Avaliação da Capital Economics aponta IPCA em 4,26% e cenário delicado para decisão do Copom sobre juros
A desaceleração do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para 4,26% em 2025 reforçou a possibilidade de um corte na taxa básica de juros já na próxima reunião do Comitê de Política Monetária (Copom), marcada para janeiro. A análise considera, no entanto, que o Banco Central enfrenta um cenário descrito como de equilíbrio delicado, no qual forças inflacionárias e sinais de perda de fôlego da atividade econômica convivem lado a lado.
A avaliação foi divulgada nesta sexta-feira (9) pela consultoria internacional Capital Economics. Segundo a instituição, a trajetória recente da inflação cria margem para uma flexibilização monetária, ainda que o ambiente doméstico siga exigindo cautela por parte da autoridade monetária.
De um lado, o mercado de trabalho continua aquecido, fator que tradicionalmente preocupa o Banco Central por seu potencial de pressionar preços, enquanto os núcleos de inflação seguem em patamar elevado. De outro, indicadores recentes de atividade econômica apontam perda de dinamismo. O índice de atividade do próprio Banco Central registrou contração pelo segundo mês consecutivo em outubro, sinalizando enfraquecimento do ritmo econômico.
Para a Capital Economics, o debate não se restringe apenas ao momento exato do primeiro corte. A economista para Mercados Emergentes da consultoria, Kimberley Sperrfechter, avalia que, uma vez iniciado o ciclo de afrouxamento monetário, a queda dos juros tende a ser mais intensa do que o mercado projeta atualmente. “Mas, independentemente de o primeiro corte se materializar este mês ou na reunião de março, o quadro maior é que, uma vez iniciado o ciclo de afrouxamento, a taxa Selic provavelmente cairá mais do que a maioria espera este ano”, afirmou a economista no relatório.
A leitura mais favorável da inflação também se apoia na composição do IPCA de dezembro, que avançou 0,33% na comparação mensal. O dado revelou uma desaceleração expressiva dos preços de alimentos, cuja inflação acumulada em 12 meses recuou para 2,9%, o menor nível em quase dois anos. O grupo de vestuário também apresentou variação mais contida.
Esses movimentos ajudaram a compensar a pressão registrada em outras categorias do índice, contribuindo para um quadro inflacionário menos disseminado ao fim do ano. Na avaliação da consultoria, esse comportamento reforça o argumento de que a política monetária pode começar a ser ajustada, ainda que o processo deva ocorrer com atenção redobrada aos riscos internos.
Fonte: Brasil 247
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