domingo, 31 de agosto de 2025

Efeito Trump: Brasileiros deportados denunciam maus-tratos e saída forçada dos EUA

Um dos primeiros Voos de deportação de imigrantes expulsos dos EUA. Foto: SKaroline Leavitt/X

Um grupo de brasileiros desembarcou nesta quarta-feira (27) no Aeroporto Internacional de Belo Horizonte, em Confins (MG), após deixar os Estados Unidos. Os passageiros afirmam que foram obrigados a aderir a um programa de deportação voluntária do governo de Donald Trump, criado este ano. O voo partiu da Louisiana, com escala na República Dominicana, e chegou ao Brasil às 18h13. Com informações da Folha de S.Paulo.

Os imigrantes relataram que o transporte foi marcado por maus-tratos e condições precárias. Vestindo uniformes típicos de centros de detenção, carregavam apenas uma sacola com pertences pessoais e, em alguns casos, não tinham documentos. O desembarque foi rápido, durando menos de 30 minutos, e acompanhado por funcionários da ONU e do Ministério dos Direitos Humanos.

O governo dos EUA contratou a Gol para transportar os deportados. A companhia informou que fretou um Boeing 737 MAX-8 apenas para passageiros que optassem voluntariamente pelo programa. Contudo, brasileiros que viajaram no voo disseram que muitos estavam presos há meses e não concordaram com a saída do país.

Segundo relatos, os passageiros teriam sido coagidos a assinar os documentos de autodeportação já na entrada da aeronave. As assinaturas foram exigidas após a remoção das algemas pelos oficiais do ICE (Agência Federal de Imigração e Alfândega), conforme informaram os deportados.

Agentes da ICE detêm um imigrante em operação na cidade de Los Angeles. Foto: Charles Reed/AP

Em nota, a embaixada dos EUA em Brasília afirmou que deporta pessoas que violaram leis de imigração e garantiu que os voos são realizados de forma segura e respeitosa. A representação destacou que estrangeiros que solicitarem a saída pelo aplicativo podem receber viagem gratuita, um bônus de US$ 1.000 e manter a possibilidade de retornar legalmente ao país.

Entre os deportados está Erivelton Natalino da Silva, residente nos EUA há mais de 20 anos. Ele relata ter sido preso em 6 de junho, mesmo com processo de residência permanente em andamento, e enviado ao voo de deportação voluntária sem documentos. Sua família no país desconhecia o paradeiro dele.

Carlos Fagundes, outro deportado, passou por oito penitenciárias em três meses de detenção. Relata falta de alimentação, água e higiene adequada, e afirma que os brasileiros ficavam amontoados nos centros de detenção. No voo de retorno, só puderam se alimentar horas depois da partida.

O acesso ao auxílio de US$ 1.000 oferecido pelo governo americano enfrenta obstáculos. Para receber o valor, os deportados precisam comprovar que estão no Brasil e enviar uma foto do passaporte, documento que muitos não possuem mais. No aeroporto, alguns tentavam converter dólares restantes enquanto buscavam informações sobre o programa Project Homecoming, responsável pela saída voluntária.

Fonte: DCM com informações da Folha de S. Paulo

Nenhum comentário:

Postar um comentário