Reag. O Banco Central estima que o valor médio supostamente desviado por empresa que transitou por esses fundos foi de R$ 288 milhões, sendo que o menor aporte identificado foi de R$ 57 milhões.

Os fundos D Mais e Bravo, por sua vez, aplicavam os recursos em outros veículos da própria Reag, onde ocorreria efetivamente o desvio, segundo o relatório. Um dos principais instrumentos citados é o FIDC High Tower, que comprava títulos conhecidos como cártulas do antigo Banco do Estado de Santa Catarina (Besc), incorporado pelo Banco do Brasil em 2008. Esses papéis, com baixa liquidez, teriam sido adquiridos por valores reduzidos e posteriormente reavaliados nos balanços por montantes muito superiores.

O Banco Central aponta que um conjunto dessas cártulas foi comprado pelo fundo High Tower por cerca de R$ 850 milhões e depois reavaliado para R$ 10,8 bilhões. A diferença de preços teria sido apropriada como lucro pelo suposto esquema. Em decorrência de operações desse tipo, o fundo chegou a informar um retorno anual de mais de 10,5 milhões por cento em 2024, o que resultou em um ganho financeiro de R$ 10,502 bilhões no período, mesmo após amortizações relevantes.

Após o desvio, teria início um processo de lavagem de dinheiro, com sucessivos reinvestimentos em fundos exclusivos ligados à Reag, até que os valores chegassem a beneficiários finais apontados como laranjas. No relatório enviado ao Ministério Público, o Banco Central detalha transferências, coincidência de valores e a sincronização de datas e horários das movimentações. No caso da Brain Realty, o rastreamento indicou que o dinheiro acabou retornando ao Banco Master na forma de aplicação em CDB.

A autoridade monetária destacou ainda seis fundos com participação relevante nessas operações: Astralo 95, Reag Growth 95, Hans 95, Maia 95 e Anna. A Reag já havia sido mencionada na Operação Carbono Oculto, deflagrada em agosto de 2025, que investigou o uso de fundos de investimento para ocultação e lavagem de recursos atribuídos ao PCC.

Esse é um dos dois grandes conjuntos de irregularidades comunicados pelo Banco Central ao Ministério Público. Em outro relatório, encaminhado em julho de 2025, o órgão apontou supostas fraudes na venda de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito do Banco Master ao Banco de Brasília (BRB), envolvendo operações que, segundo as apurações, não existiam. O Banco Central afirma ter identificado ligações entre os dois esquemas, inclusive pedidos de aumento de capital com recursos provenientes de contas consideradas laranjas.

No documento encaminhado ao Ministério Público, o Banco Central solicitou o congelamento de R$ 11,5 bilhões em ativos para tentar recuperar os valores supostamente desviados, com o objetivo de ressarcir credores da massa falida do Banco Master, como o FGC e fundos de pensão de entidades públicas.

Procurada, a Reag afirmou, em nota, que não é alvo da Operação Compliance Zero e declarou que “os fundos mencionados são produtos regulados, auditados e supervisionados pela CVM e pelo Banco Central”, acrescentando que “todos os aportes são obrigatoriamente homologados pelo BC, que checa a origem dos recursos e a capacidade econômica de quem faz o aporte”.

Já a defesa de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master, informou que “não foi solicitado o envio de nenhuma das três operações mencionadas (Carbono Oculto, Quasar ou Tank) ao Supremo Tribunal Federal (STF)”. Segundo a nota, “o pedido feito à Justiça teve como único objetivo apurar a procedência de notícias que associavam, de forma indevida, Daniel Vorcaro e o Banco Master a essas operações”, ressaltando que decisões judiciais teriam afirmado não haver relação entre o controlador, o banco e os casos citados.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal Valor Econômico

Lewandowski enfrentou o crime organizado, diz Gilmar Mendes

Ministro do STF elogia atuação no Ministério da Justiça, citando operações da PF e propostas legislativas voltadas à segurança pública

       Lewandowski enfrentou o crime organizado, diz Gilmar Mendes (Foto: STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes usou as redes sociais para elogiar a atuação de Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública. Na avaliação do decano da Corte, a gestão foi marcada pelo fortalecimento das ações de enfrentamento ao crime organizado e pela valorização do Estado de Direito como eixo central da política de segurança pública.

