sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Ratinho cresce no segundo turno e expõe peso do sobrenome na disputa de 2026

Governador do Paraná aparece competitivo contra Lula e reforça leitura de que recall pessoal segue sendo ativo central na política brasileira


O desempenho do governador do Paraná, Ratinho Júnior (PSD), nos cenários de segundo turno divulgados pelo Instituto Paraná Pesquisas chamou a atenção de analistas e do mercado por um motivo que vai além dos números.

O governador aparece competitivo contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), evidenciando o peso do reconhecimento pessoal e do sobrenome na formação das intenções de voto para 2026. A avaliação é do analista de política da XP, João Paulo Machado, no episódio do Mapa de Risco desta sexta-feira (30), programa de política do Infomoney.

No levantamento, Ratinho registra 38,9% das intenções de voto em um eventual segundo turno contra Lula. Embora o petista lidere todos os cenários testados, com média próxima de 44%, o resultado do governador paranaense se aproxima dos números obtidos por nomes mais expostos nacionalmente, como Flávio Bolsonaro (PL) e Tarcísio de Freitas (Republicanos), ambos também testados pela pesquisa.

A leitura, segundo o analista, passa menos pela consolidação de uma candidatura nacional estruturada e mais por um traço recorrente do sistema político brasileiro.

“Quando a gente conversa no mundo político em Brasília, muita gente fala: ‘Ah, mas ele não é tão conhecido assim nos rincões do país, no Nordeste, no Norte’”, observou o analista. Ainda assim, a avaliação é de que o governador “carrega muito o nome do pai dele”, apresentador de televisão com reconhecimento nacional, o que ajuda a explicar seu desempenho.

A pesquisa reforça a percepção de que a política brasileira segue fortemente personalista. Lula, que disputaria um quarto mandato presidencial, é um nome amplamente conhecido pelo eleitorado. Flávio Bolsonaro, por sua vez, “consegue alavancar desde o ‘Flávio Day’ com a indicação do seu nome por conta ali do seu sobrenome”, como apontado, beneficiando-se da transferência direta de capital político do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Nesse contexto, o desempenho de Ratinho Júnior indica que parte do eleitorado tende a responder mais ao reconhecimento simbólico do candidato do que à exposição recente no debate público. Os números próximos entre Ratinho, Flávio e Tarcísio, todos situados na faixa entre 42% e 45% nos diferentes cenários de segundo turno testados pela Paraná Pesquisas, sugerem a existência de um eleitor comum, descrito como “um eleitor que não se identifica com a esquerda”, situado entre o centro e a direita.

Esse grupo foi decisivo em 2022 e tende a voltar a ser o fiel da balança em 2026. “É esse eleitor que fica pêndulo entre a centro-esquerda e a centro-direita que faz a diferença e que vai ser o fator fundamental para quem sair vitorioso na eleição”, afirmou João Paulo Machado.

Embora os dados não indiquem, por ora, que Ratinho Júnior seja o principal nome da oposição, eles reforçam o papel do PSD como um polo relevante na disputa presidencial.

O Mapa de Risco, novo programa de política do Infomoney, vai ao ar todas as sexta-feiras, às 5h da manhã, no Youtube e no seu tocador de podcast preferido.

Fonte: InfoMoney

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