quinta-feira, 28 de agosto de 2025

Abordagem a caminhão revelou o esquema do PCC na Faria Lima; entenda


Agentes da Polícia federal, em conjunto com as receitas federal e estadual fizeram buscas e apreensões em endereços na Faria Lima. Foto: Werther Santana/Estadão

Uma abordagem da Polícia Rodoviária Federal (PRF) a um caminhão-pipa em Guarulhos, em maio de 2023, revelou por acaso um megaesquema criminoso que conectava postos de combustíveis, distribuidoras, fintechs, o Primeiro Comando da Capital (PCC) e fundos de investimento na Faria Lima, conforme informações do Metrópoles.


O caminhão transportava metanol, oficialmente destinado a empresas químicas no Mato Grosso, mas entregue a postos da Grande São Paulo para adulterar gasolina. Em alguns casos, a substância correspondia a até 50% do combustível vendido.

Para dar aparência de legalidade, eram emitidos falsos “tickets de pesagem” e notas fiscais de álcool ou gasolina. A Polícia Federal estima que mais de 10 milhões de litros de metanol tenham sido desviados.

“Além da venda volumosa das importadoras e dos terminais marítimos, com evidente fim distinto daquele supostamente documentado, por vezes o metanol era transportado com notas fiscais ‘quentes’ – ou seja, de álcool ou gasolina, para simular a idoneidade da carga”, explicou o TJSP.

Polícia civil, Federal e Receita Federal se concentram para saída de megaoperação Carbono Oculto, com participação da Receita Federal. Foto: reprodução

A investigação mostrou que o esquema operava em toda a cadeia de combustíveis, envolvendo importadoras, distribuidoras e transportadoras. Empresas como Copape e Aster foram usadas em fraudes fiscais, falsificação de documentos e lavagem de dinheiro.

“Com a apreensão desse caminhão, a PF começou uma investigação sobre por que esse metanol, que era destinado ao Mato Grosso do Sul, foi apreendido indo para um posto na Grande São Paulo”, afirmou o promotor Yuri Fisberg, do Gaeco. Segundo ele, o caso já gerou denúncias por organização criminosa e lavagem de dinheiro.

O núcleo financeiro também chamou a atenção dos investigadores. A fintech BK Bank funcionava como um “banco paralelo”, centralizando operações suspeitas e movimentações em espécie. Entre 2022 e 2023, foram feitos mais de 10,9 mil depósitos em dinheiro vivo, somando R$ 61 milhões.

Além disso, ao menos 40 fundos de investimento, com patrimônio estimado em R$ 30 bilhões, eram usados para ocultar recursos ilícitos. Para a Receita Federal, o esquema revelou como o PCC se infiltrou no mercado financeiro, conectando o crime organizado à elite econômica da Faria Lima.

Fonte: DCM com informações do Metrópoles

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