quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Moraes abre inquérito sigiloso para apurar se Receita e Coaf vazaram dados de ministros do STF

Investigação mira eventual quebra irregular de sigilo fiscal; caso se conecta a apurações sobre o Banco Master e amplia tensão interna no Supremo

18/11/2025 - O ministro Alexandre de Moraes, do STF, durante o julgamento da Ação Penal 2696 referente ao Núcleo 3 da trama golpista (Foto: Rosinei Coutinho/STF)

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes abriu de ofício um inquérito sigiloso para apurar se a Receita Federal e o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) acessaram e teriam compartilhado, de forma irregular, informações protegidas por sigilo fiscal envolvendo ministros da Corte e familiares.

A informação foi divulgada inicialmente pelo Poder360 e confirmada pelo jornal Estado de S. Paulo, que apurou que Receita e Coaf foram notificados nesta quarta-feira. Procurados oficialmente, STF, Receita e Coaf não se manifestaram.

Segundo a apuração, a Receita questiona o inquérito. Interlocutores do órgão afirmam que a Receita não dispõe de dados sobre contratos particulares e alegam que o acesso a informações sigilosas sem procedimento fiscal aberto é conduta sujeita a pena de demissão.

Moraes tomou a decisão na condição de presidente interino do STF. Ele assumiu o plantão da Corte na segunda-feira, 12, e o tribunal retoma suas atividades em fevereiro.

Vazamento para a imprensa

A suspeita de vazamento ganhou força após o caso do Banco Master chegar ao STF. A colunista Malu Gaspar, do jornal O Globo, revelou detalhes de um contrato atribuído ao escritório da mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes, para a defesa de interesses do Banco Master e de Daniel Vorcaro junto ao Banco Central, à Receita Federal e ao Congresso Nacional.

De acordo com o contrato, assinado em janeiro de 2024, o escritório receberia R$ 3,6 milhões por mês ao longo de três anos. Caso o acordo tivesse sido cumprido integralmente, o escritório Barci de Moraes Associados receberia R$ 129 milhões até o início de 2027.

Em outra frente relacionada ao mesmo universo de apurações, o jornal Estado de S. Paulo publicou no domingo, 18, que irmãos do ministro Dias Toffoli teriam cedido uma fatia milionária no resort Tayaya, em Ribeirão Claro (Paraná), a um fundo da Reag Investimentos. A empresa é investigada por supostamente abrigar “teias de fundos” ligados ao Banco Master e por suspeitas de sonegação bilionária no mercado de combustíveis. Toffoli é o relator das investigações sobre o banco no STF.

Nos bastidores, o tema abriu uma divisão interna. De forma reservada, um grupo de ministros defende que as investigações esclareçam se houve ou não vazamento de dados sigilosos de integrantes da Corte por órgãos federais. Outra ala, por sua vez, avalia que a abertura do novo inquérito pode ser interpretada como pressão e represália a órgãos de controle.

O contexto é de atrito crescente em torno do avanço das apurações sobre fraudes atribuídas ao Banco Master, que, segundo o jornal Estado de S. Paulo, “rachou” o STF. Na avaliação descrita pela reportagem, ministros se dividem entre críticas e aplausos à condução do caso por Toffoli e Moraes.

O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro, e o dono da instituição, Daniel Vorcaro, foi preso. Depois, foi solto e segue monitorado por tornozeleira eletrônica. Em dezembro, durante o recesso do STF, Toffoli determinou interrogatório e acareação de investigados e de um diretor do Banco Central.

A reportagem descreve ainda que uma nova operação da Polícia Federal foi autorizada por Toffoli, com buscas e apreensão contra Vorcaro e familiares. Segundo o relato, o ministro inicialmente negou que a Polícia Federal incluísse Vorcaro entre os alvos, mas mudou de posição após investigadores apontarem indícios de “novos ilícitos”.

Também chamou atenção, de acordo com o jornal Estado de S. Paulo, a ordem para que itens apreendidos na segunda fase fossem enviados ao Supremo “lacrados e acautelados” para avaliação posterior. Investigadores classificaram a medida como inédita, já que o procedimento usual é o material seguir para perícia da Polícia Federal, com extração e análise de dados.

Especialistas ouvidos pelo jornal afirmaram que a medida se afastava do que prevê o Código de Processo Penal, que atribui à Polícia Federal a custódia e a perícia do material apreendido. Os especialistas alertaram que decisões desse tipo podem abrir espaço para questionamentos futuros sobre a validade das provas, com potencial de embasar pedidos de nulidade processual.

