Rendimento médio mensal dos trabalhadores subiu para R$ 3.560, alta de 5,7% em relação a 2024, segundo o IBGE
O rendimento do trabalho no Brasil alcançou em 2025 o maior patamar já registrado desde o início da série histórica da PNAD Contínua, impulsionado pela expansão da ocupação, pela valorização do salário mínimo e pelo avanço de setores com maior formalização. A massa anual de rendimento real habitual chegou a R$ 361,7 bilhões, crescimento de 7,5% em relação a 2024, enquanto o rendimento médio mensal dos trabalhadores ocupados subiu para R$ 3.560, alta de 5,7% no mesmo período, segundo dados divulgados pelo IBGE.
De acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua, o avanço da renda ocorreu em um contexto de forte melhora do mercado de trabalho. A taxa média anual de desocupação caiu de 6,6% em 2024 para 5,6% em 2025, o menor nível desde o início da série, em 2012. Em dezembro, o desemprego atingiu 5,1%, também o menor resultado em pelo menos 13 anos, refletindo um ano de crescimento sustentado da ocupação no país.
A coordenadora de Pesquisas por Amostra de Domicílios do IBGE, Adriana Beringuy, destacou que a elevação da renda está diretamente associada à qualidade da expansão do emprego. “As atividades que mais expandiram a ocupação foram as de informação, comunicação e atividades financeiras, imobiliárias, profissionais e administrativas, como também o grupamento formado pela Administração pública, defesa, educação, saúde humana, seguridade social e serviços sociais. Essas atividades concentram contingentes de trabalhadores mais escolarizados, com vínculos mais formalizados e rendimentos mais altos, contribuindo para a expansão do rendimento médio da população ocupada”, afirmou.
Além do perfil setorial, a valorização do salário mínimo teve papel relevante na disseminação do ganho de renda. “Além desses impulsos setoriais, a valorização do salário-mínimo influenciou o ganho de rendimento nos segmentos de atividades mais elementares e menos formalizadas. Dessa forma, independente da forma de inserção na ocupação, o crescimento do rendimento foi difundido para a população ocupada como um todo”, ressaltou a pesquisadora.
O número de pessoas ocupadas também bateu recorde em 2025, alcançando 103 milhões de trabalhadores, acima dos 101,3 milhões de 2024 e bem superior aos 89,3 milhões registrados em 2012. O nível de ocupação — proporção de ocupados na população em idade de trabalhar — chegou a 59,1%, o maior da série histórica, reforçando a base ampla sobre a qual se deu a expansão da renda.
A melhora do mercado de trabalho ocorreu sem aumento da subutilização ou do desalento. Segundo Adriana Beringuy, “importante registrar que a queda da desocupação não foi provocada por aumento da subutilização da força de trabalho ou do desalento. A trajetória de queda da taxa de desocupação em 2025 foi sustentada pela expansão da ocupação, principalmente nas atividades de serviços”. A população subutilizada recuou de 18,7 milhões, em 2024, para cerca de 16,6 milhões em 2025, enquanto a taxa composta de subutilização caiu para 14,5%, o menor nível da série.
O crescimento da renda também foi favorecido pelo avanço do emprego formal. O contingente de trabalhadores do setor privado com carteira assinada chegou a 38,9 milhões em 2025, alta de 2,8% em relação ao ano anterior e o maior patamar já observado, com acréscimo de cerca de 1 milhão de pessoas. Em sentido oposto, houve leve redução no número de empregados sem carteira assinada e queda mais acentuada no contingente de trabalhadores domésticos.
Entre os trabalhadores por conta própria, o número atingiu 26,1 milhões, o maior da série histórica, com crescimento de 2,4% frente a 2024 e avanço de mais de 30% em relação a 2012. A taxa de informalidade, embora ainda elevada, manteve trajetória de queda, passando de 39,0% para 38,1% em 2025. “A taxa de informalidade seguiu em queda em 2025. Seu valor relevante, contudo, reflete característica estrutural do mercado de trabalho brasileiro”, ponderou Adriana Beringuy.
No recorte trimestral, os dados de outubro a dezembro de 2025 confirmaram o cenário positivo. A taxa de desocupação de 5,1% foi a menor da série para trimestres móveis comparáveis, com expansão da ocupação em setores como comércio e administração pública. “Após queda de ocupação registrada no 3º trimestre, o comércio apresentou recuperação no fim do ano, expandindo seu contingente de trabalhadores em diversos segmentos, com destaque para o comércio de vestuário e calçados”, explicou a coordenadora do IBGE.
Com renda média e massa salarial em níveis recordes, 2025 se consolida como um marco na série histórica da PNAD Contínua, evidenciando um mercado de trabalho mais dinâmico, com expansão do emprego, redução do desemprego e ganhos reais disseminados entre os trabalhadores.
Fonte: Brasil 247
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