Em Salvador, presidente afirma que políticas públicas devem garantir dignidade à população mais pobre
Na Bahia, Lula exalta o SUS, defende inclusão social e reforça importância eleitoral de 2026 (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva reforçou, em discurso realizado nesta sexta-feira (6), o papel do SUS como eixo central das políticas públicas de saúde e defendeu que investimentos voltados aos mais pobres são fundamentais para reduzir desigualdades históricas no Brasil.
A declaração foi feita em Salvador (BA), durante cerimônia de entrega de ambulâncias do SAMU 192, Unidades Odontológicas Móveis (UOM), equipamentos para Unidades Básicas de Saúde (UBS) e equipamentos cirúrgicos no âmbito do Novo PAC Saúde.
O pacote anunciado para a Bahia soma R$ 345 milhões e, segundo o governo, integra um dos maiores investimentos em saúde no estado. Ao falar para prefeitos e lideranças políticas, Lula afirmou que vive um momento pessoal especial aos 80 anos e associou sua trajetória ao compromisso com políticas de inclusão social. “Hoje, na presença de vocês, é um dia muito especial na minha vida”, declarou. “Eu vivo o melhor momento da minha passagem pelo planeta Terra aos 80 anos de idade.”
◎ Inclusão social e foco nos “invisíveis”
No pronunciamento, o presidente defendeu que o país precisa garantir oportunidades a brasileiros que permanecem invisíveis fora do calendário eleitoral. Lula afirmou que muitos governos ignoraram a população mais vulnerável e cobrou compromisso permanente com os mais pobres. “Aquelas pessoas que nasceram sem oportunidades e que se a gente não olha para elas, elas morrerão sem oportunidade. Aquilo que eu chamo das pessoas invisíveis, que só estão enxergadas nas épocas das eleições”, disse.
Lula também comentou o ambiente político e afirmou que busca manter diálogo com parlamentares de diferentes partidos. “Eu não tenho inimigo. Só é meu inimigo quem quiser ser”, afirmou, ao destacar que sua relação com o Congresso não se baseia em confronto.
◎ Novo PAC e investimentos bilionários
Durante a cerimônia, o presidente apresentou o Novo PAC como um instrumento de reconstrução nacional e disse que o programa é o maior pacote de investimentos já estruturado no país. “Nós fizemos o maior PAC da história do Brasil. O PAC estabeleceu uma política de investimento público e privado de 1 trilhão e 700 bilhões de reais”, declarou.
Em seguida, citou números específicos da Bahia e afirmou que a execução do programa já avançou no estado. “Só aqui na Bahia, 45 bilhões já foram executados”, disse.
◎ Economia e indicadores de emprego
Ao comentar o cenário econômico, Lula afirmou que o país voltou a crescer acima de 3% após um longo período de estagnação. “Depois que eu deixei a presidência da República, esse país nunca mais cresceu acima de 3%. Nunca mais”, declarou.
Ele também afirmou que a condução econômica não depende de improvisos. “Em política econômica não tem mágica. A gente não inventa o que fazer, a gente faz aquilo que é real fazer”, disse.
No discurso, Lula citou dados sobre emprego e renda e afirmou que o Brasil alcançou números recordes. “Nós temos o menor desemprego de toda a história do Brasil. Nós temos a maior população econômica ativa da maior história do Brasil”, afirmou. O presidente também mencionou aumento da massa salarial e expansão das exportações.
◎ Salário mínimo e isenção do imposto de renda
Ao tratar do salário mínimo, Lula disse que a política de reajuste acima da inflação garantiu ganhos reais e criticou avaliações contrárias. “O salário mínimo (...) hoje é de R$ 1.621. É pouco, mas é mais do que aquilo que as pessoas do outro lado achavam que deveria ser”, afirmou.
