quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Bolsonaro vê chance de anular condenação após revisão criminal na 2ª Turma do STF; entenda

       O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). Foto: Reprodução

A defesa de Jair Bolsonaro (PL) prepara uma nova ofensiva jurídica para tentar anular sua condenação por tentativa de golpe de Estado, apostando na revisão criminal, que pode levar o caso à Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) — hoje considerada mais favorável ao ex-presidente.

O movimento pode adiar o desfecho do processo e reabrir a discussão sobre as sentenças impostas pela Primeira Turma.

A revisão criminal é um instrumento que permite reavaliar condenações já transitadas em julgado — quando não há mais recursos disponíveis. O pedido só pode ser feito em situações excepcionais, quando há provas novas, indícios de falsidade nas evidências usadas para a condenação ou violação da lei.

Especialistas ouvidos pelo Estadão, porém, avaliam que essas hipóteses não se aplicam diretamente ao caso de Bolsonaro, mas reconhecem que as defesas podem usar o dispositivo para tentar reabrir o julgamento.

O regimento interno do STF determina que revisões criminais sejam distribuídas à turma oposta à que proferiu a decisão — o que transferiria o caso à Segunda Turma, agora integrada por Luiz Fux, Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Kassio Nunes Marques e André Mendonça.

Com a mudança recente — Fux passou à Segunda Turma após o anúncio da aposentadoria de Luís Roberto Barroso —, juristas acreditam que o novo colegiado pode oferecer maior margem de interpretação favorável à defesa.

◉ Julgamento dos embargos e novo movimento das defesas

A condenação de Bolsonaro está na fase final de embargos de declaração, cujo julgamento foi marcado pela Primeira Turma para 7 de novembro. Essa etapa serve para apontar supostos erros ou omissões na decisão, mas dificilmente altera o resultado, já que os ministros Alexandre de Moraes, Flávio Dino, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin rejeitaram as teses da defesa em fases anteriores.

Encerrado esse ciclo e com a execução da pena determinada por Moraes, abre-se o caminho para o pedido de revisão criminal, que seria o primeiro passo de uma nova estratégia jurídica.

O criminalista Marcelo Crespo, da ESPM, explica que o instrumento “só é cabível após o trânsito em julgado” e, conforme o regimento, deve ser analisado “pela turma oposta à que julgou o caso, para evitar que os mesmos ministros revisem a própria decisão”.

Crespo afirma que, “com a atual composição, é provável que o tema ganhe contornos políticos”, apontando o potencial impacto da mudança de Fux na correlação de forças do tribunal.
O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF). Foto: Gabriela Biló/Folhapress

◉ Turmas e possíveis efeitos políticos

As turmas do STF são responsáveis por julgar os casos criminais. No julgamento do núcleo central da trama golpista, Fux votou pela absolvição de seis dos oito réus, o que reforça a percepção de que a Segunda Turma tende a ser mais receptiva às teses das defesas.

Para o professor Gustavo Badaró, da USP, autor de um parecer usado pela defesa de Bolsonaro, o argumento mais provável na revisão será o de que a decisão “contrariou a lei penal ou as provas dos autos”. “Será interessante observar como o tribunal vai se comportar diante dessa nova configuração. O resultado é imprevisível”, afirmou.

Segundo advogados de três réus, a estratégia é ingressar com revisão criminal acompanhada de pedido de efeito suspensivo, para que os condenados aguardem em liberdade enquanto o caso é reavaliado.

◉ Debate sobre a atuação de Fux e próximos passos

Há divergência entre juristas sobre se Luiz Fux poderá atuar na revisão, já que ele participou do julgamento original na Primeira Turma. Parte dos advogados entende que sim, por se tratar de uma nova ação; outros consideram que isso configuraria conflito de competência.

Badaró defende que “o novo processo seria analisado no mesmo grau de jurisdição, sem configurar impedimento formal”, mas reconhece que o pedido de efeito suspensivo tem poucas chances de prosperar. “Às vezes os tribunais concedem esse benefício, mas é exceção, não regra”, disse.

