segunda-feira, 2 de fevereiro de 2026

Em vídeo, Tony Garcia diz a Gabriela Hardt que era "informante" de Moro e revela grampos

Delator relatou abusos de Moro à juíza substituta e disse que tinha autonomia para pedir grampos de pessoas de interesse das investigações

          Tony Garcia e Sergio Moro (Foto: Reprodução/TV 247 | Roque de Sá/Agência Senado)

Vídeos gravados pela Justiça Federal e obtidos por Daniela Lima, do UOL, mostram um ex-colaborador da 13ª Vara Federal de Curitiba afirmando, diante de uma juíza, que não atuava apenas como delator, mas como “informante” do então juiz Sergio Moro, hoje senador pelo União Brasil do Paraná. Nas gravações, ele sustenta que tinha autonomia para pedir interceptações telefônicas de pessoas consideradas de interesse das investigações conduzidas na vara.

Os registros reforçam um conjunto de acusações de abuso e irregularidades relacionadas à atuação de Sergio Moro à frente da Justiça Federal no Paraná. Atualmente, o senador é alvo de apuração no Supremo Tribunal Federal (STF), que investiga a suspeita de uso de colaboradores para alcançar alvos que estariam fora da competência da Justiça Federal. Moro deixou a magistratura e ingressou na política em 2023.

Nas gravações, o ex-deputado estadual Tony Garcia conversa com a juíza Gabriela Hardt, que sucedeu Moro na 13ª Vara, e relata o que considera práticas abusivas durante o período em que colaborou com o Ministério Público e a Justiça Federal. Segundo ele, foi chamado a assinar um acordo para revelar um suposto esquema de venda de sentenças judiciais e, a partir daí, passou a atuar de forma contínua como agente infiltrado.

“Com o tempo, doutora Gabriela, eu fui agente infiltrado do Ministério Público, eu trabalhei por dois anos e meio diuturnamente, 24 horas, tendo um agente da Polícia Federal para pedir segurança e interceptação telefônica para quem eu achasse que poderia contribuir para a Justiça”, afirmou Tony Garcia em um dos vídeos gravados pela Justiça.

O ex-colaborador também relata que mantinha contato frequente com Sergio Moro para discutir os rumos das investigações e que recebia orientações para buscar possíveis delatores. Ele afirma ainda ter utilizado o telefone da própria 13ª Vara para entrar em contato com alvos das apurações. “Inclusive, uma das pessoas-chave desse inquérito eu levei para o acordo. Eu pedi para ele não ser preso. E ele foi lá e falou tudo. Que tinha conta fora e tal”, declarou.

Sergio Moro é investigado no Supremo por supostamente ter usado a estrutura da Justiça Federal do Paraná para coagir autoridades e políticos. Moro teria autorizado, solicitado e recebido gravações envolvendo o então presidente do Tribunal de Contas do Paraná, realizadas por Tony Garcia.

Fonte: Brasil 247 com informações do UOL

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