sábado, 31 de janeiro de 2026

Arena do Corinthians sofre bloqueio financeiro após liquidação da Reag

Paralisação atinge pagamentos a fornecedores da Neo Química Arena após decisão do Banco Central e investigação sobre fundos ligados ao Banco Master
      Arena Itaquera, estádio do Corinthians (Foto: Divulgação)

A liquidação da gestora de fundos Reag Trust, determinada pelo Banco Central em janeiro, provocou um impacto direto na estrutura financeira responsável pela operação da Neo Química Arena, estádio do Corinthians em Itaquera, São Paulo. Desde meados do mês, pagamentos a fornecedores vinculados ao Arena Fundo de Investimento Imobiliário (FII) estão suspensos, em razão do bloqueio das contas do fundo, que era administrado pela Reag. A situação travou repasses essenciais para o funcionamento financeiro do estádio, ainda que as atividades operacionais sigam em andamento, segundo o clube informou à Folha de São Paulo.

O Arena FII estava sob administração da Reag Trust, que teve seus bens bloqueados após o Banco Central decretar a liquidação da gestora em 15 de janeiro. A medida ocorreu no contexto de investigações conduzidas pela Polícia Federal, que apuram um esquema de fundos com valores inflados artificialmente, associados a operações do Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. A Reag é citada como uma das participantes desse arranjo financeiro investigado.

O impacto da liquidação foi confirmado pelo diretor financeiro do Corinthians, Emerson Piovesan, que detalhou as consequências imediatas da medida. “O ponto sensível no momento, em razão da liquidação da Reag, é a impossibilidade de movimentação das contas do fundo, o que impacta temporariamente o pagamento de fornecedores desde o dia 14/01”, afirmou. O dirigente não informou o volume financeiro envolvido nem quantos prestadores de serviço foram afetados pela suspensão dos pagamentos.

Segundo Piovesan, o clube trabalha para resolver a situação com a substituição da gestora e da administradora do fundo. “O clube está atuando de forma ativa para solucionar essa questão e, paralelamente, adotando todas as medidas necessárias para a substituição do gestor e do administrador do fundo”, declarou. Embora não tenha confirmado oficialmente o novo responsável, a tendência é que o acordo seja fechado com o Grupo Planner, que adquiriu a Companhia Brasileira de Serviços Financeiros (Ciabrasf), antiga administradora de fundos da Reag.

Criado para viabilizar a construção da arena, o Arena FII captou recursos junto a cotistas e, em contrapartida, passou a deter os direitos econômicos do estádio. Esses direitos incluem receitas de bilheteria, camarotes, cadeiras especiais, ingressos de temporada, eventos, publicidade, estacionamento e naming rights. O Corinthians atua como operador da arena, sendo responsável pela venda de ingressos, organização de partidas, administração de eventos e contratação de serviços.

Na dinâmica financeira, o clube arrecada os valores gerados pela operação do estádio, apura a parcela destinada ao fundo e realiza os repasses posteriormente. Com a ausência de um gestor autorizado, o Arena FII ficou sem capacidade de autorizar transferências, assinar atos de gestão ou efetuar pagamentos, o que explica a paralisação dos repasses aos fornecedores.

Apesar do impasse financeiro, o Corinthians afirma que a rotina da arena segue preservada. “Atualmente, a arena encontra-se em plena operação, não havendo, no horizonte do clube, qualquer cenário que indique a interrupção de suas atividades”, disse Piovesan. Ele também garantiu que não há impacto sobre os jogos do time profissional já programados. “Toda a operação dos jogos é realizada pelo próprio clube, incluindo a arrecadação de bilheteria e o pagamento das respectivas despesas”, acrescentou.

O balanço mais recente do Arena FII aponta valores expressivos em aberto. O fundo registra R$ 99,6 milhões em “receitas operacionais a receber” do Sport Club Corinthians Paulista. Os registros contábeis indicam que os repasses não ocorrem de forma imediata, o que faz com que valores não transferidos sejam contabilizados como crédito do fundo, afetando principalmente os cotistas.

Em nota divulgada em 16 de janeiro, o Corinthians informou que, desde agosto de 2025, após a deflagração da Operação Carbono Oculto e o avanço das investigações envolvendo a Reag, iniciou “tratativas para a substituição da administradora e da gestora do fundo, em conjunto com a Caixa Econômica Federal”.

Fonte: Brasil 247 com informações da Folha de S. Paulo

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