Após as críticas, Toffoli recuou e determinou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) analisasse o material apreendido nos celulares. A abertura do novo inquérito, por sua vez, não partiu da PGR, o que foge à praxe. Um integrante da Procuradoria informou que o órgão acompanhará a apuração.

O episódio ainda reaviva debates sobre a autonomia do STF para instaurar investigações por iniciativa própria. O tribunal já mantém, desde 2019, o chamado inquérito das fake news, também aberto sem solicitação da PGR, sob sigilo e sem data para terminar. Como relatou o jornal Estado de S. Paulo, ministros da Corte admitem que o encerramento não está nos planos do relator Alexandre de Moraes, que seria visto por aliados como um instrumento para reagir a novos ataques à Corte, às instituições e à democracia. Questionado por meio da assessoria, Moraes não se manifestou.

A tendência, agora, é que o inquérito sigiloso recém-inaugurado amplie a disputa política e institucional em torno do caso Banco Master, ao mesmo tempo em que coloca no centro do debate os limites de acesso e circulação de dados sensíveis por órgãos federais e a forma como o STF reage quando seus integrantes se tornam alvo de suspeitas de exposição indevida.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Estado de S. Paulo

quarta-feira, 14 de janeiro de 2026

Prefeito Rodolfo Mota celebrou acordo para reduzir R$ 800 milhões de dívida histórica de Apucarana

Com a medida anunciada, a cidade deixa de ser a maior devedora do Brasil depois de anos ocupando essa posição


A Prefeitura de Apucarana celebrou a formalização de um acordo histórico que reduz em R$ 800 milhões o estoque da dívida do município com a União. A medida, anunciada nesta quarta-feira (14/01) pelo prefeito Rodolfo Mota, representa um marco na reorganização financeira da cidade e inaugura um novo ciclo de estabilidade fiscal.

Com a renegociação, a dívida total que assombrava o Município há 30 anos e que estava em R$ 1.254.756.203,46 em dezembro de 2025, passa para R$ 454.868.243,34, o que corresponde a uma redução de 63,74%. A partir desse novo cenário, Apucarana deixa oficialmente a condição de município mais endividado do Brasil, posição que ocupou por anos e que comprometeu a capacidade de investimento e a execução de políticas públicas.

No acordo assinado, a União figura como credora, representada pelo Banco do Brasil como agente financeiro, enquanto a Caixa Econômica Federal atua como depositária do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). O documento foi assinado pelo prefeito, por Sônia Maria de Paula, gerente-geral de Escritório de Municípios Paraná Centro do Banco do Brasil, e por Murilo Araújo Pouzato, gerente da Caixa Econômica Federal de Apucarana e superintendente de Habitação para o Norte do Paraná.


Rodolfo Mota explicou que a dívida, que ultrapassava R$ 1,254 bilhão, foi revisada após meses de trabalho técnico e negociação direta com o Tesouro Nacional. “A iniciativa começou ainda antes da minha posse e exigiu articulação institucional, coragem administrativa e persistência para enfrentar um tema que, por anos, foi adiado”, salientou, acrescentando que este acordo foi firmado na esfera administrativa.

Mesmo após o avanço histórico com a redução do valor da dívida, Rodolfo Mota afirma que o trabalho ainda não terminou. “Aproximadamente 36% da dívida original permanece em aberto, o que representa cerca de R$ 454 milhões, valor que ainda não é considerado adequado para a realidade financeira do município. Por isso, vamos discutir numa próxima etapa esse valor com a Advocacia Geral da União, para reduzir ainda mais o montante da dívida dentro de um processo que existe desde 2001, marcando o início de uma nova etapa no enfrentamento do problema”, explicou.


Somente após esse novo esforço é que o município pretende avançar para a fase de parcelamento, viabilizada pela aprovação da antiga PEC 66, que se transformou na Emenda Constitucional nº 136/2025 e garantiu um prazo de até 30 anos para quitação do saldo final. A estratégia, segundo o prefeito, é ajustar o valor à capacidade real de pagamento do município, garantindo responsabilidade fiscal sem comprometer os serviços e investimentos para a população.

O prefeito lembrou que Apucarana foi destaque negativo na imprensa por ter a maior dívida entre os municípios brasileiros, superando até mesmo capitais como São Paulo e Rio de Janeiro. “Com essa renegociação, tiramos essa marca negativa que por anos assombrava o Município. Apucarana não é mais a cidade que tem a maior dívida do Brasil”, comemorou.