Já o criminalista Renato Vieira avalia que Fux deveria alegar suspeição por já ter vínculo com o caso: “Em meu juízo, essencialmente ele seria impedido, sim. Mas é um tema que certamente será alvo de questionamento. E, com a revisão, um novo capítulo se abre no Supremo”.

Fonte: DCM

quarta-feira, 29 de outubro de 2025

Ipardes lança coletânea de notas técnicas sobre o PIB da cultura, economia verde e turismo

Publicação traz informações sobre o PIB estadual nas três áreas, além do Índice de Desempenho das Atividades Turísticas no Paraná e os impactos socioeconômicos das operações de fomento realizadas pela Secretaria Estadual da Cultura. Informações vão subsidiar políticas públicas e ofertar conhecimento sobre a realidade paranaense à população.

Ipardes lança coletânea de notas técnicas sobre o PIB da cultura, economia verde e turismo
Foto: IPARDES

O Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes), vinculado à secretaria estadual do Planejamento (SEPL), lançou nesta semana a “Coletânea de Notas Técnicas – 2023-2024”. A publicação traz informações sobre o Produto Interno Bruno (PIB) paranaense nas áreas da cultura, economia verde e atividades turísticas, além do Índice de Desempenho das Atividades Turísticas no Paraná (IDAT-PR) e os impactos socioeconômicos das operações de fomento realizadas pela Secretaria de Estado da Cultura (SEEC).

O diretor-presidente do Ipardes, Jorge Callado, afirmou que a coletânea tem grande relevância para a elaboração de políticas públicas do Estado. “É mais um produto importante que o Ipardes coloca à disposição da sociedade, alinhado à nossa missão de realizar estudos e pesquisas socioeconômicas e socioambientais para orientar e subsidiar a formulação de políticas públicas estaduais e prover conhecimento sobre a realidade paranaense à sociedade em geral”, comentou.

Para o secretário estadual do Planejamento, Ulisses Maia, a publicação contribui para a tomada de decisões e o planejamento do Paraná para os próximos anos. “Com essa iniciativa, a secretaria e o Ipardes reforçam sua competência na obtenção de dados estratégicos em setores como Cultura, Economia Verde e Turismo, com o objetivo de melhorar o planejamento e, consequentemente, proporcionar melhor qualidade de vida à população”, disse.

CULTURA – As notas técnicas do órgão são breves abordagens sobre temas relevantes para a agenda de pesquisa e planejamento do Estado. No caso da cultura, o objetivo foi medir a dimensão deste setor no Paraná em termos econômicos, oferecendo informações adicionais para a elaboração de políticas públicas para o segmento. O relatório traz dados de 2010 a 2021.

De acordo com a publicação, o PIB da cultura paranaense alcançou R$ 9,5 bilhões em 2021, uma participação de 1,7% no valor total do Produto Interno Bruto do Estado, que foi de R$ 550 bilhões. Nesse período, o setor cultural ainda sofria com os impactos da pandemia.

No campo de fomento feito pela SEEC, foram identificados acréscimos anuais ao agregado econômico que variaram de R$ 35 milhões (2020) a R$ 80,5 milhões (2024), em alinhamento aos volumes de crédito efetivamente destinados à área. No campo tributário, estima-se que R$ 3,1 milhões em ICMS ingressaram nos cofres públicos do Estado no ano passado.

ECONOMIA VERDE E TURISMO – Já a economia verde, modelo econômico que tem o objetivo de melhorar o bem-estar da população ao mesmo tempo em que procura reduzir os riscos ambientais e ampliar o uso racional de recursos naturais, registrou PIB de R$ 140,1 bilhões em 2020, correspondendo a 32,9% do PIB total do Estado a preços básicos (valor que a atividade econômica adiciona aos bens e serviços, sem incluir impostos sobre os produtos e subsídios).

No turismo, a participação no PIB estadual em 2021 foi de 2,54%, com R$ 12,03 bilhões de um total de R$ 474,5 bilhões, resultado melhor que o registrado em 2020 (2,25% - R$ 9,6 bilhões), primeiro ano da pandemia de Covid-19. O Ipardes também destaca que de 2010 a 2021, mais de 95% do valor total decorreu das atividades do turismo ligadas ao setor de serviços.

