quinta-feira, 22 de janeiro de 2026

Caminhada em rodovia não foi avisada por Nikolas e é um risco à segurança, diz PRF


    Nikolas Ferreira e outros parlamentares bolsonaristas em marcha na BR-040. Foto: reprodução

A Polícia Rodoviária Federal (PRF) alertou para riscos operacionais e de segurança viária relacionados à “Caminhada pela Liberdade”, mobilização liderada pelo deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ao longo da BR-040, no trajeto entre Minas Gerais e Brasília.

Em nota divulgada nesta quarta-feira (21), a corporação informou que o parlamentar não comunicou previamente às autoridades de trânsito a realização do ato, o que inviabilizou o planejamento antecipado de medidas para reduzir riscos tanto aos participantes quanto aos motoristas que utilizam a rodovia.

Segundo a PRF, a ausência de aviso formal dificulta ações como escolta, controle de fluxo e avaliação de pontos críticos ao longo do percurso.

Mesmo sem a comunicação inicial, a PRF afirmou que acompanha o deslocamento de parlamentares e apoiadores desde o início da marcha, que começou na última segunda-feira (18), em Paracatu (MG), e tem previsão de chegada à capital federal no próximo domingo (25). O trajeto soma cerca de 240 quilômetros e, de acordo com organizadores, já reúne mais de cem pessoas.

A mobilização foi anunciada por Nikolas Ferreira por meio de uma carta aberta publicada nas redes sociais, na qual o deputado afirma protestar contra as prisões de envolvidos nos atos de 8 de janeiro de 2023 e do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

Nos últimos dias, a caminhada passou a contar com a presença de outros nomes da direita bolsonarista. Registros divulgados nas redes sociais mostram a participação dos deputados Gustavo Gayer (PL-GO) e André Fernandes (PL-CE), além do ex-vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ). A assessoria de Nikolas afirmou que, após o início da mobilização, foram encaminhados ofícios à PRF e à ANTT comunicando oficialmente o percurso, e que a documentação foi recebida e registrada no Sistema Eletrônico de Informações.

Bolsonaristas pegaram chuva durante caminhada. Foto: reprodução
A marcha, porém, tem chamado atenção não apenas pelo caráter político, mas também pelo histórico judicial de parte de seus participantes. Segundo levantamento de Vinicius Segalla, no DCM, parlamentares que aderiram ao ato acumulam investigações, denúncias, processos ou condenações por ao menos dez crimes distintos.

Entre eles está Gustavo Gayer, que responde por ter causado a morte de um cidadão ao dirigir embriagado e teria sido preso ao tentar fugir da polícia. Carlos Bolsonaro é indiciado por organização criminosa, espionagem e rachadinha. Já o deputado Luciano Zucco (PL-RS) é réu por ataques a indígenas no sul da Bahia, enquanto André Fernandes foi condenado por crime eleitoral e por ataques à imprensa.

O senador Marcos do Val, que também apareceu em registros da caminhada, está com o passaporte retido e licenciado do Senado por supostos motivos de saúde, além de ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica.

Caso sejam condenados nos processos em curso, os parlamentares que acompanham Nikolas Ferreira podem, somadas as penas, enfrentar mais de 40 anos de prisão em regime fechado.

Fonte: DCM

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