No texto publicado no X, o ministro ressaltou que a condução da pasta por Lewandowski se baseou em planejamento estratégico, inteligência policial e cooperação institucional. “A atuação do Ministro Ricardo Lewandowski à frente do Ministério da Justiça foi marcada pelo fortalecimento do enfrentamento ao crime organizado, ancorado em planejamento, inteligência policial e cooperação entre instituições”, escreveu.

Gilmar também destacou o papel da Polícia Federal durante o período em que Lewandowski esteve no comando do ministério. Segundo ele, foram realizadas operações de grande impacto contra facções criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro, com atenção especial ao setor de combustíveis. “Durante sua gestão, a Polícia Federal conduziu operações de grande relevância contra facções criminosas e esquemas de lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis, como as operações Tank, Quasar e Carbono Oculto”, afirmou.

De acordo com o ministro do STF, essas ações tiveram como foco atingir a base financeira das organizações criminosas. “Atingindo diretamente as engrenagens econômicas que sustentam o crime organizado”, registrou Gilmar Mendes na publicação.

No campo institucional, o decano do Supremo citou propostas legislativas apresentadas durante a passagem de Lewandowski pelo Ministério da Justiça, como a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança Pública e o projeto de lei conhecido como PL Antifacção. “No plano institucional, sua passagem pelo Ministério será lembrada pela apresentação da PEC da Segurança Pública e do projeto de lei antifacção, iniciativas voltadas ao fortalecimento da coordenação federativa e ao aprimoramento dos instrumentos de combate ao crime organizado”, escreveu.

Ao concluir a manifestação, Gilmar Mendes fez um reconhecimento pessoal ao ex-ministro. “Registro meu reconhecimento ao Ministro Ricardo Lewandowski pelos relevantes serviços prestados ao país”, afirmou.

Ricardo Lewandowski foi exonerado do Ministério da Justiça em 9 de janeiro de 2026. Ele assumiu o cargo após se aposentar do STF, onde atuou por mais de 17 anos, e passou a integrar o primeiro escalão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva depois de deixar a Corte.

Fonte: Brasil 247

Tio de Suzane von Richthofen é encontrado morto em São Paulo e polícia se pronuncia

Miguel morava sozinho em uma casa na Rua Baronesa de Bela Vista e foi encontrado na tarde de sexta-feira

       Polícia investiga como suspeita a morte do tio de Suzane von Richthofen (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil de São Paulo investiga como morte suspeita o falecimento de Miguel Abdalla Netto, de 76 anos, tio de Suzane von Richthofen, encontrado sem vida em sua residência no bairro do Campo Belo, na zona sul da capital paulista. O corpo será submetido a exames necroscópicos e toxicológicos no Instituto Médico Legal (IML), e a cremação foi suspensa até que a causa da morte seja esclarecida.

As informações foram divulgadas inicialmente pelo jornalista Ullisses Campbell, no jornal O Globo, em reportagem publicada no dia 10 de janeiro de 2026. Segundo o registro policial, o caso foi classificado como morte suspeita em razão das circunstâncias em que o corpo foi localizado e da ausência, até o momento, de uma causa definida para o óbito.

Miguel morava sozinho em uma casa na Rua Baronesa de Bela Vista e foi encontrado na tarde de sexta-feira (9) por um vizinho, João Batista da Silva, proprietário de uma empresa de construção ao lado do imóvel. De acordo com o boletim de ocorrência, o vizinho estranhou o fato de não ter visto Miguel por cerca de dois dias e decidiu verificar a situação. Ele usou uma escada para observar o interior da casa e avistou o corpo no quarto do andar superior, sentado no chão, com as costas apoiadas na cama. Em seguida, acionou a Polícia Militar pelo telefone 190.O Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) foi chamado e chegou ao local às 16h40.

