Planalto vê movimento como estratégico para posicionar Lula como interlocutor confiável ao norte-americano
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos durante encontro em Kuala Lumpur, Malásia - 26/10/2025 (Foto: REUTERS/Evelyn Hockstein)
A visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva a Donald Trump, presidente dos Estados Unidos, em Washington, é interpretada no Palácio do Planalto como um movimento estratégico para diminuir o risco de interferências externas no processo eleitoral brasileiro. A avaliação interna é de que o encontro pode funcionar como uma espécie de “vacina” política, capaz de inibir iniciativas que busquem questionar a legitimidade das eleições ou influenciar o debate público no país. As informações são da CNN Brasil.
Segundo auxiliares do governo, a expectativa é de que Lula utilize a agenda para reafirmar a Trump que o Brasil mantém um sistema eleitoral transparente e confiável, além de se apresentar como um interlocutor institucional sólido, mesmo diante de divergências políticas entre os dois governos.
Na leitura de integrantes do Executivo, o diálogo direto entre os presidentes ajudaria a reduzir tentativas de “contaminação” do cenário político brasileiro por grupos da direita que mantêm proximidade com o entorno do presidente dos Estados Unidos. Ainda que a articulação internacional do ex-deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) e do empresário Paulo Figueiredo tenha perdido força após a reaproximação entre Lula e Trump, a avaliação é de que setores conservadores seguirão buscando respaldo externo na disputa pelo Planalto.
O receio do governo brasileiro está associado à postura da política externa americana para a América Latina, especialmente em temas como a Venezuela e o apoio a lideranças conservadoras alinhadas aos interesses de Trump na região. Soma-se a isso o histórico recente das eleições nos Estados Unidos: em 2024, Lula manifestou apoio à democrata Kamala Harris, derrotada por Trump, o que torna previsível um alinhamento político distinto entre os dois presidentes.
Mesmo sem sinais públicos de apoio explícito de Trump a adversários de Lula, a preocupação central recai sobre a influência indireta dos Estados Unidos por meio das big techs, incluindo o uso de redes sociais e ferramentas de inteligência artificial no debate político. Para o Planalto, esse tipo de atuação pode ter impacto relevante no ambiente eleitoral brasileiro.
Lula e Trump conversaram por cerca de 50 minutos por telefone na segunda-feira (26) e, ao final do contato, acertaram uma visita do presidente brasileiro a Washington, prevista para março. No Itamaraty, a prioridade da agenda envolve temas comerciais, como a retirada de tarifas sobre produtos brasileiros, além da situação na Venezuela e do convite para o Brasil integrar o Conselho de Paz proposto por Trump para a reconstrução da Faixa de Gaza.
Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil
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