“Há na mídia hegemônica uma tentativa sórdida de arrastar o governo Lula e o PT para o escândalo do Banco Master", afirmou Alberto Cantalice
A Folha de S. Paulo publicou uma matéria que tenta associar o PT ao caso Banco Master a partir de uma insinuação rasteira: o fato de o economista Paulo Gala ter participado como professor de um curso de extensão promovido pela Fundação Perseu Abramo (FPA), ligada ao partido. Em vez de apresentar qualquer elemento concreto de envolvimento partidário no escândalo, o jornal recorre à “culpa por associação”, transformando uma palestra em pretexto para tentar colar no PT e no presidente Lula o desgaste de um caso do sistema financeiro.
A reação veio de Alberto Cantalice, membro do Diretório Nacional do PT e diretor da Fundação Perseu Abramo. Em postagem nas redes, ele denunciou a operação política embutida no texto do jornal: “Há na mídia hegemônica uma tentativa sórdida de arrastar o governo Lula e o PT para o escândalo do Banco Master.” Cantalice afirmou ainda que o convite a Gala se deu por critérios acadêmicos e profissionais: “O professor Paulo Gala foi convidado pela sua atuação como economista da FGV e por sua especialização em políticas de estímulo a industrialização.”
Segundo a própria reportagem da Folha de S. Paulo, o curso foi realizado em 2025, em parceria com a Unicamp, e direcionado a filiados, militantes do partido, integrantes de movimentos sociais e servidores públicos. O objetivo, conforme anúncio da Fundação em janeiro de 2025, seria capacitar esse público em temas da conjuntura nacional, de modo a subsidiar propostas e ações para enfrentar problemas da sociedade — uma atividade típica de formação política e extensão, sem relação direta com operações bancárias.
A Folha também lista outros professores e convidados do curso, como Elias Jabbour, Ricardo Antunes e o presidente do IBGE, Márcio Pochmann, e tenta criar contraste entre a participação de Gala e a resolução divulgada pela Executiva Nacional do PT na quinta-feira (29), na qual o partido criticou “escândalos financeiros, como o do Banco Master e outros, que expõem a corrupção e a promiscuidade entre parte do mercado e o crime organizado”. O enquadramento, porém, é revelador: ao invés de aprofundar a apuração sobre o caso Master e seus responsáveis, desloca-se o foco para uma narrativa de contaminação política construída por aproximações frágeis.
A reportagem ainda afirma que Gala foi economista-chefe do Banco Master de setembro de 2021 a julho de 2025, tendo saído antes de denúncias virem a público, e registra que sua aula ocorreu em setembro, após sua saída do banco — o que reforça o caráter forçado da tentativa de vínculo. Para Cantalice, a fundação mantém sua função histórica de formação e debate, e não se presta a esse tipo de jogo. “A Fundação Perseu Abramo tem como função principal a formação política dos filiados do PT. Por seu caráter democrático, sempre ouvirá as vozes do pensamento acadêmico brasileiro. A FPA não se curva a fofocas ou notícias enviesadas.”
Fonte: Brasil 247
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