domingo, 4 de janeiro de 2026

Venezuelanos relatam "medo e incerteza" após intervenção dos EUA

População promete resistência diante da tentativa norte-americana de ingerência no país sul-americano

        Nicolás Maduro (Foto: Reprodução/X/@RapidResponse47)


A intervenção dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na detenção de Nicolás Maduro em território norte-americano, desencadeou um clima de apreensão entre a população e intensificou a tensão política no país. Ruas esvaziadas, atividades reduzidas e conversas marcadas por ansiedade refletem a incerteza sobre os próximos passos após a ação ordenada por Donald Trump, presidente dos Estados Unidos.

As informações foram divulgadas pela agência Reuters, que relatou os desdobramentos imediatos da operação militar que sequestrou Maduro em Caracas e o levou a um centro de detenção em Nova York, onde ele aguarda julgamento sob acusações relacionadas ao tráfico de drogas. A agência descreveu a ação como uma das intervenções mais "controversas" dos EUA na América Latina em décadas.

Imagens de Maduro algemado e vendado durante o traslado causaram forte impacto entre venezuelanos e repercutiram internacionalmente. Segundo a Reuters, ao chegar aos Estados Unidos, o líder venezuelano dirigiu-se aos agentes com a frase "feliz ano novo". Ele deve comparecer a um tribunal federal em Manhattan nos próximos dias.

Dentro da Venezuela, aliados de Maduro mantêm o controle das estruturas do Estado e classificam a operação como um “sequestro”. O cotidiano foi alterado em diversas cidades, com moradores evitando sair de casa e comércio funcionando de forma irregular. “Acabei de levar o cachorro para fora e parece uma cidade abandonada, as pessoas estão trancadas dentro de casa”, relatou Alejandra Palencia, psicóloga de 35 anos, moradora de Maracay. Ela resumiu o sentimento predominante ao afirmar: “Há medo e incerteza".

Donald Trump declarou que os Estados Unidos pretendem administrar temporariamente a Venezuela e suas reservas de petróleo, as maiores do mundo, até que ocorra uma transição política. “Nós vamos administrar o país até que seja possível realizar uma transição segura, adequada e criteriosa”, afirmou o presidente norte-americano durante coletiva em Mar-a-Lago, sem detalhar como esse processo seria conduzido.

A posição do governo dos EUA gerou frustração em setores da oposição venezuelana no exterior, após Trump minimizar a possibilidade de a líder oposicionista María Corina Machado assumir o comando do país.

Autoridades em Caracas reagiram com firmeza. Delcy Rodríguez, que assumiu interinamente a presidência, contestou a legitimidade da ação norte-americana. “Há apenas um presidente na Venezuela, e seu nome é Nicolás Maduro”, declarou. Em tom de resistência, acrescentou: “Nunca mais seremos colônia de nenhum império".

A operação envolveu forças especiais dos Estados Unidos, com ações aéreas e ataques a instalações militares. O governo norte-americano acusa Maduro de liderar esquemas de envio de drogas aos EUA, acusações que ele nega. Representantes venezuelanos exigiram sua libertação e denunciaram interesses estrangeiros nas riquezas naturais do país.

A repercussão internacional foi imediata. O secretário-geral da ONU, António Guterres, classificou a ação como “um precedente perigoso”. Rússia e China criticaram duramente Washington, e o Ministério das Relações Exteriores chinês declarou: “A China se opõe firmemente a esse tipo de comportamento hegemônico por parte dos Estados Unidos.” O papa Leão afirmou acompanhar os acontecimentos com “a alma cheia de preocupação” e defendeu que “O bem do amado povo venezuelano deve prevalecer sobre qualquer outra consideração.

Maduro permanece detido no Metropolitan Detention Center, no Brooklyn.

Fonte: Brasil 247

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