O prefeito lembra que no dia 10 de setembro chegou a haver o sequestro de R$ 6 milhões do Fundo de Participação dos Municípios para o pagamento da dívida bilionária com a União. Na sequência, o Município conseguiu uma liminar Junto ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região, em Brasília, suspendendo por seis meses a dívida.

O prefeito ressaltou que o momento não se limita a números. “Trata-se de um legado para o futuro, com impacto direto na capacidade de investimento do município, na retomada de obras, no acesso a crédito e na recuperação da credibilidade financeira de Apucarana perante órgãos federais e instituições bancárias, o que vai melhorar a vida das pessoas”, destacou.

Rodolfo Mota destacou que o acordo é resultado de um trabalho técnico, jurídico e institucional conduzido com responsabilidade e foco no interesse público. “Estamos virando a página de uma dívida que se arrastava há décadas. Essa renegociação devolve previsibilidade ao município e cria condições reais para cuidar melhor das pessoas e construir o futuro de Apucarana”, afirmou.

A deputada federal Luísa Canziani afirmou que o dia representa uma conquista coletiva e um privilégio para todos que participam da vida pública do município. “A conquista exigiu coragem política e responsabilidade fiscal, qualidades essenciais para qualquer gestor público comprometido com o futuro da cidade”, disse, destacando ainda o fato de Apucarana deixar de ser a cidade mais endividada do Brasil, classificando o resultado como uma “virada de página” na história local.


O deputado estadual Jacovós classificou o acordo como um registro histórico para Apucarana. Ele destacou que, além da redução da dívida, o município já assegurou mais de R$ 100 milhões em recursos em apenas um ano. “Somado com a conquista anunciada hoje, isso resulta em R$ 900 milhões em ganhos diretos, o que fortalece a capacidade de investimento e beneficia toda a população”, destacou.

Ao longo desta renegociação, o prefeito Rodolfo Mota participou de mais de 30 agendas para tratar da dívida, envolvendo ligações telefônicas, reuniões presenciais em Brasília e no município. Muitos desses contatos foram mantidos com Edward Jacomo do Couto Souza, assessor da diretoria de governo do Banco do Brasil, que participou do evento desta quarta-feira por meio de uma vídeo chamada. Edward avaliou que a solução encontrada é o melhor caminho institucional e poderá servir de referência para outros municípios brasileiros. Ele destacou também a iniciativa, a dedicação e a persistência do prefeito Rodolfo Mota, afirmando que o acordo resolve um dos maiores entraves da história de Apucarana e projeta um futuro mais estável e promissor para a cidade.

O anúncio foi feito durante evento que ocorreu no Salão Nobre, seguido de uma entrevista coletiva de imprensa, com a presença de vereadores Danylo Acioli, Moisés Tavares, líder do prefeito, Gabriel Caldeira, Tiago Cordeiro, Eliana Rocha, Sidnei da Levelimp, Pablo da Segurança, Luciano Facchiano e Guilherme Livoti que participou de forma remota, além de representantes de entidades da sociedade civil organizada e integrantes das forças de segurança.

Rodolfo Mota também mencionou outros deputados que, mesmo impossibilitados de estarem presentes no ato, tiveram participação na construção deste momento histórico, como o deputado estadual e secretário estadual do Trabalho, Do Carmo, Marco Brasil, secretário da Indústria Comércio e Serviços do Paraná, além do deputado estadual Arilson Chiorato e do deputado federal Felipe Francischini.

Segundo a administração municipal, a redução expressiva do passivo financeiro fortalece a saúde fiscal do município, amplia a capacidade de investimento e garante mais segurança para a execução de projetos estruturantes. A Prefeitura ressalta que, embora o acordo represente um passo decisivo, o processo de reconstrução financeira segue em andamento, com transparência, responsabilidade e compromisso com a população.


Fonte: Prefeitura de Apucarana

Prefeitura de Apucarana estrutura 1º Censo da Pessoa em Situação de Rua com foco em dados, planejamento e políticas públicas mais eficazes

Levantamento inédito, que será realizado em parceria com o Governo do Paraná, vai mapear perfis, demandas e subsidiar ações mais eficazes de assistência social no município


A Prefeitura de Apucarana deu início à estruturação do 1º Censo Municipal da Pessoa em Situação de Rua, iniciativa inédita que marca uma nova etapa no planejamento das políticas públicas de assistência social do município. Técnicos da Secretaria Municipal de Assistência Social receberam, nesta quarta-feira (14/01), no Centro Social Urbano do Parque Bela Vista, representantes do Governo do Estado para alinhamento institucional do censo e definição de procedimentos para um mutirão de ações integradas.