A morte foi constatada três minutos depois. O relatório aponta a presença de rigor mortis e livor mortis, o que indica que o falecimento havia ocorrido horas antes da descoberta. Não havia sinais aparentes de violência no corpo ou no interior da residência, que foi preservada para a realização de perícia técnica.Um dia antes de o corpo ser encontrado, a diarista que prestava serviços a Miguel esteve no local, mas não conseguiu contato. Ela bateu no portão, tocou a campainha e enviou mensagens, sem obter resposta. Imagens de câmeras de segurança de uma empresa vizinha mostram Miguel entrando em casa no dia 7 de janeiro, às 17h10. Desde então, ele não foi mais visto saindo do imóvel.Mesmo sem indícios visíveis de crime, a autoridade policial determinou a realização de perícia no local e requisitou exames detalhados no IML para afastar ou confirmar a hipótese de envenenamento ou outras causas não naturais. O caso foi registrado no 27º Distrito Policial do Campo Belo, que conduz as investigações.

Miguel Abdalla Netto era médico e irmão de Marísia von Richthofen, assassinada em 2002 junto com o marido, Manfred von Richthofen, em um crime que chocou o país. Após a morte da irmã, Miguel tornou-se tutor de Andreas von Richthofen, então com 14 anos, que passou a morar com o tio até atingir a maioridade.Desde o assassinato dos pais, Miguel rompeu relações com Suzane e passou a ter conflitos frequentes com Andreas. Foi ele quem ingressou com a ação judicial que declarou Suzane indigna de receber parte da herança dos pais, estimada em quase R$ 10 milhões, fazendo com que Andreas herdasse a totalidade dos bens. À época, o irmão mais novo chegou a defender a divisão do patrimônio, mas, anos depois, afirmou em juízo que havia sido manipulado pela irmã.

Com a morte de Miguel, a sucessão de seu patrimônio — que inclui a casa no Campo Belo e um sítio no litoral paulista — pode abrir uma nova disputa familiar. Caso não existam filhos, pais vivos ou cônjuge com direito à herança, Andreas e Suzane von Richthofen podem entrar na linha sucessória, embora a definição dependa da situação civil de Miguel, da existência de outros herdeiros legais e do esclarecimento da causa da morte.A polícia aguarda agora os laudos periciais para determinar se o óbito decorreu de causas naturais ou se há elementos que indiquem a prática de crime. Até a conclusão dos exames, o caso segue sob investigação.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

Janja publica vídeo com Lula na praia e presidente faz metáfora sobre união

Após o período de recesso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou oficialmente suas agendas institucionais na última quarta-feira, dia 7
Em vídeo publicado pela primeira-dama em Restinga da Marambaia, no Rio de Janeiro, presidente diz que "ondas vindas da direita e da esquerda se juntam para construir o mar" (Foto: Reprodução)

A primeira-dama Janja da Silva publicou nas redes sociais um vídeo ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) durante o período de descanso do casal na Restinga da Marambaia, no litoral do Rio de Janeiro. Na gravação, Lula aparece observando o mar e utiliza o fenômeno das ondas cruzadas como metáfora para defender a convivência entre diferentes campos políticos.

No vídeo, o presidente explica que as ondas que se encontram no local vêm de direções distintas e se unem no mar aberto. A partir dessa imagem, Lula faz um comentário de cunho político. “Essa é uma demonstração extraordinária até para acabar com o preconceito entre esquerda e direita. Aqui, a onda que vem da direita se junta com a onda que vem da esquerda e constrói o mar”, afirma.

Na legenda da publicação, Janja destaca que o período na praia teve como objetivo recuperar as energias antes do início de um novo ano de trabalho. A primeira-dama afirma que o casal presidencial entra em 2026 motivado e disposto a enfrentar os desafios do próximo período. “Temos muito trabalho pela frente. Com disposição, diálogo e Brasil no coração, seguiremos juntos, cuidando do nosso país”, escreveu.

Lula e Janja passaram cerca de uma semana na Restinga da Marambaia durante o recesso de ano novo. A área, localizada na zona oeste do Rio de Janeiro, abriga um centro de treinamento da Marinha do Brasil e tem acesso restrito por se tratar de uma região militar, protegida pelas Forças Armadas.

Historicamente, a Restinga da Marambaia já foi utilizada por outros presidentes da República como local de descanso justamente por oferecer privacidade e segurança. O espaço é considerado estratégico e isolado, o que limita a circulação de civis.