Em 2021, cerca de 52% do valor do PIB a preços básicos das atividades turísticas paranaenses estava atrelado às atividades de alojamento e alimentação, 21% às atividades de transporte, armazenagem e correio e 20% às atividades administrativas e serviços complementares.

Ainda no campo turístico, o Índice de Desempenho das Atividades Turísticas no Paraná foi criado com o objetivo de acrescentar elementos à análise das futuras ações para a promoção do setor no Estado. As cidades que obtiveram os maiores desempenhos no IDAT em 2022 foram Curitiba, Guaratuba, Matinhos, Foz do Iguaçu, Maringá, Porto Rico, Fernandes Pinheiro, Verê, Santa Terezinha de Itaipu, Guaíra, Iretama, Cornélio Procópio, Ribeirão Claro e Iguaraçu, com notas entre 0,494 e 1,000. A publicação traz dados dos 399 municípios paranaenses.

Fonte: AEN

VÍDEO – Boulos toma posse e pede silêncio por vítimas de chacina

Posse do novo ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Guilherme Boulos. Foto: Gabriela Biló/Folhapress

Guilherme Boulos (PSOL) tomou posse como ministro da Secretaria-Geral da Presidência nesta quarta-feira (29), em Brasília, e pediu um minuto de silêncio pelas vítimas da operação policial no Rio de Janeiro. No discurso, afirmou que não haverá diálogo com quem “ataca a democracia” e que sua missão é “colocar o governo na rua”, com foco em agendas pelo país.

Boulos mencionou a origem financeira do crime organizado e citou a operação “Carbono Oculto”, da Polícia Federal, ao falar sobre lavagem de dinheiro no mercado. Ele também defendeu a revisão da escala 6×1 de trabalho. Segundo o novo ministro, a Secretaria-Geral deve intensificar a interlocução com movimentos sociais e com trabalhadores de aplicativos, motoristas e pequenos empreendedores.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva participou da cerimônia, mas não falou sobre a operação no Rio, que registrou mais de cem mortos segundo números oficiais divulgados nesta quarta (29). Integrantes do governo avaliaram a possibilidade de adiar a posse em razão do episódio, mas a solenidade foi mantida no Palácio do Planalto.

A cerimônia reuniu ministros como Fernando Haddad, Alexandre Silveira, Mauro Vieira, Marina Silva e Simone Tebet, além do vice-presidente Geraldo Alckmin. Também estiveram presentes o ministro do STF Gilmar Mendes, o advogado-geral da União, Jorge Messias, e lideranças de movimentos sociais. Boulos substitui Márcio Macêdo no comando da pasta.

Enquanto ocorria a posse, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, seguiram para o Rio para tratar da operação. A ministra dos Direitos Humanos, Macaé Evaristo, tem ida ao estado prevista para quinta-feira (30). Segundo o governo do Rio, o balanço de mortos foi atualizado ao longo do dia.

De acordo com auxiliares, Boulos deve percorrer capitais e periferias em agendas oficiais e não pretende disputar a reeleição à Câmara em 2026 para atuar na campanha de Lula. Com a mudança, o PSOL passa a ter dois ministros no governo federal, ao lado de Sônia Guajajara, titular de “Povos Indígenas”.

Fonte: DCM

Nikolas celebra chacina no Rio com foto do Carandiru: “Maior faxina da história”


      O deputado federal Nikolas Ferreira (PL). Foto: Reprodução

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL) publicou nas redes sociais uma imagem do presídio do Carandiru, em São Paulo, nesta terça-feira (28), com a legenda “se algum dia chegarmos lá, minha ideia é essa”. O local foi onde ocorreu a execução de 111 presos em 1992. O governo do Rio de Janeiro atualizou para mais de 130 o número de mortos da chacina nos complexos da Penha e do Alemão.