O trabalho será desenvolvido em parceria com o Governo do Paraná, por meio da Secretaria de Estado da Justiça e Cidadania (Seju) e da Secretaria de Estado do Desenvolvimento Social e Família (Sedef). O levantamento tem como objetivo mapear perfis, identificar demandas e produzir dados técnicos e confiáveis para embasar políticas públicas mais eficazes, humanas e integradas.

Segundo o prefeito Rodolfo Mota, o censo representa um avanço estratégico na forma como Apucarana passa a tratar a pauta social. “Não é possível cuidar das pessoas sem conhecer a realidade com profundidade. O censo vai nos permitir sair do achismo e trabalhar com dados concretos, técnicos e confiáveis, garantindo planejamento responsável, uso correto dos recursos públicos e ações mais eficazes. Nosso compromisso é tratar essa pauta com seriedade, sensibilidade social e integração entre município e Estado, para construir soluções que respeitem a dignidade humana e promovam inclusão, acolhimento e oportunidades reais de superação”, destacou.

Desde o final do ano passado, a administração municipal atua de forma integrada com o Estado na construção das metodologias que irão subsidiar tanto o censo quanto o mutirão, previstos para ocorrer entre os dias 16 e 20 de março. A secretária municipal de Assistência Social, Fabíola Carrero, reforça que o levantamento vai garantir um diagnóstico amplo, técnico e transparente sobre a população em situação de rua em Apucarana. “O trabalho reunirá dados atualizados, identificando perfis, mapeando demandas e subsidiando a formulação de políticas públicas orientadas por evidências”, afirmou, informando ainda que uma última reunião de planejamento será realizada em Curitiba antes do início das ações em campo.

Além do censo municipal, o mutirão de ações prevê o mapeamento dos territórios com maior incidência, abordagens integradas entre equipes de assistência social, saúde e segurança pública, oferta de serviços de saúde diretamente em campo, escutas qualificadas, diagnósticos individualizados, atualização dos fluxos de atendimento para respostas mais rápidas, além de campanhas de orientação e conscientização da população.

Pela Seju, participaram da reunião de alinhamento Jean Carlo Anselmo Ribeiro, da Unidade Técnica do Projeto Paraná em Ação (UTPA), e Rodrigo Müller do Valle, da Coordenação de Cidadania (COCID). Já pela Sedef, estiveram presentes a assistente social Juliana Rinaldi e a psicóloga Bianca Larangeira, da Instância de Atuação Regional Avançada de Apucarana (IARA Apucarana), além de Bruna Pereira de Souza, chefe do Núcleo Regional Londrina/IARA Apucarana/IARA Ivaiporã.


Fonte: Prefeitura de Apucarana

Gonet aceita pedidos da defesa de Bolsonaro, e Moraes decidirá sobre redução de pena

PGR é favorável à assistência religiosa, leitura para remição e vistoria do Senado, mas rejeita acesso a smart TV no cárcere

      Paulo Gonet (Foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, manifestou-se favoravelmente a parte dos pedidos apresentados pela defesa de Jair Bolsonaro no âmbito da execução penal que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), sob relatoria do ministro Alexandre de Moraes. Cabe agora ao magistrado a decisão final sobre a concessão dos benefícios e sobre eventual impacto das medidas na execução da pena imposta ao ex-presidente.

A posição da Procuradoria-Geral da República consta em parecer datado de terça-feira (14), no processo de Execução Penal nº 169, em tramitação no STF. O documento foi divulgado pelo Ministério Público Federal e analisa solicitações formuladas após a transferência de Bolsonaro para a Superintendência Regional da Polícia Federal no Distrito Federal.

Entre os pedidos acolhidos pela PGR está o de assistência religiosa. Segundo o parecer, o direito está amparado pelo artigo 24 da Lei de Execução Penal, que assegura a liberdade de culto às pessoas privadas de liberdade. Nesse contexto, Gonet considerou cabível a visita do bispo Robson Lemos Rodovalho e do pastor Thiago de Araújo Macieira Manzoni, desde que observadas as regras internas da unidade e que os encontros tenham finalidade exclusivamente espiritual.

Outro ponto com manifestação favorável diz respeito à remição de pena por meio da leitura. A Procuradoria-Geral destacou que, conforme o artigo 126 da Lei de Execução Penal e a Resolução nº 391/2021 do Conselho Nacional de Justiça, o benefício pode ser concedido independentemente de participação em projetos específicos ou listas prévias de obras, desde que sejam respeitadas as normas regulamentares e as condições logísticas da Polícia Federal.