Após o período de recesso, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retomou oficialmente suas agendas institucionais na última quarta-feira, dia 7, dando início às atividades do governo em 2026.


Fonte: Brasil 247

Foragido nos EUA, Eduardo Bolsonaro aluga veículo em Brasília e pede reembolso


         O ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP). Foto: Aquivo pessoal

Em março de 2025, Eduardo Bolsonaro, ex-deputado federal pelo PL-SP, foi responsável por alugar um carro do modelo Jeep Commander em Brasília, mesmo estando autoexilado nos Estados Unidos desde fevereiro do mesmo ano. O aluguel custou R$ 8 mil, dos quais R$ 5.333,34 foram reembolsados pela Câmara dos Deputados, conforme os dados oficiais. A controvérsia gerou questionamentos, já que a nota foi emitida após a sua mudança para o exterior. Com informações do Metrópoles.

Além do aluguel do carro, Eduardo Bolsonaro também obteve reembolso de uma despesa com abastecimento de combustível no valor de R$ 195,68, com uma nota datada de 9 de março de 2025. Outras despesas no total de R$ 642,09 também foram reembolsadas, totalizando R$ 15.615,82 em gastos durante o mês. As despesas incluíam custos com manutenção de escritório de apoio à atividade parlamentar, telefonia, táxi, pedágio e combustível.

Nota fiscal de prestação de serviço. Foto: Reprodução/Câmara dos Deputados


O valor total das despesas foi pago pela cota parlamentar, que cobre gastos relacionados à atividade do mandato, como viagens, locação de veículos e manutenção de escritórios. O uso desse recurso é regulamentado e fiscalizado, mas não está claro se as despesas, como o aluguel e abastecimento do veículo, foram feitas por outra pessoa em nome do ex-deputado.

Eduardo Bolsonaro foi cassado de seu cargo em setembro de 2025, após acumular faltas frequentes na Câmara dos Deputados. Ele estava em licença inicialmente, mas quando tentou retomar a função à distância, seu pedido foi barrado. O parlamentar então passou a acumular faltas, o que resultou na cassação de seu mandato, conforme determina a Constituição, que prevê a perda do cargo para parlamentares ausentes em um terço das sessões.

Os gastos e a forma como foram realizados despertaram novas críticas em relação à gestão das cotas parlamentares, especialmente em casos de parlamentares que estão fora do país. A assessoria de Eduardo Bolsonaro foi contatada pela reportagem, mas não obteve resposta até o momento da publicação.

Desde sua saída do cargo, a Câmara dos Deputados parou de divulgar informações sobre a cota parlamentar, dificultando a transparência dos gastos realizados com recursos públicos. Embora o uso de recursos para atividades do mandato seja regulamentado, situações como esta levantam questionamentos sobre os controles financeiros e as possíveis distorções no uso das cotas parlamentares.

Fonte: DCM

sábado, 10 de janeiro de 2026

Ipea projeta crescimento do PIB, investimentos e exportações com acordo Mercosul–UE

Segundo o estudo, Brasil teria crescimento proporcional maior que UE e parceiros

           Bandeira do Brasil e Mercosul (Foto: Marcos Oliveira/Agência Senado)

Um estudo do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que a entrada em vigor do acordo de livre comércio entre o Mercosul e a União Europeia, aprovado nesta sexta-feira (9), tende a gerar efeitos positivos relevantes para a economia brasileira ao longo das próximas décadas. As estimativas apontam impactos favoráveis sobre o Produto Interno Bruto (PIB), os investimentos e a balança comercial do país. As informações são do InfoMoney.

De acordo com o levantamento, entre 2024 e 2040, o acordo poderá resultar em um crescimento acumulado de 0,46% no PIB brasileiro, o que corresponde a cerca de US$ 9,3 bilhões a preços constantes de 2023, em comparação com um cenário sem o tratado.

Os resultados mostram que, em termos relativos, o Brasil seria o principal beneficiado dentro do Mercosul. No mesmo intervalo de tempo, o PIB da União Europeia teria aumento estimado de apenas 0,06%, enquanto os demais países do bloco sul-americano registrariam crescimento de 0,20%.

