segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Polícia pede a internação do jovem responsável pela morte do cão Orelha

O pedido foi feito após o avanço das apurações que buscam esclarecer a dinâmica do caso e a participação de jovens inicialmente colocados sob suspeita

      Cão Orelha (Foto: Reprodução/Redes sociais)

A Polícia Civil de Santa Catarina solicitou a internação do adolescente apontado por investigadores como responsável pelas agressões que resultaram na morte do cão Orelha, ocorrida no dia 4 de janeiro, em Florianópolis (SC). O pedido foi feito após o avanço das apurações que buscam esclarecer a dinâmica do caso e a participação de jovens inicialmente colocados sob suspeita.

Segundo informações divulgadas pela Polícia Civil de Santa Catarina, as investigações levaram à exclusão de três adolescentes que, em um primeiro momento, chegaram a ser apontados como envolvidos. O delegado Renan Balbino comentou a análise realizada pela equipe responsável e explicou que a localização dos suspeitos foi determinante para descartar parte dos nomes investigados.

“Pela localização de onde a gente imagina que foi a agressão, dois [adolescentes suspeitos] sequer estavam ali. O terceiro também [não estava por perto]. Por isso que esses três, a princípio, foram descartados”, afirmou. O relato saiu no Fantástico.

No início da apuração, a Polícia Civil havia indiciado um adolescente entre quatro jovens considerados suspeitos do crime. No entanto, o andamento das diligências levou à revisão do caso e, posteriormente, à inocência de três deles. Mesmo assim, conforme apontado nas investigações, a grande repercussão pública do episódio acabou provocando consequências consideradas graves para as famílias dos adolescentes que foram citados como suspeitos.

O caso ganhou forte atenção nas redes sociais e ampliou o debate sobre violência contra animais, especialmente envolvendo adolescentes. A morte do cão Orelha provocou indignação e reacendeu discussões sobre a responsabilização de jovens em atos de crueldade e sobre o impacto social de acusações que se espalham rapidamente antes da conclusão oficial das investigações.

Enquanto a Polícia Civil segue com o procedimento para responsabilização do adolescente apontado como autor das agressões, organizações de proteção animal também se mobilizam para ampliar a conscientização sobre o tema. Uma das iniciativas anunciadas é da Ampara Animal, instituto que atua há 15 anos promovendo ações de cuidado, debates públicos e apoio a abrigos e centros de adoção em todo o país.

A entidade informou que lançará nos próximos dias a campanha “Quebre o Elo”, com foco em alertar sobre a gravidade da violência animal e suas possíveis conexões com outras formas de agressão. O instituto sustenta que atos violentos contra animais podem ser reflexo de experiências de violência vividas pelo próprio agressor ou por pessoas próximas, além de representarem um indicativo de risco para outros crimes.

De acordo com a Agência Brasil, a organização também defende que a crueldade contra animais pode sinalizar potencial ameaça a grupos considerados vulneráveis, como crianças, mulheres e idosos, tornando o enfrentamento do problema uma questão social mais ampla, para além da causa animal.

Para a diretora de relações institucionais da Ampara, Rosângela Gebara, a educação é um dos caminhos centrais para reduzir casos semelhantes. “Temos que tentar ensinar saindo de uma visão e uma educação antropocêntricas. A Ampara sempre entendeu que a educação é o caminho para transformar em melhor a vida dos animais, principalmente quando voltada a crianças e adolescentes”, declarou.

O episódio envolvendo o cão Orelha segue sob investigação em Santa Catarina e se tornou um símbolo do debate nacional sobre violência animal, responsabilização de adolescentes e os efeitos da exposição pública precoce de suspeitos antes da conclusão definitiva dos inquéritos.

Fonte: Brasil 247

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