O parecer também reconhece a legitimidade do pedido apresentado pela senadora Damares Alves para a realização de vistoria institucional no local de custódia, no exercício das atribuições fiscalizatórias da Comissão de Direitos Humanos e Participação Legislativa do Senado Federal. Para a PGR, não há impedimento à inspeção, desde que ela seja compatibilizada com os regulamentos internos da Superintendência da Polícia Federal, de modo a preservar o funcionamento regular da unidade.

Em sentido contrário, Paulo Gonet se posicionou contra o pedido de acesso a uma smart TV. A defesa havia argumentado que o equipamento seria utilizado apenas para o acompanhamento de notícias, inclusive por meio do YouTube, sem acesso a redes sociais ou comunicação com terceiros. No entanto, a PGR avaliou que a conexão permanente à internet inviabilizaria o controle judicial das restrições impostas ao sentenciado. Segundo o parecer, o acesso à informação pode ser garantido por outros meios que não comprometam a disciplina interna nem as determinações judiciais, como eventual televisão a cabo sem recursos interativos, desde que tecnicamente viável e custeada pelo próprio apenado.

Com isso, a Procuradoria-Geral da República concluiu pelo deferimento da assistência religiosa, pela autorização para o início das atividades de leitura com fins de remição de pena, pela permissão da vistoria do Senado Federal no local de custódia e pelo indeferimento do acesso a aparelho do tipo smart TV. A decisão final sobre os pedidos, incluindo eventual impacto na execução da pena, caberá agora ao ministro Alexandre de Moraes.

Fonte: Brasil 247

Copa do Mundo é atingida por suspensão dos EUA nos vistos de imigração para 75 países


Donald Trump e Gianni Infantino, presidente da Fifa, durante sorteio dos grupos da Copa do Mundo de 2026. Foto: Imago

O Departamento de Estado dos Estados Unidos informou nesta quarta-feira que vai suspender o processamento de vistos de imigração para cidadãos de 75 países. A lista inclui nações que participarão da Copa do Mundo da FIFA de 2026, que será sediada conjuntamente por Estados Unidos e México.

Segundo o porta-voz do Departamento de Estado, Tommy Pigott, a medida interrompe a concessão de vistos com base na nacionalidade e faz parte de uma revisão mais ampla do sistema migratório. De acordo com ele, o objetivo é impedir práticas que, na visão do governo, exploram o sistema de imigração norte-americano.

Pigott afirmou que a administração Trump pretende barrar a entrada de estrangeiros que, segundo o governo, buscariam acessar programas de assistência social e outros benefícios públicos. Durante esse período, o processamento de vistos de imigração desses países ficará pausado enquanto os procedimentos são reavaliados.

A secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, publicou nas redes sociais que países como Somália, Rússia e Irã estão entre os afetados. Ela também divulgou um link para uma reportagem da Fox News que apresenta a relação completa.

De acordo com essa lista, os países atingidos são: Afeganistão, Albânia, Argélia, Antígua e Barbuda, Armênia, Azerbaijão, Bahamas, Bangladesh, Barbados, Belarus, Belize, Butão, Bósnia, Brasil, Mianmar, Camboja, Camarões, Cabo Verde, Colômbia, Costa do Marfim, Cuba, República Democrática do Congo, Dominica, Egito, Eritreia, Etiópia, Fiji, Gâmbia, Geórgia, Gana, Granada, Guatemala, Guiné, Haiti, Irã, Iraque, Jamaica, Jordânia, Cazaquistão, Kosovo, Kuwait, Quirguistão, Laos, Líbano, Libéria, Líbia, Macedônia, Moldávia, Mongólia, Montenegro, Marrocos, Nepal, Nicarágua, Nigéria, Paquistão, República do Congo, Rússia, Ruanda, São Cristóvão e Névis, Santa Lúcia, São Vicente e Granadinas, Senegal, Serra Leoa, Somália, Sudão do Sul, Sudão, Síria, Tanzânia, Tailândia, Togo, Tunísia, Uganda, Uruguai, Uzbequistão e Iêmen.

O Departamento de Estado informou que não divulgou oficialmente, até o momento, uma lista própria consolidada.
O estádio MetLife Stadium, em Nova Jersey, receberá a final da Copa do Mundo de 2026. Foto: Matthew Ashton/Getty Images
Em relação à Copa do Mundo, a agência AFP destacou que a decisão não atinge vistos de turismo, negócios ou outras categorias temporárias. Isso inclui torcedores que pretendem viajar aos Estados Unidos para acompanhar o torneio. Ainda assim, o governo norte-americano reafirmou que todos os solicitantes terão seus históricos em redes sociais analisados.