● Base das projeções

Os pesquisadores utilizaram dados e projeções do Fundo Monetário Internacional referentes ao período de 2014 a 2026 e, a partir desse ponto, estenderam até 2040 as taxas de crescimento observadas no último ano da série. O estudo ressalta que as simulações foram elaboradas no início de 2024, antes das alterações mais recentes no texto do acordo, que ampliaram salvaguardas e mecanismos de proteção ao mercado europeu, sobretudo no setor agrícola.

● Impactos sobre investimentos

No campo dos investimentos, o acordo Mercosul–UE poderia elevar o volume investido no Brasil em 1,49% em relação ao cenário de referência. Mais uma vez, o resultado brasileiro supera o estimado para a União Europeia, de 0,12%, e para os demais países do Mercosul, de 0,41%.

Segundo o Ipea, esse desempenho está associado ao maior grau de diversificação da economia brasileira, o que permite absorver benefícios mais amplos em diferentes setores a partir da redução de barreiras comerciais.

● Balança comercial

O estudo projeta ainda um ganho líquido de US$ 302,6 milhões para o Brasil na balança comercial. Nos outros países do Mercosul, o saldo positivo seria de US$ 169,2 milhões. Já a União Europeia apresentaria uma perda estimada de US$ 3,44 bilhões, como resultado combinado das reduções tarifárias e das concessões de cotas de exportação previstas no acordo.

As simulações detalham a evolução das trocas comerciais ao longo do tempo. As importações brasileiras tenderiam a crescer de forma mais intensa nos primeiros anos de vigência do tratado, alcançando um pico de US$ 12,8 bilhões em 2034, antes de recuar para US$ 11,3 bilhões em 2040.

As exportações do Brasil, por sua vez, avançariam de maneira contínua, atingindo um ganho acumulado de US$ 11,6 bilhões ao final do período analisado. Esse movimento decorre da redução das tarifas de importação na União Europeia, do aumento das quantidades exportadas em setores beneficiados por cotas e da queda no custo interno de insumos e bens de capital, que tende a elevar a competitividade dos produtos brasileiros.

● Efeitos setoriais

Para a União Europeia, o estudo aponta que as importações cresceriam mais rapidamente nos primeiros anos do acordo e seguiriam em ritmo mais moderado posteriormente, alcançando ganho de 0,16% em 2040. As exportações também aumentariam, mas permaneceriam abaixo do crescimento das importações, encerrando o período com alta de 0,12%.

Nos demais países do Mercosul, as importações cresceriam nos primeiros dez anos, atingindo variação de 1,10% em 2034, antes de recuar para 0,92% em 2040. As exportações desses países cairiam nos primeiros seis anos, mas depois inverteriam a trajetória, chegando a crescimento de 0,97% ao final do horizonte analisado.

● Leitura técnica sobre os resultados

Segundo Fernando Ribeiro, técnico de planejamento e pesquisa do Ipea e um dos autores do estudo, "o benefício que o Brasil teria com o acordo é maior que o dos parceiros do Mercosul porque a economia brasileira é mais diversificada e teria ganhos mais extensos em termos setoriais". Ele acrescentou que a diferença em relação à União Europeia é esperada, uma vez que se trata de uma economia significativamente maior.

As simulações também indicam efeitos relevantes sobre a produção e o emprego no Brasil. A maior parte dos setores do agronegócio apresentaria ganhos com o acordo, enquanto eventuais perdas ficariam concentradas em segmentos industriais específicos, como veículos e autopeças, metais ferrosos, vestuário, têxteis, produtos farmacêuticos, máquinas, equipamentos e eletrônicos.

Fonte: Brasil 247 com informações do InfoMoney

O reencontro entre o sobrevivente da montanha no PR e a jovem que o abandonou

Roberto Farias Tomaz e Thayane Smith em reportagem do Fantástico – Reprodução/TV Globo

O programa “Fantástico”, exibido neste domingo (11), vai mostrar o reencontro entre Roberto Farias Tomaz, de 19 anos, e Thayane Smith, também de 19, após o jovem passar cinco dias perdido em uma trilha no Pico Paraná. Os dois participam de uma entrevista que relembra o ocorrido durante a caminhada.

Em um trecho divulgado pela TV Globo, Thayane pede desculpas a Roberto por tê-lo deixado para trás durante a trilha. “Primeiramente, desculpa. Desculpa por ter deixado você para trás”, afirma a jovem no programa dominical.

