Insatisfação com salários, aposentadoria e carreira leva bancada da bala a cobrar promessas feitas pelo governador
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), atravessa um momento de desgaste com as forças de segurança e passou a ser alvo de críticas de parlamentares ligados à chamada bancada da bala na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp). Eleito com forte apoio de policiais, Tarcísio criou expectativa de avanços em salários, benefícios e condições de trabalho, mas a frustração da categoria tem se intensificado, especialmente em um ano marcado por disputas eleitorais. A pressão sobre o Palácio dos Bandeirantes vem de diferentes frentes, incluindo deputados da base aliada e entidades representativas das corporações, segundo o Metrópoles.
Mesmo após discursos reiterados de valorização da segurança pública e da decisão inédita de colocar policiais no comando da Secretaria da Segurança Pública, integrantes das corporações afirmam que as promessas não se converteram em ações concretas. Deputados estaduais relatam cobranças constantes de suas bases, enquanto associações e sindicatos acusam o governador de ter rompido compromissos assumidos durante a campanha.
Na Alesp, parlamentares da bancada da segurança pública passaram a fazer críticas públicas ao governo. O deputado Capitão Telhada (PP) utilizou a tribuna para cobrar o cumprimento de promessas salariais. “Neste ano de 2026, tem uma promessa represada, um compromisso de campanha do governador Tarcísio com os policiais de São Paulo, e a bancada da segurança pública não abre mão de que seja um reajuste real e, conforme o próprio compromisso do governo, um reajuste de dois dígitos”, afirmou. O parlamentar também mencionou atrasos no pagamento de bônus referentes a 2025 e lentidão na entrega de cartas de crédito de um programa habitacional voltado aos policiais.
Outro aliado do governo, o deputado Major Mecca (PL), também elevou o tom das críticas. Ao tratar do mesmo programa de habitação, declarou: “Um ano e meio dessa lei aprovada, o governo não entregou nenhuma carta de crédito a nenhum policial militar, a nenhum policial civil, a nenhum policial penal”. O deputado ainda reclamou dos baixos salários e da necessidade de muitos agentes recorrerem ao chamado bico oficial para complementar a renda. “A postura do estado em relação aos policiais terá que mudar, porque não pode o governo do estado ser o maior algoz dos homens e das mulheres que defendem o povo de São Paulo”, disse.
A insatisfação também se manifesta em relação à aposentadoria. Um dos principais pontos de tensão foi o veto parcial do governador a um projeto que permitiria o aproveitamento de até dez anos de trabalho fora da corporação no cálculo do tempo de serviço para aposentadoria. Embora o texto tenha sido sancionado, o trecho que beneficiaria diretamente os policiais foi retirado. O deputado Reis (PT), que tem origem na Polícia Civil, criticou a decisão nas redes sociais: “Quando finalmente chegou ao governo, veio o golpe: o governador sancionou o que já era obrigação pela lei federal e vetou exatamente o que ajudaria os policiais”.
Outra frente de cobrança envolve a criação de uma nova lei orgânica da Polícia Civil, considerada pelas entidades como instrumento central de valorização da carreira. Em 18 de novembro, 23 entidades ligadas às polícias Civil, Militar e Penal realizaram um protesto em frente ao Largo São Francisco, no centro da capital paulista, contra o governador e o então secretário da Segurança Pública, Guilherme Derrite (PP). O ato foi organizado pelo fórum Resiste-PC, que acusou a gestão estadual de descumprir promessas feitas durante a campanha e o governo.
Após a mobilização, Tarcísio prometeu apresentar o texto da nova lei orgânica da Polícia Civil e um novo plano de carreira para a Polícia Militar, mas, até o momento, não houve avanços concretos. A cobrança ganhou ainda mais peso após a sanção, em novembro de 2023, da Lei Orgânica Nacional das Polícias Civis pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que unificou regras sobre direitos, deveres e garantias da categoria em todo o país.
Com a legislação federal em vigor, os estados precisam elaborar suas próprias leis orgânicas para se adequar às novas diretrizes. Em São Paulo, sindicatos da Polícia Civil reivindicam critérios objetivos para promoções, regras mais claras para reajustes salariais e a regulamentação definitiva da jornada de trabalho. Enquanto as demandas seguem sem resposta, mais de 30 entidades ligadas às corporações planejam um novo protesto no dia 26 de fevereiro, na Avenida Paulista, em frente ao Masp, ampliando a pressão política sobre o governo estadual.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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