terça-feira, 20 de janeiro de 2026

Pacheco reduz resistência e admite possibilidade de disputar o governo de Minas

Ex-presidente do Senado estuda novo partido e pode ser o candidato de Lula em Minas Gerais

      Lula e Rodrigo Pacheco (Foto: Ricardo Stuckert/PR)

O ex-presidente do Senado Rodrigo Pacheco (MG) voltou a movimentar o tabuleiro político em Minas Gerais ao reconsiderar sua decisão de se afastar da vida pública. Em meio a conversas com diferentes partidos, o senador passou a admitir a possibilidade de disputar o governo estadual em 2026, contando com o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vê no mineiro um nome estratégico para fortalecer seu palanque no estado, informa o Estado de Minas.

A saída de Pacheco do PSD é tratada como um movimento praticamente inevitável por aliados próximos. O desgaste se intensificou depois que o presidente nacional da legenda, Gilberto Kassab, passou a apostar na filiação e eventual candidatura do vice-governador Mateus Simões ao Palácio Tiradentes, em alinhamento com o governador Romeu Zema (Novo). Esse redesenho interno afastou o senador de qualquer protagonismo no projeto estadual do partido.

“Não há como ele [Pacheco] seguir em um partido que optou pelo caminho de apoiar os adversários políticos da direita”, afirmou um interlocutor do senador, sob reserva.

Diante desse cenário, Pacheco iniciou diálogos com dirigentes do União Brasil, do MDB e do PSB, avaliando qual sigla ofereceria condições políticas mais compatíveis com uma candidatura de perfil centrista. Em Minas, o União Brasil abriga aliados históricos do senador, como o prefeito de Belo Horizonte, Álvaro Damião, o que reforça a atratividade da legenda. Além disso, Lula tem incentivado essa aproximação, enxergando nela uma chance de retomar articulações em torno do nome de Pacheco, inclusive envolvendo o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (AP), uma das principais lideranças nacionais do partido.

Apesar disso, há obstáculos. Pacheco aguarda definições sobre a posição do União Brasil em relação à federação com o PP e a possibilidade de imposição de apoio a candidaturas de direita nos estados. Caso essa orientação se confirme, o caminho se tornaria inviável para um projeto que conte com o respaldo do presidente da República. O presidente nacional do União, Antônio Rueda, tem sinalizado disposição para um distanciamento do governo federal, movimento que poderia culminar no apoio a uma eventual candidatura presidencial do governador paulista Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Paralelamente, o MDB também entrou no radar. O senador recebeu recentemente um convite do presidente nacional da sigla, Baleia Rossi, opção que segue em análise. Houve ainda conversas com o PSB, embora Pacheco demonstre resistência a se filiar a um partido identificado com a esquerda. “A ideia é construir uma candidatura de centro, e é claro que a esquerda vai apoiar esse nome”, disse um aliado.

No xadrez eleitoral mineiro, outros nomes já aparecem como potenciais candidatos ao governo, em sua maioria ligados ao campo da direita. Pesquisas recentes apontam o senador Cleitinho (Republicanos) como favorito, embora ele ainda não tenha confirmado se entrará na disputa. Nesse contexto, aliados de Pacheco avaliam que o ex-presidente do Senado poderia herdar parte significativa do eleitorado que votou em Lula no estado em 2022, quando o presidente obteve 6,2 milhões de votos no segundo turno, o equivalente a 50,20% dos votos válidos.

Para Lula, a insistência no nome de Pacheco faz parte de uma estratégia mais ampla para consolidar um palanque competitivo em Minas Gerais, estado historicamente decisivo nas eleições presidenciais. A definição do futuro partidário do senador, no entanto, ainda depende do desfecho dessas negociações e da configuração final das alianças nacionais e regionais.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Estado de Minas

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