O Departamento de Estado orientou viajantes estrangeiros a garantir que possuem a documentação adequada. Em comunicado, afirmou que portadores de ingressos da Copa que ainda não agendaram entrevistas para visto, em locais onde a próxima data disponível seja posterior ao início do torneio, devem aguardar a abertura dos agendamentos específicos do programa FIFA PASS, prevista para o início de 2026.

Quem já tem entrevista marcada antes do início da Copa deve comparecer normalmente. O governo reforçou que todos os visitantes precisam portar passaporte válido por pelo menos seis meses além do período de permanência pretendido, salvo exceções previstas. Também foi lembrado que cidadãos dos países incluídos no Programa de Isenção de Vistos podem solicitar entrada por meio do sistema eletrônico ESTA, enquanto os demais precisam do visto de visitante B1/B2.

Fonte: DCM

Policiais federais rebatem Toffoli e negam “inércia” no caso Master


Agentes da Polícia Federal durante a segunda fase da operação Compliance Zero. Foto: Divulgação

Investigadores da Polícia Federal reagiram às reclamações do ministro Dias Toffoli sobre uma suposta “inércia” da corporação na deflagração da segunda fase da Operação Compliance Zero, que apura fraudes envolvendo o Banco Master e o BRB. Ouvidos sob reserva, agentes afirmaram que a avaliação do magistrado não corresponde ao que ocorreu nos bastidores da investigação.

Segundo uma fonte próxima ao caso, a PF vinha aguardando há meses a viabilização da operação. “Pelo contrário, passamos meses esperando essa operação”, disse um investigador à coluna de Bela Megale no jornal O Globo.

Na mesma decisão, o ministro autorizou a prisão preventiva de Fabiano Zettel, cunhado de Daniel Vorcaro, além de mandados de busca e apreensão contra os empresários Nelson Tanure e João Carlos Mansur. Toffoli afirmou que havia autorizado as diligências no dia 7 e determinado seu cumprimento em 24 horas a partir do dia 12.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Nelson Jr./SCO/STF
No despacho, o ministro argumentou que o atraso poderia comprometer a investigação. “Causa espécie a esse relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa”, escreveu.

Investigadores da PF, no entanto, explicaram que a operação não foi deflagrada antes porque a corporação ainda não tinha em mãos todos os endereços necessários. O último deles, segundo relataram, só foi obtido na noite de terça-feira (13), o que levou a um pedido urgente ao STF.

O próprio Toffoli destacou que a PF acionou o Supremo às 19h13 daquela noite, e que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifestou favoravelmente às solicitações às 20h49. Na petição, a PF sustentou que o embarque iminente de Zettel para Dubai representava uma “oportunidade única” para aprofundar as apurações e reunir novas provas relacionadas aos crimes investigados.

Fonte: DCM com informações do jornal O Globo

Brasil e mais 74 países: veja quem teve vistos congelados pelo governo Trump

 

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante assinatura de decreto na Casa Branca. 
Foto: Jim Watson/AFP

O Departamento de Estado dos Estados Unidos confirmou nesta quarta (14) a suspensão da concessão de vistos de imigração para cidadãos de 75 países, incluindo o Brasil, por tempo indeterminado. A medida começa a valer em 21 de janeiro.

Em nota oficial, o órgão afirmou que “o Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigração de 75 países, cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em taxas inaceitáveis”.

Segundo o comunicado, o congelamento seguirá em vigor até que os Estados Unidos garantam que novos imigrantes “não irão extrair riqueza do povo americano”. Segundo um memorando interno obtido pela Fox News, funcionários consulares foram orientados a não conceder vistos de imigração enquanto os critérios de triagem e verificação passam por reavaliação. O objetivo declarado é barrar candidatos considerados “propensos a se tornarem um encargo público” para o Estado americano.

Desde novembro, consulados já vinham aplicando regras baseadas na cláusula de “encargo público” da lei de imigração. Entre os fatores analisados estão idade, situação financeira e condições físicas. Nesse contexto, idosos e pessoas obesas podem ter pedidos negados com base na avaliação de risco.

“O Departamento de Estado usará sua autoridade de longa data para considerar inelegíveis potenciais imigrantes que se tornariam um fardo para os Estados Unidos”, disse o porta-voz Tommy Pigott.
Visto americano. Foto: Reprodução
Além do Brasil, a lista inclui Afeganistão, Iraque, Iêmen e Tailândia. A secretária de imprensa da Casa Branca confirmou também a presença de Somália, Rússia e Irã. A medida foi criada meses antes da realização da Copa do Mundo, que ocorre em junho.