Em vídeo divulgado posteriormente, o parlamentar afirmou que a ação representou “a maior faxina da história do Rio” e que “os criminosos que morreram não voltarão a cometer crimes”. Na Câmara dos Deputados, Nikolas declarou que, para ele, “a cada sessenta que morrer, deveria ter morrido muito mais”, em referência aos dados apresentados pelas autoridades estaduais nesta quarta-feira (29).

O comentário repercutiu enquanto moradores levavam dezenas de corpos retirados de áreas de mata até a Praça São Lucas, na Penha, para reconhecimento. O governo fluminense informou que perícias serão realizadas para confirmar a relação entre as mortes e os confrontos. Até o momento, o deputado não respondeu a questionamentos de jornalistas sobre as postagens.

Fonte: DCM

Fracasso: secretário confirma fuga de líder do CV durante chacina no Rio


Edgar Alves de Andrade, o Doca, chefão do Comando Vermelho. Foto: Reprodução

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos, afirmou nesta quarta-feira (29) que a operação nos complexos da Penha e do Alemão não conseguiu prender Edgar Alves Andrade, o Doca, identificado como liderança do Comando Vermelho. A chacina deixou 121 mortos, segundo o governo estadual. De acordo com Santos, o suspeito utiliza integrantes da facção como barreira para dificultar o avanço policial durante confrontos.

O governo oferece recompensa de R$ 100 mil por informações que levem à captura de Doca, que possui mais de 20 mandados de prisão relacionados a investigações de homicídios. Ele nasceu na Paraíba, foi criado na Vila Cruzeiro, e é considerado fugitivo do sistema carcerário. Moradores relataram que ainda há corpos em áreas de mata.

Em outubro de 2023, autoridades apontaram Doca como mandante da execução de três médicos e da tentativa de homicídio de um quarto profissional na Barra da Tijuca. As vítimas participavam de um congresso e foram confundidas com milicianos de Rio das Pedras. Segundo o governo estadual, 113 pessoas foram presas, incluindo residentes de outros estados.

O secretário de Segurança Pública do Rio de Janeiro, Victor Santos
Santos afirmou que a identidade de todas as vítimas ainda não está definida. Famílias deverão comparecer aos locais determinados para reconhecimento. Ele informou também que não é possível determinar quantos mortos ou presos estavam entre os mandados a serem cumpridos durante a ação.

Segundo o secretário da Polícia Civil, delegado Felipe Curi, houve registro de mortos em área de mata, e a perícia deve indicar relação entre os óbitos e a operação. Testemunhas relataram retirada de dezenas de corpos durante a madrugada, transportados por moradores até a Praça São Lucas, na Penha.

Santos declarou que o Ministério da Defesa negou o envio de blindados. Ele afirmou que a Polícia Federal foi comunicada sobre o planejamento da operação há mais de 60 dias devido à presença de possíveis alvos federais. Segundo o governo estadual, mandados de busca e apreensão foram cumpridos.

Fonte: DCM

Deputado do PT pede prisão preventiva de Cláudio Castro após chacina no Rio


     O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. Foto: Divulgação

O deputado Reimont (PT-RJ), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados (CDHMIR), encaminhou, nesta quarta-feira (29), ofício ao procurador-geral da República, Paulo Gonet, solicitando a abertura imediata de investigação criminal contra o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, em razão da operação policial que deixou mais de 130 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, no último dia 28.

O documento pede, ainda, a adoção de medidas cautelares e a avaliação sobre a possibilidade de prisão preventiva do governador.

Assinam o ofício o presidente da CDHMIR, deputado Reimont (PT-RJ), e os deputados Talíria Petrone (PSOL-RJ), Pastor Henrique Vieira (PSOL-RJ), Erika Kokay (PT-DF), Tadeu Veneri (PT-PR), Luiz Couto (PT-PB), Glauber Braga (PSOL-RJ), Enfermeira Rejane (PCdoB-RJ) e Jandira Feghali (PCdoB-RJ).

O deputado Reimont. Foto: Divulgação
De acordo com o texto, há fortes indícios de que a operação extrapolou os parâmetros de legalidade, proporcionalidade e respeito aos direitos humanos, com denúncias de execuções sumárias e graves violações ao direito à vida e à integridade física de moradores das comunidades afetadas.