Roberto foi localizado com vida na manhã de segunda-feira (5), após enfrentar baixas temperaturas e permanecer vários dias sem alimentação adequada. Segundo o relato apresentado na reportagem, o período em que esteve desaparecido também coincidiu com a retomada do contato entre familiares do jovem após o resgate.

Fonte: DCM

Automática e gratuita: como renovar a CNH para “bons condutores”

         Motorista visualizando CNH pelo aplicativo no celular. Foto: Marcello Casal Jr/ Agência Brasil

Desde janeiro de 2026, motoristas de todo o Brasil passaram a contar com uma nova possibilidade na renovação da Carteira Nacional de Habilitação. A mudança permite a renovação automática e gratuita da CNH digital para condutores que atendem a critérios específicos definidos pelo governo federal.

A medida vale em todo o país e foi implementada a partir das novas regras da CNH do Brasil. O benefício é direcionado aos chamados “bons condutores” e não se aplica a motoristas com 70 anos ou mais, nem à emissão da versão física do documento.

Para ter acesso à renovação automática, o condutor não pode ter acumulado pontos na CNH nem registrado infrações de trânsito nos 12 meses anteriores ao vencimento do documento. Além disso, é obrigatório estar inscrito no Registro Nacional Positivo de Condutores, o RNPC.

O cadastro no RNPC é voluntário e pode ser feito pelo aplicativo CNH Brasil. O motorista deve acessar a área do condutor, entrar na opção Cadastro Positivo e autorizar a participação. Somente após essa autorização o sistema permite a renovação automática da habilitação digital.

As novas regras não eliminam a necessidade de solicitação da CNH física para quem deseja manter o documento impresso. Nesse caso, o pedido deve ser feito separadamente, pelo aplicativo ou em uma unidade do Detran do estado de residência, com cobrança de taxa.

O valor para emissão da versão física varia conforme o estado. Em São Paulo, a taxa é de R$ 122,17. Em Alagoas, o custo chega a R$ 144,12. No Acre, o valor cobrado é de R$ 89,75. A gratuidade se restringe à versão digital da CNH.

Nem todos os motoristas aptos à renovação estão incluídos automaticamente no benefício. Condutores com mais de 50 anos podem utilizar a renovação automática apenas uma vez. Também ficam de fora aqueles que têm validade reduzida da CNH por recomendação médica.

A renovação gratuita faz parte de um conjunto mais amplo de mudanças trazidas pela medida provisória que criou a CNH do Brasil. A iniciativa busca modernizar o sistema de habilitação, reduzir custos e simplificar etapas tanto para novos condutores quanto para quem já possui o documento.

Fonte: DCM

Assassinato em academia de Londrina foi crime passional, diz polícia

 

David Schmidt Prado foi assassinado em academia do PR após emboscada em estacionamento. Foto: Reprodução
O delegado Magno Miranda, da Polícia Civil (PC-PR), confirmou que o relacionamento entre David Schmidt Prado e a esposa de Lucas Wancler Ferreira dos Santos ocorreu quatro meses antes do assassinato. Segundo o depoimento da mulher, ela e Lucas estavam em processo de separação e morando em casas diferentes, mantendo contato apenas sobre os filhos. David e a mulher não estavam mais se encontrando quando o crime aconteceu.

Na segunda-feira (5), Lucas esfaqueou David ao menos cinco vezes em uma academia em Londrina, no norte do Paraná. As câmeras de segurança registraram o ataque. A mulher afirmou que contou a Lucas sobre o breve relacionamento, e os dois homens chegaram a conversar por telefone, mas não se encontraram. O delegado afirmou: “Segundo o que a gente colheu de relato de testemunhas, a motivação está diretamente ligada [ao relacionamento]”, classificando o caso como revolta.

Miranda disse que “a autoria é incontestável” e avalia que Lucas planejou o ataque ao esperar a vítima com uma faca. O crime é tratado como homicídio qualificado por meio cruel e dificuldade de defesa da vítima. Lucas permaneceu em silêncio no depoimento e na audiência de custódia e teve a prisão preventiva decretada.

Fonte: DCM