Presidente da Câmara afirma que aumento seguiu critérios fiscais, elogia decisão de Flávio Dino que suspendeu penduricalhos e rejeita críticas
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), defendeu nesta terça-feira (10) o uso de emendas parlamentares e o reajuste aprovado para servidores do Legislativo. Durante participação na CEO Conference Brasil 2026, evento promovido pelo banco BTG Pactual, ele afirmou que a decisão seguiu critérios fiscais e respeitou os limites orçamentários estabelecidos para este ano. No painel, segundo a Folha de São Paulo, Motta tratou do reajuste de salários, do debate sobre penduricalhos no funcionalismo e das críticas recorrentes sobre transparência na execução das emendas parlamentares.
☉ Rejeição às críticas sobre reajuste de servidores
No encontro, que reuniu autoridades e representantes do setor econômico para discutir as prioridades do Congresso Nacional, Motta rebateu avaliações de que projetos aprovados pela Câmara representariam benefícios indevidos a servidores do Legislativo. Ele se referiu especificamente a propostas que criam novas gratificações e mecanismos que permitem remuneração acima do teto do funcionalismo. “Não foi um trem da alegria”, diz Hugo Motta
Ao comentar as críticas que circularam após a aprovação de medidas relacionadas ao funcionalismo legislativo, o presidente da Câmara afirmou que houve distorção na forma como o tema foi apresentado ao público. “Não foi um trem da alegria como foi passado para a sociedade”, declarou.
☉ Reajuste de 8% e alinhamento com o Judiciário
Motta também defendeu o reajuste de 8% para os salários do Legislativo em 2026, afirmando que o índice foi definido de forma alinhada ao percentual concedido ao Judiciário. Segundo ele, a decisão respeitou o orçamento disponível e evitou qualquer aumento real de despesas. “Aprovamos o reajuste do Judiciário e mantivemos a mesma taxa para o Legislativo. A Câmara teve critério e não ultrapassou o orçamento destinado para este ano”, afirmou.
☉ Elogio a Flávio Dino e debate sobre penduricalhos
O presidente da Câmara comentou ainda a decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que suspendeu penduricalhos não previstos em lei. Motta avaliou que a iniciativa foi correta. “Foi uma escolha muito feliz”, disse.
☉ Defesa das emendas parlamentares e promessa de transparência
No mesmo painel, Hugo Motta também saiu em defesa das emendas parlamentares, instrumento frequentemente criticado por falta de transparência e problemas na execução de recursos. Para ele, as emendas são essenciais para levar investimentos a regiões mais distantes e atender demandas locais.
“São um instrumento fundamental para o progresso do Brasil, especialmente nos rincões do país. Estamos cumprindo integralmente os compromissos firmados com os outros Poderes no que diz respeito à transparência”, declarou.
Ele também afirmou que o Congresso não pode ser responsabilizado por falhas na aplicação dos recursos após sua liberação. “O Legislativo não pode ser criminalizado pela má execução dessas emendas”, acrescentou.
☉ Eleições de 2026 e cautela sobre apoio presidencial
Questionado sobre a eleição presidencial de 2026, Motta afirmou que não pretende declarar apoio antecipado a qualquer candidato. Ele disse que precisa manter equilíbrio político, considerando que sua eleição para a presidência da Câmara teve apoio de diferentes partidos.
“Tive o suporte de praticamente todos os partidos da Casa, então preciso ter muito equilíbrio para declarar meu apoio a quem quer que seja. Ao mesmo tempo, acredito que política se faz com posicionamento, e o meu será feito quando as candidaturas estiverem melhor desenhadas”, afirmou.
☉ Motta cita cenário em SP e menciona Tarcísio
O presidente da Câmara também comentou o cenário político em São Paulo e indicou que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) deve buscar a reeleição em 2026. Segundo Motta, havia sinalização de que o governador poderia ser pré-candidato à Presidência, mas o quadro teria mudado.
“Havia toda uma sinalização para que Tarcísio fosse pré-candidato de Jair Bolsonaro à Presidência. Com a indicação do senador Flávio, tudo indica que ele concorra novamente ao governo de São Paulo e continue fazendo seu excelente trabalho no estado de São Paulo”, afirmou.
☉ Resistência a novos impostos após aumento do IOF
Na área econômica, Hugo Motta afirmou que o Congresso, apesar de em alguns momentos ter acompanhado orientações do Executivo, vive hoje um ambiente político resistente a novas propostas de aumento de impostos. Ele mencionou, em especial, o impacto político do aumento do IOF em 2025.
“Em diversos aspectos o Congresso respondeu, dentro do possível, às orientações do Executivo. No entanto, o ambiente da Câmara é claramente avesso à agenda de impostos, sobretudo depois do aumento do IOF em 2025”, disse.
☉ Taxação de grandes fortunas volta ao debate
Ao ser questionado sobre a taxação de grandes fortunas, Motta avaliou que o tema costuma ressurgir em anos eleitorais, mas não tem sido efetivamente priorizado pelo governo federal. “É um tema recorrente em ano eleitoral, mas é uma pauta que o próprio governo não tem priorizado”, afirmou.
Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo
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