“A magnitude dos fatos e o risco de reiteração de novas chacinas exigem resposta imediata das instituições democráticas”, afirma Reimont.

O documento também aponta indícios de motivação político-eleitoral na ação e questiona o não uso integral dos recursos do Fundo Nacional de Segurança Pública (FNSP) destinados ao Rio de Janeiro.

A CDHMIR se coloca à disposição da Procuradoria-Geral da República para colaborar com informações, depoimentos e relatórios preliminares. “O Estado não pode agir como violador dos direitos que tem o dever de proteger”, aponta Reimont.

Fonte: DCM

VÍDEO: Ratinho anuncia dupla cidadania e residência permanente no Paraguai


O apresentador Ratinho. Foto: Divulgação

O apresentador e empresário Carlos Massa, de 69 anos, conhecido nacionalmente como Ratinho, anunciou que agora é residente permanente do Paraguai. A novidade foi revelada em um vídeo publicado nas redes sociais, no qual ele aparece ao lado de sua advogada. “Sou cidadão brasileiro, mas também sou paraguaio”, afirmou o comunicador, enquanto a profissional confirmou o novo status legal.

A informação repercutiu na imprensa paraguaia. O portal ‘El Nacional’ destacou que empresários brasileiros vêm buscando residência no país vizinho, impulsionados por “benefícios fiscais” e um “ambiente econômico mais atrativo.”

Ratinho é um dos apresentadores mais conhecidos da TV brasileira e pai do governador do Paraná, Ratinho Jr (PSD). Além de comandar o ‘Programa do Ratinho no SBT’, ele possui emissoras de rádio, canais regionais de televisão e extensas propriedades rurais espalhadas pelo país.

Fonte: DCM

Dino detona operação no Rio: “Vale-tudo com corpos jogados não é Estado de Direito”

 

   O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino. Foto: Divulgação
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Flávio Dino classificou como “tensa e trágica” a operação policial que deixou 119 mortos nos Complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro. Durante sessão plenária nesta quarta-feira (30), Dino afirmou que o Supremo não pode “legitimar o vale-tudo, com corpos estendidos e jogados no meio da mata”.

A fala ocorreu antes do início de seu voto em um processo que discute a responsabilidade civil do Estado por danos causados durante ações policiais. O ministro, que já chefiou o Ministério da Justiça, destacou que não se trata de condenar a instituição policial, mas de reforçar limites necessários à ação do Estado.

“Não se trata, jamais, de julgar a favor ou contra a polícia como instituição. Como em qualquer atividade humana, há bons e maus profissionais”, declarou.

Dino fez referência direta às dezenas de corpos encontrados por moradores na Serra da Misericórdia, após a operação batizada de Contenção. “Nossa posição não é de impedir a ação da polícia, mas também não é de legitimar o vale-tudo, com corpos estendidos e jogados no meio da mata. Isso não é Estado de Direito”, disse.

Megaoperação no Rio de Janeiro. Foto: Divulgação

A operação, realizada na terça-feira (29), mobilizou 2,5 mil agentes das polícias Civil e Militar e resultou na morte de 119 pessoas e prisão de 113 suspeitos. O governo do Rio classificou a ação como uma ofensiva “contra narcoterroristas”.

A justificativa foi criticada por entidades de direitos humanos, que alertaram para o risco de naturalizar o uso da força letal em territórios vulneráveis. O ministro Gilmar Mendes, decano do STF, também comentou o episódio.

Ele classificou a operação como “lamentável” e defendeu que o Judiciário crie parâmetros claros para coibir abusos policiais. “Devemos reconhecer a necessidade de ações policiais, mas que ao mesmo tempo não comportem abusos e violações de direitos fundamentais”, afirmou.

O julgamento em que Dino fez as declarações tratava de um caso do Paraná, envolvendo a repressão a um protesto de professores em 2015, conhecido como “Operação Centro Cívico”, que deixou mais de 200 feridos. O STF discutiu se cabe à vítima comprovar a culpa do Estado em situações de violência policial.

