Presidente do IBGE, Márcio Pochmann, explica por que taxa de desemprego de 5,2% é histórica e desmonta fake news sobre dados oficiais
A taxa média de desemprego de 5,2%, divulgada recentemente pelo IBGE, colocou o Brasil no menor patamar da série histórica iniciada em 2012 e reacendeu o debate público sobre o mercado de trabalho, a metodologia das estatísticas oficiais e a disseminação de desinformação nas redes sociais. O tema foi analisado em profundidade pelo economista Márcio Pochmann, presidente do IBGE, durante entrevista ao programa Horta da Verdade, da TV 247.
Ao longo da conversa, Pochmann destacou que o dado precisa ser compreendido com rigor técnico e histórico, sem distorções políticas. “Estamos próximos do pleno emprego, mas ainda não estamos lá”, afirmou, ao explicar que, do ponto de vista econômico, o pleno emprego costuma ser associado a uma taxa de desemprego em torno de 3%.
No programa, Pochmann contextualizou a trajetória do mercado de trabalho brasileiro nas últimas décadas e ressaltou que a redução atual do desemprego está diretamente ligada ao desempenho da economia e às políticas públicas adotadas. Segundo ele, a série comparável da PNAD Contínua mostra que a taxa de desemprego caiu de forma consistente após os piores momentos da recessão e da pandemia. “Desde 2021, 2022, a taxa voltou lentamente a decrescer e esse movimento se acelerou no terceiro mandato do presidente Lula”, explicou.
O presidente do IBGE também rebateu uma das fake news mais recorrentes sobre o tema. “Beneficiários do Bolsa Família jamais foram contados como empregados”, afirmou de forma categórica. Ele esclareceu que a pesquisa não pergunta se a pessoa recebe ou não programas de transferência de renda. “O IBGE pergunta se a pessoa trabalha, se procurou trabalho e se está disponível para trabalhar. Benefício social não entra nesse cálculo.”
Durante a entrevista, Pochmann detalhou como funciona a metodologia da PNAD Contínua, enfatizando que ela segue padrões internacionais. “Hoje é possível comparar a taxa de desemprego do Brasil com qualquer país que siga a metodologia da Organização Internacional do Trabalho”, disse. Segundo ele, mais de 200 mil domicílios são visitados a cada trimestre, o que garante robustez estatística aos resultados.
Outro ponto central da conversa foi a relação entre crescimento econômico e geração de empregos. Pochmann destacou que a economia brasileira tem crescido em torno de 3% ao ano, ritmo suficiente para ocupar a capacidade ociosa deixada pela crise recente. “Esse crescimento, combinado com investimento público, investimento privado e políticas de garantia de renda, explica a expansão do nível de ocupação”, afirmou.
Ao abordar a informalidade, que ainda atinge cerca de 40% dos trabalhadores, o economista fez uma análise mais complexa do fenômeno. Ele alertou que nem toda informalidade pode ser interpretada como atraso. “Estamos vivendo uma economia de serviços hiperconectada, com novas formas de trabalho que não existiam no passado”, disse, defendendo a necessidade de repensar a legislação. “Talvez precisemos de uma espécie de CLT digital para essa nova realidade.”
Pochmann também contestou a ideia de que a queda do desemprego seria artificial ou resultado de manipulação política. “O IBGE é uma instituição de Estado. Eu, como presidente, recebo os dados apenas duas horas antes da divulgação”, afirmou. Segundo ele, os números são produzidos por equipes técnicas altamente qualificadas e sem qualquer interferência externa.
Ao final da entrevista, o presidente do IBGE avaliou o cenário para 2026 com cautela, mas otimismo. “Vai depender do ritmo da atividade econômica”, ponderou. Ainda assim, afirmou que, mantidas as condições atuais, a tendência é de estabilidade ou leve redução adicional da taxa de desemprego. “Se olharmos onde o Brasil estava cinco ou seis anos atrás, é evidente que a classe trabalhadora vive hoje uma situação melhor.”
A conversa no Horta da Verdade, da TV 247, reforçou que o dado de 5,2% não é apenas um número isolado, mas o reflexo de uma mudança mais ampla no mercado de trabalho brasileiro — e um indicador que, segundo Márcio Pochmann, deve ser analisado com seriedade, longe da desinformação que domina o debate público.
Fonte: Brasil 247
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