Movimento vê ofensiva como agressão colonial, pede solidariedade internacional e alerta para riscos à soberania regional
O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) classificou o ataque contra a Venezuela como o ponto máximo de uma sequência de agressões à soberania do país vizinho, caracterizando a ação como uma iniciativa de guerra com interesses coloniais voltados ao controle de recursos naturais estratégicos.
Em nota divulgada neste sábado (3), o MST afirmou que a ofensiva tem como objetivo central a apropriação das riquezas venezuelanas. “O objetivo deste ataque não é outro senão confiscar os recursos estratégicos da Venezuela, especialmente o seu petróleo e minerais, tentando quebrar pela força a independência política da Nação”, declarou o movimento. O texto também denuncia o sequestro do presidente Nicolás Maduro e informa que estudantes e dirigentes da organização que se encontram no país estão em segurança. As informações constam de comunicado oficial do MST.
A organização também convocou a comunidade internacional a se mobilizar em solidariedade ao povo venezuelano. “Convocamos todas as organizações populares do Brasil e do mundo a se somarem em solidariedade à Venezuela. Nossas irmãs e irmãos daquele país necessitam do apoio do povo brasileiro”, afirmou o movimento no mesmo documento.
Do Brasil, João Paulo Rodrigues, integrante da Secretaria Nacional do MST, destacou que o movimento mantém uma brigada com cerca de 60 integrantes na Venezuela e fez um apelo para que haja cautela na circulação de informações. “É importante evitar alarmismos e ter cuidado com conteúdos não verificados”, afirmou.
Outras organizações brasileiras também se manifestaram. O Movimento Brasil Popular declarou, em nota, que o episódio representa uma ameaça direta à paz e à soberania regional. Segundo a entidade, os ataques fazem parte de uma ofensiva imperialista destinada a saquear as riquezas do povo venezuelano.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB) igualmente condenou a ação e classificou os fatos como terrorismo internacional. De acordo com o partido, é urgente que governos soberanos, movimentos populares e organizações políticas promovam mobilizações para impedir uma escalada ainda maior da agressão.
Mais cedo, o governo venezuelano divulgou comunicado oficial no qual rejeita “a grave agressão militar perpetrada pelo atual governo dos Estados Unidos da América contra o território e a população venezuelana”. Segundo o texto, os ataques atingiram bases militares, aeroportos, instalações civis e a estrutura elétrica do país.
A Central Única dos Trabalhadores (CUT) também repudiou os ataques em nota publicada neste sábado. No documento, a entidade sindical afirmou que “tais acontecimentos não representam apenas um ataque a uma nação soberana, mas uma afronta direta à estabilidade democrática de toda a nossa região e aos princípios fundamentais do Direito Internacional”
A CUT expressou ainda solidariedade à classe trabalhadora venezuelana e ressaltou que os trabalhadores são sempre os mais impactados “por bloqueios, sanções e intervenções militares que desestabilizam a economia, destroem postos de trabalho e precarizam a vida”.
Ao final da nota, a central sindical defendeu a autodeterminação dos povos, a soberania nacional e os direitos humanos. “Não aceitaremos que a força se sobreponha ao diálogo e que a soberania de um povo irmão seja atropelada. A luta por democracia, paz e justiça social é internacional e indivisível.”
Fonte: Brasil 247
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