Fonte: DCM

“Não fomos avisados”, diz Gleisi sobre operação no Rio


A ministra de Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann. Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/ Agência Brasil

A ministra Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, afirmou que o aviso do setor de inteligência da Polícia Militar do Rio de Janeiro à Polícia Federal (PF) sobre a operação nos complexos do Alemão e da Penha não configurou um pedido formal de ajuda ao governo federal. Segundo ela, a comunicação foi pontual e de caráter técnico, sem envolver coordenação entre os dois níveis de governo.

“Depois soubemos que a PF do Rio foi informada da operação quando ela já ia ser realizada. Não foi pedido de ajuda institucional, do ponto de vista de governo ao governo federal”, declarou a ministra em entrevista à GloboNews.

Gleisi reforçou que o Palácio do Planalto não foi oficialmente informado sobre a operação, que resultou em 119 mortos, incluindo quatro policiais. “De fato, nós não fomos avisados. Não teve pedido de GLO nem de nenhuma ajuda por parte do governo do estado ao governo federal”, acrescentou.

A ministra respondeu após declarações do diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, que confirmou a existência de um contato entre a inteligência da PM e a PF no Rio. Segundo ele, o pedido partiu de agentes da PM fluminense que consultaram a PF sobre uma possível colaboração na ação contra o Comando Vermelho (CV).

Ele afirmou que a corporação optou por não participar. “Houve um contato anterior para ver se haveria possibilidade de atuarmos em algum ponto. A partir da análise do planejamento operacional, nossa equipe entendeu que não era uma operação razoável para que a gente participasse”, explicou.

O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), e o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski. Foto: Guito Moreto/O Globo

O dirigente da PF destacou ainda que a corporação não recebeu detalhes do planejamento e tampouco foi informada sobre a data de deflagração. “Foi um contato no nível operacional. Nossa equipe identificou que não teríamos atribuição legal para participar. A deflagração dessa operação não nos foi comunicada”, disse.

A confirmação do contato entre as corporações ampliou a disputa política entre o governo federal e o governador Cláudio Castro (PL). O governador havia acusado o Planalto de “omissão” e de negar apoio logístico e empréstimo de blindados em pedidos anteriores.

O governo federal rebateu, afirmando que tais solicitações só poderiam ser atendidas mediante decreto de Garantia da Lei e da Ordem (GLO), o que não foi solicitado pelo estado.

Em entrevista, o ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, afirmou que a comunicação entre as forças deveria ocorrer em nível hierárquico mais alto, e não entre servidores intermediários. “Uma operação desse porte não pode ser acordada por segundo ou terceiro escalão. Se exigisse interferência federal, o presidente da República ou o ministro da Justiça deveriam ter sido avisados”, declarou.

Fonte: DCM

MPF dá 48 horas para IML do Rio entregar dados das vítimas do massacre


O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), durante coletiva de imprensa nesta quarta (29). Foto: Reprodução

O Ministério Público Federal solicitou nesta quarta-feira (29) que o Instituto Médico Legal do Rio de Janeiro entregue, em até 48 horas, todos os dados periciais relacionados aos corpos das vítimas da megaoperação policial realizada no estado.

No ofício enviado pelo órgão nesta quarta (30), o procurador federal dos Direitos do Cidadão, Nicolao Dino, relembrou condenações internacionais do Brasil por abusos policiais e pediu informações sobre o planejamento, execução e consequências da operação.

Dino destacou que o Brasil já foi condenado pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) por casos de violência policial, como o da Favela Nova Brasília, em 2017. Na ocasião, o tribunal determinou que o Estado do Rio deveria reduzir a letalidade policial e adotar medidas de controle, sob pena de novas punições.

Segundo o procurador, a nova operação pode representar o descumprimento dessas decisões internacionais. O MPF quer saber se o governo estadual cumpre as metas de redução da letalidade impostas tanto pela Corte Interamericana quanto pelo Supremo Tribunal Federal (STF), por meio da ADPF das Favelas, que exige câmeras corporais, perícia independente e planejamento prévio nas ações.

