sábado, 31 de janeiro de 2026

Ministério da Saúde do Brasil alerta sobre vírus Nipah

Surto na Índia acende monitoramento internacional

Vírus Nipah (Foto: Reprodução/Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas dos EUA)

 O Ministério da Saúde divulgou um alerta informativo após a confirmação de um surto do vírus Nipah no estado de Bengala Ocidental, na Índia, que levou à infecção de profissionais de saúde e à quarentena de mais de cem pessoas. A situação mobilizou países da região, que passaram a adotar medidas preventivas em aeroportos semelhantes às implementadas durante a pandemia de Covid-19. Apesar do cenário internacional, a avaliação das autoridades brasileiras é de que a possibilidade de o patógeno chegar ao país é considerada baixa.

De acordo com a pasta, o episódio recente na Índia registrou apenas dois casos confirmados, ambos entre médicos e enfermeiros, sem indícios de transmissão comunitária ou disseminação internacional. Em nota oficial, o ministério afirmou: “Diante do cenário atual, não há qualquer indicação de risco para a população brasileira. As autoridades de saúde seguem em monitoramento contínuo, em alinhamento com organismos internacionais”. O comunicado ressalta que o Brasil mantém protocolos permanentes de vigilância e resposta a agentes altamente patogênicos, em articulação com instituições como o Instituto Evandro Chagas e a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), além da atuação conjunta com a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas/OMS).

A Organização Mundial da Saúde também avaliou que o risco de propagação do vírus é baixo e informou que não recomenda restrições a viagens ou ao comércio com a Índia em razão dos casos confirmados. Ainda assim, o Nipah integra a lista de patógenos prioritários do organismo internacional, devido ao seu potencial de provocar epidemias de grande impacto.

Identificado pela primeira vez em 1998, o vírus Nipah não é novo, mas preocupa especialistas por provocar surtos esporádicos com elevada taxa de letalidade, que pode alcançar até 75% das pessoas infectadas. A ausência de vacinas ou tratamentos específicos e o contexto de intensa circulação global de pessoas aumentam a atenção das autoridades sanitárias.

O vírus circula principalmente entre morcegos frugívoros do gênero Pteropus, considerados seus hospedeiros naturais. A transmissão pode ocorrer para outros animais e para humanos por meio do consumo de alimentos contaminados ou pelo contato direto entre pessoas infectadas. Nos seres humanos, a infecção pode se manifestar de forma variada, desde quadros respiratórios até encefalites graves e potencialmente fatais.

Os sintomas iniciais costumam incluir febre, dor de cabeça, dores musculares, vômitos e dor de garganta. Em alguns casos, a evolução clínica envolve tontura, sonolência, alteração do nível de consciência e sinais neurológicos compatíveis com encefalite aguda. Há registros também de pneumonia atípica e insuficiência respiratória severa, incluindo síndrome do desconforto respiratório agudo.

Nos quadros mais graves, a encefalite e as convulsões podem levar rapidamente ao coma, em um intervalo de 24 a 48 horas. O período de incubação geralmente varia de quatro a 14 dias, embora já tenham sido relatados casos com até 45 dias entre a infecção e o início dos sintomas. Atualmente, o manejo da doença se baseia em cuidados intensivos de suporte, voltados principalmente para o tratamento das complicações respiratórias e neurológicas.

Fonte: Brasil 247

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