Mônica Benício classifica decisão como "vitória simbólica" e diz que nenhuma indenização repara perda
A 29ª Vara Cível do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro condenou Ronnie Lessa e Élcio Vieira de Queiroz, assassinos da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, a indenizar por danos morais a viúva da parlamentar, Mônica Benício. A decisão fixou o valor em R$ 200 mil e determinou o pagamento de pensão equivalente a dois terços da remuneração que Marielle receberia durante a expectativa de permanência no cargo, além de 13º salário e férias. Segundo o G1, a sentença também estabeleceu o bloqueio de todos os bens dos condenados.
Mônica Benício classificou a decisão como uma "vitória simbólica", ao reconhecer a interrupção do projeto de vida construído com Marielle. "Não há indenização que possa reparar eu ter perdido o amor da minha vida. Mais do que condenar indivíduos, a Justiça por Marielle e Anderson só existirá quando a paz for soberana e a vida de todas as brasileiras e brasileiros for plena. É por essa sociedade que Marielle dedicou sua vida. É em respeito a esse sonho, que hoje carrego comigo o seu legado", disse.
Defesa pede aumento da indenização
O escritório João Tancredo Advogados, responsável pela defesa de Mônica Benício, informou que vai recorrer para pedir o aumento da indenização por danos morais. Segundo os advogados, a sentença teria sido branda. "Entendemos, todavia, que a sentença foi generosa com os réus na fixação dos danos morais em R$ 200 mil, considerando a gravidade do caso e o dano causado à viúva, além de não observar o princípio pedagógico-punitivo previsto na legislação, que orienta a valoração do dano moral, em caso de morte, em patamares bem superiores ao fixado".
A defesa também apontou que decisões semelhantes costumam fixar valores maiores. "Nenhum valor compensa a perda sofrida, mas não se pode deixar de destacar que, em casos semelhantes, a Justiça tem arbitrado valores em torno de R$ 1 milhão."
Como foi o crime
A vereadora Marielle Franco foi assassinada em 2018, dentro de um carro na Rua Joaquim Palhares, no bairro do Estácio, na região central do Rio de Janeiro. O motorista Anderson Pedro Gomes também foi morto no ataque. A assessora Fernanda Chaves, que estava no banco traseiro, ficou ferida por estilhaços e sobreviveu.
Os criminosos estavam em um carro modelo Cobalt prata e seguiram o veículo de Marielle desde a Casa das Pretas, na Lapa, por cerca de quatro quilômetros. A dupla se aproximou do carro e efetuou os disparos antes de fugir. Marielle foi atingida por quatro tiros, sendo três na cabeça e um no pescoço. Anderson foi baleado três vezes nas costas.
Ronnie Lessa e Élcio Queiroz foram presos, em março de 2019, dois dias antes de o crime completar um ano, durante operação conduzida pela Divisão de Homicídios da Polícia Civil com apoio do Ministério Público. Em março de 2024, os irmãos Domingos Brazão e Chiquinho Brazão foram presos apontados como mandantes do assassinato. O delegado Rivaldo Barbosa também foi preso, suspeito de participação no planejamento do crime e de interferência nas investigações.
Fonte: Brasil 247 com informações do G1
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