O procurador afirmou que a operação, mesmo considerada “a mais letal da história do Rio”, não pode ser conduzida sem transparência, critérios de proporcionalidade e respeito aos direitos humanos. No documento, ele pediu esclarecimentos sobre o planejamento e a análise de risco da operação, os critérios de uso da força, o papel da polícia técnico-científica e a preservação das cenas de crime.

Corpos enfileirados em rua do Rio de Janeiro após operação policial mais letal da história da cidade. Foto: Ricardo Moraes/Reuters

Também questionou se o governo assegurou a presença de equipes médicas e se houve acompanhamento do Ministério Público. Dino enfatizou que a Procuradoria precisa dessas informações para verificar o cumprimento das normas constitucionais e tratados internacionais.

O ofício lembra ainda outras duas condenações do Brasil na Corte Interamericana: a chacina de Acari, em que 11 jovens desapareceram após operações policiais nos anos 1990, e a Operação Castelinho, em São Paulo, que resultou na morte de 12 pessoas em 2002. Em ambos os casos, o tribunal responsabilizou o Estado brasileiro por execuções e falhas de investigação.

A ADPF das Favelas, decisão do STF de 2020, também foi citada no documento. Ela determina que operações em comunidades do Rio sigam parâmetros rigorosos: justificativas formais, monitoramento por câmeras, presença de ambulâncias e limitação de incursões próximas a escolas e unidades de saúde.

O MPF quer saber se essas diretrizes foram seguidas durante a ação que deixou um dos maiores saldos de mortos da história fluminense. Veja a lista de informações solicitadas pelo órgão:

  1. Finalidade e objetivos institucionais da operação e sua relação com a política estadual de segurança pública;
  2. Planejamento prévio, análise de risco e critérios de proporcionalidade;
  3. Medidas de prevenção e mitigação da letalidade, como presença de equipes médicas;
  4. Atuação da perícia independente e preservação dos locais;
  5. Uso de câmeras corporais e de viaturas;
  6. Acompanhamento do Ministério Público e corregedorias;
  7. Respeito às diretrizes constitucionais de busca domiciliar e restrições de horário;
  8. Justificativa para uso de escolas ou unidades de saúde como base operacional;
  9. Avaliação dos resultados e indicadores de efetividade em relação à redução da letalidade.
Fonte: DCM

Moraes manda Cláudio Castro explicar chacina com 132 mortos

 

O ministro Alexandre de Moraes. Foto: Divulgação
O ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro, apresente informações detalhadas sobre a Operação Contenção, que resultou em 132 mortes e é considerada a mais letal da história do estado. A decisão foi tomada no âmbito da “ADPF das Favelas”, ação que fixou parâmetros para reduzir a letalidade policial em comunidades fluminenses.

De acordo com o despacho, Castro deverá prestar esclarecimentos sobre o planejamento e a execução da operação, incluindo o número de agentes envolvidos, os armamentos utilizados, o total de mortos e feridos, além das medidas adotadas para garantir perícia adequada e responsabilização em casos de abusos.

Moraes também exige dados sobre a presença de ambulâncias, o uso de câmeras corporais e nas viaturas, bem como o cumprimento das normas constitucionais relativas a buscas domiciliares.

A decisão do ministro cobra do governo fluminense informações precisas sobre a definição do grau de força empregado, a justificativa formal para a deflagração da operação e o acompanhamento feito pelas corregedorias das polícias Civil e Militar.

O STF também quer saber se escolas e unidades de saúde foram usadas como bases policiais durante a ação e, em caso afirmativo, quais seriam as razões que motivaram a medida.

Policiais fortemente armados patrulham rua ao lado de veículos incendiados após confrontos nos complexos do Alemão e da Penha. Foto: Divulgação

Moraes determinou ainda que o governador detalhe quais providências foram tomadas para preservar o local dos confrontos, assegurar a realização de perícias e garantir a assistência às vítimas e seus familiares.

