Eduardo Bolsonaro quer eleger um aliado ao Senado, mas a ex-primeira-dama articula outra candidatura
Tarcísio de Freitas, Rosana Valle e Michelle Bolsonaro (Foto: Reprodução/Instagram/@rosanavalleoficial)
O movimento da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro (PL) em favor da deputada federal Rosana Valle (PL) como pré-candidata ao Senado por São Paulo provocou um novo foco de atrito com Eduardo Bolsonaro (PL). O filho de Jair Bolsonaro (PL) que deixou o Brasil e passou a residir nos Estados Unidos vinha sendo tratado como nome natural da família para a disputa, mas agora tenta emplacar aliados próximos como alternativa à sua ausência, relata o Metrópoles.
A divergência ocorre porque Eduardo Bolsonaro passou a defender publicamente outros nomes do PL para ocupar o espaço que ele próprio pretendia disputar antes de se tornar alvo de investigação no Supremo Tribunal Federal (STF), sob suspeita de obstrução de Justiça ao articular sanções do governo norte-americano contra autoridades do Judiciário brasileiro. Entre os políticos citados pelo ex-deputado estão o deputado estadual Gil Diniz, além de Paulo Mansur, Marco Feliciano e Mario Frias, todos do PL e alinhados ao seu grupo político.
Michelle Bolsonaro, por outro lado, tem atuado para fortalecer o nome de Rosana Valle dentro do partido. A aproximação entre as duas se intensificou no último ano, a partir das atividades do PL Mulher, iniciativa comandada nacionalmente pela ex-primeira-dama e, em São Paulo, pela própria deputada. Integrantes da legenda relatam que foi Michelle quem solicitou ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto, a inclusão do nome de Rosana em pesquisas internas sobre a corrida ao Senado.
Em dezembro, um levantamento da Paraná Pesquisas, contratado pelo partido, indicou Rosana Valle com 8% das intenções de voto. O resultado surpreendeu dirigentes do PL, que avaliavam que a parlamentar teria desempenho mais modesto por sua atuação concentrada na Baixada Santista. Em 2024, ela disputou a Prefeitura de Santos e ampliou sua projeção estadual.
Aliados da deputada argumentam que sua candidatura pode atrair eleitores por representar um perfil feminino, evangélico e próximo a Michelle Bolsonaro, além de adotar um discurso considerado mais moderado em comparação a nomes ligados diretamente a Eduardo. Também há relatos de que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), mantém boa relação com Rosana e veria sua candidatura com simpatia. Em 2022, ela chegou a ser cogitada como vice na chapa de Tarcísio ao governo estadual, e o governador participou do ato de sua filiação ao PL.
Do outro lado, aliados de Eduardo Bolsonaro questionam a lealdade política de Rosana Valle ao projeto presidencial do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Em um vídeo publicado recentemente em seu canal no YouTube, Eduardo exibiu o perfil da deputada no Instagram para apontar a ausência de publicações em apoio ao irmão.
A disputa pelo Senado é considerada estratégica para a direita em todo o país. Em São Paulo, outros nomes já se movimentam, como o deputado federal Guilherme Derrite (PP), ex-secretário da Segurança Pública do governo estadual. Cada estado elegerá dois senadores neste ano, o que amplia o leque de possíveis candidaturas. Também circula entre aliados de Jair Bolsonaro o nome do vice-prefeito da capital paulista, Mello Araújo (PL), amigo do ex-presidente.
Segundo interlocutores do PL, após ouvir as lideranças partidárias, caberá a Jair Bolsonaro a decisão final sobre quem representará o grupo na disputa, mesmo estando preso na Papudinha. Fora do núcleo mais próximo de Tarcísio e Eduardo, outros nomes da direita tentam se viabilizar, como o deputado e ex-ministro do Meio Ambiente Ricardo Salles (Novo) e o deputado Paulinho da Força (Solidariedade).
No campo da esquerda, o cenário também é de indefinição. O PT avalia, de forma preliminar, os nomes do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e do vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB), embora aliados considerem remota a possibilidade de ambos entrarem na corrida. Outra alternativa é a ministra do Meio Ambiente, Marina Silva, que pode deixar a Rede e disputar o Senado por PSB, PSol ou PT. Já Simone Tebet (MDB), ministra do Planejamento, é defendida por aliados do presidente Lula como possível candidata, com setores do PT apostando que uma composição mais ao centro poderia ter maior apelo junto ao eleitorado paulista, historicamente inclinado a posições conservadoras.
Fonte: Brasil 247 com informações do Metrópoles
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