quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Caso Master vem de gestões anteriores do BC, afirma diretor-geral da PF


                         O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues. Foto: Divulgação

O diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, afirmou nesta terça-feira (10) que o caso envolvendo o Banco Master teve origem em gestões anteriores do Banco Central, mas passou a ser efetivamente enfrentado na atual administração. Segundo ele, o avanço das investigações só foi possível graças à atuação integrada entre instituições e ao envio formal de informações à Polícia Federal.

A declaração foi dada durante entrevista coletiva sobre o balanço das gestões da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal. Rodrigues destacou que a apuração ganhou força a partir da cooperação entre os órgãos e da decisão da atual direção do Banco Central de levar os dados às autoridades policiais.

“E isso foi possível graças a essa integração, essa parceria, essa cooperação, graças à coragem também do presidente [Gabriel Galípolo], de enfrentar um problema que já vinha de outras gestões”, afirmou. Segundo o diretor-geral, Galípolo teve “a coragem, a capacidade de levar à frente” o caso, conforme determina a lei.

Rodrigues acrescentou que a autonomia institucional foi determinante para o andamento das apurações. “Essa autonomia que o Banco Central teve para fazer isso também tivemos nós na Polícia Federal para avançar”, disse, ao parafrasear o presidente do BC.

Como revelou a Folha, na data da liquidação do Banco Master, em novembro de 2025, a instituição mantinha apenas R$ 22,9 milhões em depósitos no Banco Central. O valor representava menos de 1% dos R$ 2,537 bilhões exigidos pelo regulador ao conglomerado controlado por Daniel Vorcaro.


Relatos enviados pelo Banco Central ao Tribunal de Contas da União indicam que a situação se deteriorou ao longo de 2025, com descumprimentos recorrentes dos depósitos compulsórios desde novembro de 2024. Segundo apuração do Estadão, o então presidente do BC, Roberto Campos Neto, teria conhecimento do cenário, mas não interveio.

Rodrigues afirmou ainda que o inquérito principal sobre o caso Master está em fase final. “Estamos caminhando para um relatório final, dando encaminhamento a todos os achados, sem descartar nenhuma hipótese”, declarou.

Na segunda-feira (9), o atual presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, afirmou ser grato por conduzir o caso durante o governo de Lula. “Agradeço a Deus por passar por isso sob o presidente Lula”, disse, ao defender a autonomia do BC e da Polícia Federal.

Em janeiro, Lula afirmou que o pobre no Brasil é sacrificado “enquanto um cidadão do Banco Master deu um golpe de mais de R$ 40 bilhões”. Galípolo também agradeceu o apoio do ministro Fernando Haddad e do procurador-geral da República, Paulo Gonet, além da atuação da Polícia Federal.

Por fim, o presidente do Banco Central defendeu a decisão de liquidar o banco diante do risco sistêmico causado pelo volume de vencimentos de CDBs e pela incapacidade da instituição de cumprir exigências regulatórias.

Fonte: DCM

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