Segundo o ministro, o relatório deve demonstrar se houve observância do princípio da proporcionalidade, especialmente nos horários de entrada e saída das escolas localizadas nas áreas afetadas.

Na mesma decisão, o ele agendou para segunda-feira (3) uma série de audiências em Brasília com as principais autoridades da segurança pública fluminense.

Devem participar o secretário de Segurança Pública, Victor Santos; o chefe da Polícia Civil, Felipe Curi; o comandante da Polícia Militar, Marcelo de Menezes; a diretora da Superintendência de Polícia Técnico-Científica, Andréa Menezes; além do presidente do Tribunal de Justiça do Rio, Ricardo Couto de Castro; o procurador-geral de Justiça, Antonio José Campos Moreira; e o defensor-geral, Paulo Vinícius Cozzolino.

“O governador deverá apresentar as informações de maneira detalhada na audiência designada”, afirmou Moraes. O ministro também confirmou que participará pessoalmente das reuniões, reforçando o acompanhamento direto do STF sobre o caso.

A “ADPF das Favelas”, julgada em 2020 e concluída em abril deste ano, foi proposta por entidades de direitos humanos e estabeleceu um conjunto de medidas para restringir operações policiais em comunidades do Rio.

Fonte: DCM

Tortura e morte: corpos foram achados amarrados e esfaqueados após massacre no Rio


       Corpos retirados do Complexo da Penha. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil

Moradores do Complexo da Penha, na zona norte do Rio de Janeiro, relataram que corpos encontrados na mata da Serra da Misericórdia após a megaoperação policial estavam amarrados, com marcas de facadas e sinais de tortura. O Estadão presenciou ao menos um corpo decapitado, o que reforça as suspeitas de execuções durante a ação.

Segundo a Associação de Moradores da Penha, 72 corpos foram levados até a Praça São Lucas, onde familiares e voluntários organizaram uma fila para reconhecimento das vítimas. A contagem está sendo feita com apoio da OAB-RJ, e dez carros já seguiram para o Instituto Médico-Legal (IML) com os corpos. A cena foi descrita como de desespero e indignação, com parentes denunciando o excesso de violência policial.

De acordo com a Defensoria Pública do Rio, o número total de mortos após a megaoperação contra o Comando Vermelho (CV) chega a 132 pessoas.

Uma moradora, parente de uma das vítimas, relatou que muitos corpos apresentavam “sinais de tortura”. “Tinha corpos sem cabeça, com marcas de faca. Não tinha necessidade de fazerem isso. Muita gente morreu. Eles só vêm para matar”, afirmou.

Os feridos em megaoperação são encaminhados para o Hospital estadual Getúlio Vargas, na Penha, Zona Norte do Rio. Foto: Gabriel de Paiva/Agência O Globo

Um grupo de moradores voltou à mata para buscar e identificar mais vítimas, acreditando que ainda há corpos não localizados. Em meio ao luto, os moradores organizaram uma vigília improvisada, com faixas e gritos de protesto contra o governo estadual.

“Ninguém nunca viu no Brasil o que está acontecendo aqui”, disse uma moradora chamada Jéssica, que responsabilizou diretamente o governador. “Você mandou para fazer essa chacina. Isso aqui não foi operação, isso foi chacina”, afirmou, sendo aplaudida por dezenas de pessoas.

Outros moradores também criticaram a violência e a desigualdade social que atinge as favelas. “Aqui tem trabalhador, tem guerreiro. Tem bandido, tem? Mas tem bandido melhor do que os de terno e gravata. Vocês matam com a caneta”, desabafou Jéssica, ecoando o sentimento de revolta generalizado entre os presentes.

Em coletiva, o governador Cláudio Castro manteve o discurso de que as únicas vítimas da operação foram os quatro policiais mortos, desconsiderando os relatos e denúncias de execuções. A Defensoria Pública do Rio confirmou que abriu investigação sobre possíveis violações de direitos humanos e cobrou que o Estado apresente os nomes e a identificação das vítimas que ainda aguardam perícia no IML.

Fonte: DCM com informação do Estadão