quinta-feira, 15 de janeiro de 2026

Questionamento sobre pesquisas com viés à direita irrita CEO da Quaest e gera treta no X

     Felipe Nunes, CEO da Quaest


Dawisson Belém Lopes, professor de Política Internacional e Comparada da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), incomodou Felipe Nunes, da Quaest, com um questionamento quase inocente do X.

“O divertido dessas pesquisas de intenção de voto que vivem testando novos nomes: só pode ‘terceira via’ pela direita. O pollster veste uma viseira que tapa o olho esquerdo”, escreveu. “Pollster” é instituto de pesquisas em português.

“Não é verdade esse tweet… esses nomes testados tem partido e já enviaram cartas formais ao instituto avisando que serão candidatos. Segundo a regra do TSE, eles precisam estar nas pesquisas quando formalizam assim suas candidaturas. Nunca chegou nenhuma formalização, nem especulação, de nomes à esquerda. Quando acontecer, seguiremos a regra como manda o script”, rebateu Nunes.

“Perdão, Felipe, mas o que é inverídico no meu tweet? Que, à exceção do incumbente, pollsters não testam rotineiramente outros nomes à esquerda? Pois eu discordo de você de maneira frontal – e tenho toda a empiria do ciclo eleitoral ao meu lado. Basta recuperar todas as pesquisas desde janeiro de 2023 (as da Quaest inclusive). Em quantas ocasiões houve alguma preocupação com a testagem de diferentes nomes de esquerda ao pleito presidencial de 2026? Acho que você, sim, precisa se acautelar com o tipo de afirmação que acaba de fazer. É facilmente falseável”, devolveu Dawisson.




Felipe ficou mais destemperado: “Eu sou muito sensível e sempre serei à mentira digital, porque ela tem consequências. Espalhar Fake News é, inclusive, crime! Colocar em dúvida a idoneidade do meu trabalho a partir de uma mentira vai sempre gerar sensibilidade e reação. Ainda mais quando isso acontece a partir de uma pessoa que eu sempre respeitei, como é o seu caso. Estranho é achar que tudo pode só porque é no X…”

Dawisson resumiu a coisa: “Sobre o hábito (pouco ou nada problematizado) de só haver candidato de direita nas pesquisas de intenção de voto, contava o Marcos Coimbra que a candidatura de Fernando Collor de Mello, em 1989, nasceu como subproduto de testes despretensiosos conduzidos por seu instituto, o Vox Populi. Na busca do presidenciável ideal para a direita naquele momento histórico, tentou-se incluir nas pesquisas todo tipo de perfil. Até que se encontrou a opção promissora. Seguiu-se ao ato de criação do monstro de proveta uma intensa operação mediático-empresarial para sustentar o ‘caçador de marajás’. Moral da história: não há lugar para ingenuidade nesse terreno.”

Fonte: DCM

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