O presidente também destacou mudanças na tributação e relatou que recebeu trabalhadores do setor público que apresentaram contracheques sem desconto de imposto de renda. “Eu recebi o primeiro grupo de trabalhadores públicos que foram me apresentar o contra-cheque Olerite sem desconto de imposto de renda pela primeira vez na história do Brasil”, declarou.
Segundo ele, a medida pode representar economia anual significativa. “Para uma pessoa que ganha 5 mil reais, não descontar imposto de renda significa uma economia de 4.800 reais por ano, significa um 14º salário para a pessoa”, afirmou.
◎ Pacto contra violência contra mulheres
Outro tema abordado foi a violência contra mulheres. Lula afirmou que houve articulação entre Executivo, Legislativo e Judiciário para a construção de um pacto nacional de enfrentamento ao problema. “A Suprema Corte, o Senado da República, a Câmara dos Deputados e o Poder Executivo estão construindo um pacto unindo todos os poderes”, disse.
O presidente também citou números de assassinatos de mulheres e defendeu mudanças culturais. “Só esse ano foram 1.470 mulheres assassinadas”, afirmou. “Educar os maridos, que eles não são donos das mulheres. Elas podem fazer o que elas quiserem, aonde elas quiserem.”
◎ Defesa do SUS e lembrança da pandemia
Ao exaltar o SUS, Lula criticou ataques históricos ao sistema público de saúde e afirmou que a pandemia expôs sua importância. “As pessoas que não usavam o SUS, criticavam o SUS. Pessoas que nunca tinham ido no SUS fazer uma consulta, diziam que o SUS não prestava”, afirmou.
Ele acrescentou que o sistema foi decisivo para evitar um colapso nacional. “Veio a Covid. E se não fosse o SUS, esse país estava acabado”, declarou.
◎ Gargalo dos especialistas e a “segunda consulta”
Lula justificou os investimentos em ambulâncias e equipamentos afirmando que o maior desafio do atendimento público não é apenas garantir a primeira consulta, mas assegurar continuidade no tratamento. Segundo ele, o acesso a especialistas e exames complexos ainda representa um gargalo para a população.
“A pessoa pacientemente ia para casa, pedindo a Deus para não morrer”, disse, ao relatar a espera por consultas e exames como tomografia e ressonância magnética.
O presidente citou o Farmácia Popular como exemplo de avanço, mas afirmou que o problema atual está concentrado na falta de especialistas. “As pessoas não morrem mais por falta de remédio, mas as pessoas morrem por falta do especialista”, declarou.
◎ “Brasil sorridente” e prioridade para saúde bucal
Um dos trechos mais longos do discurso foi dedicado à saúde bucal. Lula afirmou que o tema deve ser tratado como política pública e disse que sempre se incomodou ao ver jovens sem dentes. “Eu nunca me conformei de (...) ver meninas e meninos de 18 anos (...) sem dente na boca”, afirmou.
Ele defendeu que a falta de tratamento compromete autoestima e dignidade. “Sem dente na boca a pessoa fica mais feia, a pessoa não tem vontade de sorrir, a pessoa não tem vontade de conversar”, disse.
No discurso, Lula criticou o fato de que, historicamente, o atendimento odontológico tenha sido acessível apenas a quem tem renda. “Você trata do corpo inteiro, quando chega na boca, só pode tratar para quem tem dinheiro?”, questionou.
Em seguida, afirmou que o objetivo do governo é ampliar esse acesso. “Então nós queremos um Brasil sorridente”, declarou.
◎ Eleição de 2026 e disputa baseada em comparações
Na parte final da fala, Lula vinculou o debate político à eleição presidencial de 2026 e disse que pretende sustentar a disputa com comparações objetivas entre governos. “Esse ano a gente vai fazer comparação em cada área”, afirmou.
Segundo ele, os dados deverão ser confrontados em setores como saúde, educação, economia e direitos sociais. “Vamos comparar na educação, na saúde, na economia, no salário, na reforma agrária, na igualdade racial, no direito da mulher”, disse.
Fonte: Brasil 247
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