sexta-feira, 29 de agosto de 2025

R$ 52 bilhões, 2.500 postos e 1400 agentes: os números da Operação Carbono Oculto

Viaturas da PF e da Receita em frente a prédio na Faria Lima – Amanda Perobelli/Reuters

A Polícia Federal deflagrou nesta quinta-feira (28) a Operação Carbono Oculto, que revelou um esquema bilionário do Primeiro Comando da Capital (PCC) envolvendo fraudes no setor de combustíveis e no mercado financeiro.

De acordo com as investigações, entre 2020 e 2024 a organização criminosa movimentou cerca de R$ 52 bilhões por meio de fintechs e fundos de investimento. Apenas uma dessas instituições financeiras registrou R$ 46 bilhões em transações não rastreáveis. O Ministério Público estima ainda R$ 7,6 bilhões em sonegação fiscal.

O patrimônio do PCC foi calculado em aproximadamente R$ 30 bilhões, distribuídos em ao menos 40 fundos de investimento, muitos deles fechados e com apenas um cotista, para dificultar a identificação dos reais beneficiários.

Esses recursos foram usados na compra de imóveis de alto valor, incluindo fazendas no interior de São Paulo e uma residência de luxo em Trancoso (BA), além de usinas de álcool, caminhões de transporte e até um terminal portuário.

As fraudes se estendiam ao setor de combustíveis, atingindo cerca de 2.500 postos em São Paulo, número equivalente a 30% do total do estado. A adulteração incluía concentrações de até 90% de metanol, substância tóxica e altamente inflamável cujo limite permitido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) é de 0,5%.

       Agentes da Polícia Federal – Divulgação/PF

A importação e desvio clandestino desse produto pelo Porto de Paranaguá (PR) foram identificados como eixo central do esquema. Além da adulteração, os consumidores eram lesados por fraudes quantitativas, com bombas que registravam mais combustível do que efetivamente abastecido.

O Ministério Público e a Receita Federal também identificaram práticas de emissão de notas fiscais falsas em lojas de conveniência, usadas para justificar artificialmente a aquisição de postos de gasolina. Entre 2020 e 2024, as importações ilícitas de combustíveis somaram R$ 10 bilhões.

A ação mobilizou 1.400 agentes em oito estados e teve como alvos 350 pessoas físicas e jurídicas. Foram expedidos 14 mandados de prisão preventiva, dos quais seis foram cumpridos até o momento. Entre os líderes do esquema apontados pelas autoridades estão Mohamad Hussein Mourad e Roberto Augusto Leme da Silva, que não haviam sido localizados. A Receita Federal autuou em R$ 891 milhões empresas ligadas ao grupo.

Entre as companhias envolvidas, estão o Grupo Aster/Copape, responsável por usinas e postos de combustíveis, o BK Bank, fintech que operava contas ocultas, e fundos como o Reag, utilizados para blindagem patrimonial. As investigações apontam ainda que 42 alvos atuavam diretamente na Avenida Faria Lima, centro financeiro de São Paulo, demonstrando a infiltração do PCC em estruturas tradicionais do mercado de capitais.

Fonte: DCM

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