O endurecimento faz parte da política migratória do segundo governo de Donald Trump. Desde que reassumiu a Presidência, o governo revogou mais de 100 mil vistos, número recorde. Também foram ampliadas checagens em redes sociais e intensificadas ações de deportação.

Segundo o Departamento de Segurança Interna, mais de 605 mil pessoas já foram deportadas, enquanto outras 2,5 milhões deixaram o país voluntariamente. Em novembro, após um ataque perto da Casa Branca, Trump declarou que pretendia “suspender permanentemente” a imigração de países que classificou como “do Terceiro Mundo”.

Veja a lista de países que terão os vistos congelados:

Américas:
1 – Antígua e Barbuda
2 – Bahamas
3 – Barbados
4 – Belize
5 – Brasil
6 – Colômbia
7 – Cuba
8 – Dominica
9 – Granada
10 – Guatemala
11 – Haiti
12 – Jamaica
13 – Nicarágua
14 – Santa Lúcia
15 – São Vicente e Granadinas

África:
16 – Argélia
17 – Camarões
18 – Cabo Verde
19 – Costa do Marfim
20 – República Democrática do Congo
21 – Egito
22 – Eritreia
23 – Etiópia
24 – Gâmbia
25 – Gana
26 – Guiné
27 – Libéria
28 – Líbia
29 – Marrocos
30 – Nigéria
31 – República do Congo
32 – Ruanda
33 – Senegal
34 – Serra Leoa
35 – Somália
36 – Sudão do Sul
37 – Sudão
38 – Tanzânia
39 – Togo
40 – Tunísia
41 – Uganda
42 – Iêmen

Ásia e Oriente Médio:
43 – Afeganistão
44 – Armênia
45 – Azerbaijão
46 – Bangladesh
47 – Butão
48 – Burma (Myanmar)
49 – Camboja
50 – Coreia do Norte
51 – Filipinas
52 – Geórgia
53 – Irã
54 – Iraque
55 – Jordânia
56 – Cazaquistão
57 – Kuwait
58 – Quirguistão
59 – Laos
60 – Líbano
61 – Mongólia
62 – Nepal
63 – Paquistão
64 – Síria
65 – Tailândia
66 – Uzbequistão
67 – Vietnã

Europa e Oceania:
68 – Albânia
69 – Bielorrússia
70 – Bósnia e Herzegovina
71 – Fiji
72 – Kosovo
73 – Macedônia do Norte
74 – Moldávia
75 – Rússia

Fonte: DCM

EUA: congelamento de vistos não afeta turistas, diz Departamento de Estado

Mulher com passaporte e visto americano nas mãos. Foto: Reprodução

O congelamento de vistos anunciado pelo governo dos Estados Unidos nesta quarta (14) não afeta turistas nem viagens a negócios. Segundo o Departamento de Estado, a medida se aplica exclusivamente a vistos de imigração, ou seja, àqueles destinados a estrangeiros que pretendem residir de forma permanente no país.

Em nota oficial, o órgão esclareceu que vistos classificados como “não imigrantes” seguem valendo normalmente. Nessa categoria estão incluídos os vistos de turismo, negócios, estudos, intercâmbio, trabalho temporário e tratamento médico.

“O Departamento de Estado suspenderá o processamento de vistos de imigrantes de 75 países cujos migrantes recebem benefícios sociais do povo americano em taxas inaceitáveis. O congelamento permanecerá em vigor até que os EUA possam garantir que os novos imigrantes não irão extrair riqueza do povo americano”, informou o departamento.

A medida começa a valer em 21 de janeiro e não tem prazo para terminar. Atualmente, os Estados Unidos oferecem mais de 60 tipos de visto de entrada. Desses, mais de 30 são classificados como vistos de não imigrantes, que permitem permanência temporária no país, incluindo categorias específicas para cidadãos de países como México, Austrália, Chile e Singapura.

Entre os vistos que não serão afetados estão os de turismo (B2), negócios (B1), estudantes (F e M), intercâmbio (J), trabalho temporário (H, L, O, P) e jornalistas (I), além de diversas outras modalidades voltadas a permanências limitadas.

Já o congelamento anunciado atinge apenas vistos de imigração, como os baseados em vínculo familiar, trabalho patrocinado por empregador, investidores, diversidade e imigrantes especiais. Essas categorias são destinadas a estrangeiros que buscam residência permanente nos Estados Unidos.

