Governo brasileiro participará de reuniões na ONU e na Celac para discutir ofensiva dos EUA e defender a soberania venezuelana
Brasília (DF), 03/01/2026 – Ministro da defesa, José Múcio, (e) embaixadora, Maria Laura (d), durante entrevista falam da invasão americana na Venezuela. Foto: Valter Campanato/Agência Brasil (Foto: Valter Campanato/Agência Brasil)
O Brasil confirmou que participará, na próxima segunda-feira (5), de uma reunião extraordinária do Conselho de Segurança das Nações Unidas para discutir a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela e a captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro. O governo brasileiro reiterou sua posição histórica de defesa do direito internacional, da soberania dos Estados e da rejeição a qualquer tipo de invasão territorial.
A ministra interina das Relações Exteriores, Maria Laura da Rocha, confirmou a presença do Brasil no encontro do Conselho de Segurança, que reúne 15 países e foi solicitado pela Colômbia, com apoio da Rússia e da China
☉ Brasil leva crise venezuelana ao Conselho de Segurança
Além da reunião na ONU, o Brasil também participará, neste domingo (4), de um encontro ministerial da Comunidade de Estados Latino-Americanos e Caribenhos (Celac). Com 33 países-membros, a Celac é o único mecanismo de diálogo que reúne todos os países em desenvolvimento do continente americano. Em ambos os fóruns, a ofensiva dos Estados Unidos contra a Venezuela será o principal tema em debate.
Maria Laura da Rocha afirmou que o Brasil mantém a posição expressa pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva de condenar a ação militar e cobrar uma resposta firme das Nações Unidas. “O Brasil continua sendo a favor do direito internacional, que é a posição tradicional brasileira contra qualquer tipo de invasão territorial, e pela soberania dos países”, declarou.
☉ Defesa do direito internacional e da soberania
Questionada sobre quem o Brasil reconhece como chefe de Estado na Venezuela, a ministra interina explicou que o país considera a vice-presidente Delcy Rodríguez como presidente interina. “Na ausência do atual presidente, Maduro, é a vice-presidente. Ela está como presidente interina”, afirmou.
As articulações diplomáticas ocorrem em paralelo ao acompanhamento da situação na fronteira brasileira com a Venezuela. O ministro da Defesa, José Múcio, informou que o Brasil mantém cerca de 10 mil militares na região amazônica, sendo aproximadamente 2.300 em Roraima. Segundo ele, não há registro de movimentação anormal na fronteira, que permanece aberta e monitorada.
“Da maneira que está tudo calmo, as fronteiras estão abertas, não há nenhuma restrição. O brasileiro que estiver lá pode vir, procure o seu embaixador, o embaixador ajudou, a vice-cônsul brasileira lá também tem ajudado bastante, de maneira que nós estamos só de plantão para ver se surgem novos acontecimentos”, disse Múcio.
☉ Situação dos brasileiros na Venezuela
Maria Laura da Rocha também confirmou que não há relatos de brasileiros feridos em decorrência dos ataques. Segundo ela, cerca de 100 brasileiros que estavam em turismo na Venezuela cruzaram a fronteira e retornaram ao Brasil por Roraima após a ofensiva norte-americana.
“Nossa embaixada em Caracas segue acompanhando com atenção não apenas o desenrolar dos acontecimentos, mas também a situação da comunidade brasileira naquele país. Não havendo qualquer relato de vítimas ou feridas na comunidade brasileira”, afirmou a ministra interina.
As reuniões do governo brasileiro sobre o tema contaram com a participação do ministro da Defesa, José Múcio, do ministro da Justiça e Segurança Pública, Ricardo Lewandowski, da ministra interina da Casa Civil, Miriam Belchior, do ministro da Secretaria de Comunicação Social, Sidônio Palmeira, além da embaixadora do Brasil em Caracas e representantes de outros órgãos federais. Mais cedo, o presidente Lula coordenou uma reunião por videoconferência a partir do Palácio Itamaraty, em Brasília, reforçando a atuação integrada do Brasil diante da crise na Venezuela.
Fonte: Brasil 247
