Gesto surpreendeu o futebol saudita e provocou forte repercussão nos bastidores
Cristiano Ronaldo durante partida do Al-Nassr contra o Al-Taawoun pelo Campeonato Saudita (Foto: REUTERS/Ahmed Yosri)
Cristiano Ronaldo decidiu não entrar em campo na partida do Al Nassr contra o Al Riyadh, em um gesto que surpreendeu o futebol saudita e provocou forte repercussão nos bastidores do campeonato. De acordo com o jornal português A Bola, a ausência do atacante não teve relação com lesão ou problema pessoal, mas foi um protesto direto contra a condução do projeto esportivo do clube dentro da estrutura controlada pelo Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita (PIF).
Segundo a publicação portuguesa, o entorno do jogador rejeitou a versão inicialmente divulgada na Arábia Saudita, que apontava um problema físico às vésperas da partida. A realidade, ainda conforme o A Bola, é que Cristiano Ronaldo não está machucado nem pediu descanso, tendo optado por não jogar como forma de demonstrar seu descontentamento com os rumos do Al Nassr.
O estopim para a insatisfação foi a última janela de transferências de inverno, que escancarou a diferença de investimentos entre os clubes ligados ao mesmo fundo. Enquanto o Al Nassr anunciou apenas a contratação de Haydeer Abdulkareem, meio-campista iraquiano de 21 anos, rivais diretos receberam reforços de maior peso. O Al Hilal, líder do campeonato, investiu cerca de dois milhões de euros no zagueiro espanhol Pablo Marí e se prepara para desembolsar aproximadamente 30 milhões de euros pelo atacante francês Kader Meité, além de estudar a chegada de Karim Benzema, craque do Al Ittihad e ex-companheiro de Cristiano no Real Madrid.
A comparação, segundo o jornal português, tornou-se inevitável para o camisa 7. Internamente, o jogador entende que o Al Nassr perdeu relevância dentro da engrenagem política do futebol saudita e que a falta de investimento compromete a competitividade da equipe em uma liga criada justamente para projetar poder e prestígio internacional.
O desconforto não se limita ao mercado de transferências. Nas últimas semanas, a estrutura administrativa do clube passou por mudanças significativas. O diretor esportivo Simão Coutinho e o gerente geral José Semedo, ambos portugueses e próximos de Cristiano Ronaldo, tiveram suas atribuições reduzidas por decisão da diretoria, o que aumentou a sensação de isolamento do capitão dentro do projeto.
A crise também dialoga com declarações recentes que ecoaram nos bastidores do campeonato. Em janeiro, o técnico do Al Hilal, Jorge Jesus, afirmou: "O Al Nassr não tem o poder político que o Al Hilal tem". A fala provocou reação institucional e levou a pedidos formais de sanção ao treinador. Agora, o gesto de Cristiano Ronaldo é visto por observadores como uma confirmação prática de que a percepção de desequilíbrio vai além da retórica.
O momento é especialmente sensível por causa da situação contratual do astro português. Em junho de 2025, Cristiano renovou com o Al Nassr em meio a especulações sobre um possível retorno à Europa antes da Copa do Mundo de 2026. Ele assinou um contrato de dois anos avaliado em mais de 400 milhões de dólares, somando salários, bônus e incentivos comerciais ligados à promoção do clube e do campeonato saudita.
Esse acordo consolidou Cristiano Ronaldo como peça central do projeto esportivo e de marketing da Arábia Saudita. No ano passado, o Índice de Bilionários da Bloomberg passou a incluí-lo, estimando seus ganhos totais na carreira em mais de 1,4 bilhão de dólares. Ainda assim, o sucesso esportivo dentro de campo segue distante.Desde que chegou ao Al Nassr, em 2022, o atacante não conquistou títulos oficiais reconhecidos pela FIFA com o clube. A única taça levantada foi o Campeonato Árabe de Clubes, torneio regional.
O contraste é grande em relação à sua trajetória anterior, marcada por 35 títulos por clubes e seleções, com conquistas em Portugal, Inglaterra, Espanha e Itália, além da Eurocopa e de duas Ligas das Nações com Portugal.Mesmo aos 41 anos, que completa nesta semana, Cristiano segue perseguindo marcas históricas.
Ele soma 961 gols oficiais na carreira e está a 49 de alcançar o milésimo gol. No entanto, tudo indica que esse número não será alterado nesta rodada, não por limitação física, mas por uma decisão política e simbólica.O boicote do principal nome da liga expõe um dilema incômodo para o futebol saudita. Se o jogador que melhor representa o projeto internacional do país decide se rebelar, ainda que por uma noite, o recado ultrapassa o Al Nassr e revela tensões internas, prioridades conflitantes e os desafios de conciliar marketing global com competitividade esportiva real.
Fonte: Brasil 247 com informações do jornal português A Bola
Nenhum comentário:
Postar um comentário