quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Deputado italiano que auxiliou na prisão de Zambelli vira alvo de aliado de Meloni


      Carla Zambelli em tribunal italiano. Foto: Reprodução/TV Globo

O deputado italiano Angelo Bonelli passou a ser alvo de um questionamento formal no Senado da Itália após ter ajudado a polícia a localizar e prender a ex-deputada brasileira Carla Zambelli, em julho de 2025. A iniciativa partiu do senador Matteo Gelmetti, aliado da primeira-ministra de extrema-direita Giorgia Meloni.

Na interpelação dirigida ao governo italiano, Gelmetti pede esclarecimentos sobre como Zambelli foi localizada em Roma quando era considerada foragida da Justiça brasileira. O senador afirma que a prisão só foi possível após “uma pessoa” fornecer dados precisos às autoridades italianas, levantando suspeitas sobre vazamento de informações.

Embora o documento não cite nomes, Bonelli afirmou ser o alvo direto da iniciativa. Ao UOL, ele declarou que cumpriu seu dever cívico ao informar o endereço da ex-parlamentar. “Ele me acusa de ter provocado vazamento de informações. Mas quero lembrar que cumpri meu dever cívico”, afirmou o deputado do partido Europa Verde.

Gelmetti alegou que a pessoa responsável pela informação “nunca esclareceu as fontes de tal dado nem as circunstâncias do vazamento”. O senador questiona se houve acesso a arquivos reservados ou contatos com autoridades brasileiras antes e depois da prisão de Zambelli.

Angelo Bonelli, deputado italiano. Foto: Reprodução
A interpelação parlamentar, instrumento oficial para cobrar explicações do Executivo, foi apresentada aos ministros da Justiça, do Interior e das Relações Exteriores da Itália. Tornado público nesta manhã, o documento foi protocolado em 28 de janeiro e marca a primeira manifestação formal do senador sobre o caso, apesar de Zambelli estar presa há mais de seis meses.

No texto, Gelmetti também faz críticas ao processo brasileiro, citando “graves anomalias processuais”. Ele menciona o ministro do STF Alexandre de Moraes, apontando suposto acúmulo de funções, e questiona se a extradição poderia resultar em violação de direitos humanos. O senador cobra do ministro da Justiça italiano, Carlo Nordio, uma posição clara sobre negar ou não o pedido brasileiro.

Enquanto o embate político avança, a Justiça italiana segue com o processo. A Corte de Apelação de Roma marcou para 10 de fevereiro a análise do pedido da defesa para trocar os juízes do caso de extradição, um dia antes da audiência principal, prevista para 11 de fevereiro. A defesa afirma que, se a troca for negada, recorrerá à Corte de Cassação, alertando que uma eventual decisão de extradição antes desse julgamento pode levar à anulação de todo o processo.

Fonte: DCM

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