quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

Vazamento de inquérito contra Lulinha foi motivado por racha na PF, segundo o Planalto


             Sede da PF. Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil



A cúpula do governo Lula (PT) avalia que a investigação da Polícia Federal envolvendo menções ao nome de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, no caso de desvios de aposentadorias do INSS, expõe uma disputa de poder dentro da corporação. Ministros do Planalto descrevem o cenário como uma “guerra interna”, com grupos conflagrados e interesses conflitantes que, segundo eles, ajudariam a explicar os vazamentos recentes.

A percepção, segundo o Estadão, é de que a PF se tornou mais um ponto de tensão institucional a ser administrado pelo governo.

O advogado Marco Aurélio de Carvalho, coordenador do grupo Prerrogativas e que já representou o filho do presidente, afirmou que acionará o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, para que seja aberta investigação formal sobre o que chamou de “vazamentos seletivos”.

Segundo ele, a exposição das citações ao nome de Fábio Luís ocorreu sem apresentação de provas concretas e repete métodos que, na sua avaliação, lembram episódios da Operação Lava Jato. “Vou solicitar à Polícia Federal uma apuração rigorosa desses vazamentos seletivos”, disse.

“O grave não são as acusações porque elas não estão calçadas em provas e o Fábio não é alvo de qualquer procedimento de investigação. O grave são os vazamentos com métodos que reproduzem o que houve de pior na Lava Jato”.

Fábio Luis, o Lulinha. Foto: Greg Salibian/Folhapress

A revelação de que o nome de Lulinha aparece em conversas interceptadas ocorreu após a PF informar ao ministro André Mendonça, do STF, que encontrou menções ao filho do presidente durante a apuração sobre possíveis vínculos com o empresário Antônio Camilo Antunes, conhecido como Careca do INSS, apontado como líder do esquema de fraudes.

A defesa de Fábio Luís nega qualquer relação. A corporação frisou, na própria representação ao Supremo, que as referências aparecem em falas de terceiros e que não há indícios de participação direta do filho do presidente no esquema.

O tema reacendeu o debate no Congresso. Parlamentares da oposição voltaram a defender que Lulinha seja convocado para depor na CPI do INSS, retomada prevista para fevereiro, após o recesso legislativo. Nos bastidores, opositores avaliam que a simples menção ao nome do filho do presidente cria um ambiente político favorável à pressão por novos depoimentos, ainda que a PF não o trate como investigado.

Lula já havia se pronunciado sobre o tema em dezembro, durante café da manhã com jornalistas. Questionado sobre a operação deflagrada naquele dia, afirmou que não fará qualquer interferência na apuração. “Se tiver filho meu metido nisso, será investigado”, declarou.

“É importante que haja seriedade para que a gente possa investigar todas as pessoas envolvidas. Ninguém ficará livre”, emendou o presidente.

Fonte: DCM com informações do Estadão

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