O ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), e o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG). Foto: Reprodução
Eles estão vendo sangue na água. E aproveitam para morder como podem. É o que sinalizam senadores que já articulam nos bastidores a abertura de um processo de impeachment contra Dias Toffoli. Por tabela, discutem um acordo político que inclui a indicação de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para uma eventual vaga no Supremo Tribunal Federal (STF). A movimentação, segundo apuração do repórter Renato Souza, setorista do Judiciário em Brasília, ganhou força em meio à crise envolvendo o ministro.
A articulação inclui uma tentativa de acordo com o Palácio do Planalto: o governo apoiaria o afastamento de Toffoli e, em contrapartida, indicaria Pacheco para o Supremo, com aprovação célere no Senado.
O cenário se agrava porque já há um aditamento ao pedido de impeachment apresentado por Magno Malta (PL-ES), Eduardo Girão (Novo-CE) e Damares Alves (Republicanos-DF), que alegam crime de responsabilidade com base no relatório da Polícia Federal e na relação patrimonial da família do ministro com o Banco Master.
A negociação política em curso
A proposta busca atender a diferentes interesses. Para parlamentares da oposição e parte do Centrão, o afastamento de um ministro do STF representaria reação aos chamados “excessos judiciais”. Já para o governo, a eventual indicação de Rodrigo Pacheco seria vista como gesto de pacificação com o Congresso, dado o perfil institucional atribuído ao ex-presidente do Senado.
Embora Pacheco tenha declarado, no fim de 2025, que a ida ao Supremo era uma “página virada”, seu nome continua sendo defendido por lideranças da Casa, entre elas Davi Alcolumbre (União-AP).
Nos bastidores, avalia-se que sua indicação também poderia destravar a sabatina de Jorge Messias, indicado para a vaga aberta com a saída de Luís Roberto Barroso.
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), e o advogado-geral da União, Jorge Messias. Foto: Reprodução
Pressão sobre o STF
No Supremo, a crise se intensifica. O presidente do STF, Edson Fachin, está com o relatório da Polícia Federal que menciona Toffoli, mas ainda não se manifestou sobre eventual encaminhamento. A definição sobre suspeição pode ganhar novo peso diante da pressão política.
Toffoli sustenta que as acusações são “ilações” e afirma que a Polícia Federal não tem legitimidade para questionar sua imparcialidade.
No entanto, a movimentação no Senado — onde são necessários 54 votos para aprovar um impeachment — desloca o debate do campo exclusivamente jurídico para o terreno político, ampliando a crise em torno do ministro.
Fonte: DCM
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