O governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo), disse, em entrevista ao Globo, que tenta se apresentar como um nome da direita distinto do bolsonarismo, ao criticar o que chama de “idolatria política” e apontar o cansaço do eleitorado com o radicalismo. Apesar do discurso de diferenciação, Zema afirmou que, se vencer a eleição presidencial de 2026, pretende conceder indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Confira:
O senhor se diz candidato à Presidência. Existe espaço real para quebrar a polarização entre petismo e bolsonarismo?
O brasileiro continua polarizado, mas está cansado desse radicalismo e extremismo. Sempre estou em contato com as pessoas no interior do estado e percebe-se um cansaço desse clima de “eu faço tudo certo e o outro faz tudo errado”. Isso tem data de validade. As pessoas vão se fartando. Hoje acho que pouco se acompanha isso porque é o mais do mesmo de sempre. Precisamos de eventos novos na política.
O senhor se considera uma terceira via? Onde se posiciona nesse espectro?
Se avaliarmos que num extremo está Lula e no outro está Bolsonaro, eu diria que estou bem mais próximo do Bolsonaro do que do Lula, mas não tão à direita quanto ele, porque tenho opiniões diferentes. Não acredito em idolatria, em seguir tudo que alguém fala. Acredito em debate, em pessoas maduras que têm ideias diferentes. Dentro do espectro direita–esquerda, pelas propostas que temos, sou considerado mais à direita. Agora, na polarização política, talvez quem é Bolsonaro esteja um pouco mais à direita do que eu.
O senhor avalia que fala com o mesmo eleitorado de Flávio Bolsonaro ou com um segmento diferente da centro-direita?
Há muita sobreposição, mas também um eleitorado diferente. Há pessoas que rejeitam Lula e rejeitam Bolsonaro. Sempre haverá espaço para um terceiro nome. (…)
O senhor já disse que, se eleito, daria indulto ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Mantém essa posição?
Mantenho sim. O Brasil precisa passar uma borracha nesse capítulo das tentativas de golpe que a esquerda tanto fala. Não tivemos tiros, mortes violentas, combates, envolvimento de forças armadas. O que tivemos foi alguém que idealizou algo que mal saiu do papel e que recebeu uma punição como se tivesse feito uma movimentação armada com milhares de vítimas, que não tivemos. Foi uma retaliação desproporcional. (…)

O governador de Minas Gerais, Romeu Zema, e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Adriano Machado
Fonte: DCM
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