Fonte: DCM

Caso Master: Toffoli manda PF enviar itens apreendidos “lacrados” ao STF


Relógios, arma e carro apreendido durante operação da PF contra o Banco Master. Foto: Reprodução

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Dias Toffoli determinou que todos os itens apreendidos na segunda fase da Operação Compliance Zero sejam entregues diretamente à Corte devidamente “lacrados e acautelados”. A ordem vale até que o próprio magistrado faça uma avaliação do material recolhido pela investigação.

A decisão foi proferida nesta quarta (14)e envolve bens e documentos apreendidos pela Polícia Federal durante a operação que apura suspeitas de fraudes financeiras ligadas ao Banco Master. O despacho estabelece que todo o material fique sob guarda do STF até nova determinação judicial.

Nos bastidores, a medida causou estranheza entre investigadores da PF, segundo a coluna de Daniela Lima no UOL. A corporação tenta entender se precisará de autorização expressa do ministro para ter acesso aos dados apreendidos, o que poderia impactar o andamento da apuração e a análise do conteúdo recolhido nas buscas.

O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Reprodução
No despacho, Toffoli escreve: “Determino que todos os bens e materiais apreendidos por força do cumprimento da decisão por mim anteriormente proferida, e aqueles resultantes do cumprimento da presente, deverão ser lacrados e acautelados diretamente na sede do Supremo Tribunal Federal, até ulterior determinação”.

A mesma decisão também registra uma cobrança pública à Polícia Federal. O ministro criticou o atraso no cumprimento de ordens judiciais relacionadas à operação que levou à prisão do cunhado de Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master.

Nesse trecho, Toffoli determinou explicações formais à cúpula da corporação. “Determino, ainda, que o diretor-geral do Departamento de Polícia Federal, no prazo subsequente de 24 horas, informe a esta Corte a razão do descumprimento da ordem por mim anteriormente exarada para cumprimento das medidas em prazo legal estabelecido”, afirmou o ministro.

Fonte: DCM

“Falta de empenho”: Toffoli reclama de demora da PF em operação no caso Master


                O ministro do Supremo Tribunal Federal Dias Toffoli. Foto: Nelson Jr./SCO/STF

O ministro Dias Toffoli, relator do caso Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), reclamou da Polícia Federal e disse que a corporação demonstrou “falta de empenho” no cumprimento de medidas cautelares contra Daniel Vorcaro, CEO do Master, e pessoas ligadas ao banco.

Segundo a decisão do ministro, as medidas cautelares foram solicitadas no dia 6 de janeiro. No dia seguinte, Toffoli determinou que o cumprimento ocorresse a partir do dia 12, no prazo de 24 horas, o que não foi respeitado.

Para o ministro, o atraso comprometeu a eficácia da operação e colocou em risco a preservação de provas relevantes. Ao justificar a cobrança pública, Toffoli afirmou que a demora pode ter permitido a descaracterização de provas essenciais.

“Causa espécie a esse Relator não só o descumprimento do prazo por mim estabelecido para cumprimento das medidas cautelares ordenadas, posto que resta claro que outros envolvidos podem estar descaraterizando as provas essenciais ao deslinde da causa”, escreveu.

No mesmo despacho, o ministro responsabilizou diretamente a PF por prejuízos às investigações. “Eventual frustração do cumprimento das medidas requeridas decorre de inércia exclusiva da Polícia Federal”, prosseguiu.

Daniel Vorcaro, CEO do Banco Master. Foto: Reprodução

As reclamações ocorreram no contexto da nova fase da Operação Compliance Zero, deflagrada nesta quarta (14), com cumprimento de 42 mandados de busca e apreensão. Os alvos incluem endereços ligados a Vorcaro, seu pai, sua irmã e seu cunhado em São Paulo, além do empresário Nelson Tanure e do investidor João Carlos Mansur, ex-presidente da Reag Investimentos.

Por determinação de Toffoli, todos os documentos, bens e materiais apreendidos devem ser lacrados e encaminhados diretamente ao STF. Entre os itens recolhidos estão celulares, carros de luxo e outros bens de alto valor, além de medidas de sequestro e bloqueio de ativos que superam R$ 5,7 bilhões.

A investigação aponta a prática de novos ilícitos pelo grupo, incluindo captação de recursos, aplicação em fundos e posterior desvio para o patrimônio pessoal de Vorcaro e familiares. O celular do banqueiro foi apreendido, assim como o de Nelson Tanure, localizado no aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, quando embarcaria em um voo nacional.

Fonte: DCM