sexta-feira, 12 de junho de 2026

Mendonça pede manifestação da PGR após PF defender saída de Vorcaro da superintendência

Polícia Federal rejeitou segunda proposta de delação do banqueiro Daniel Vorcaro e recomendou sua transferência da unidade em Brasília

   Ministro André Mendonça - Daniel Vorcaro (Foto: Victor Piemonte/STF / Banco Master/Divulgação)

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), solicitou que a Procuradoria-Geral da República (PGR) se manifeste sobre a situação do banqueiro Daniel Vorcaro após a Polícia Federal (PF) recomendar sua transferência da superintendência da corporação em Brasília. A informação foi divulgada pelo portal Metrópoles.

A movimentação ocorre depois que a PF rejeitou a segunda proposta de acordo de colaboração premiada apresentada pela defesa de Vorcaro. Além de comunicar a decisão aos advogados do banqueiro, os investigadores também informaram o ministro do STF e defenderam que ele seja removido da cela onde permanece custodiado na sede da corporação na capital federal.

Segundo informações apuradas pela coluna, a avaliação da Polícia Federal é de que, com a rejeição da nova tentativa de delação, deixaram de existir os fundamentos que justificavam a permanência de Vorcaro nas dependências da superintendência. Até o momento, porém, não foi definida qual unidade prisional poderá recebê-lo.

● Defesa aguarda análise da Procuradoria

Enquanto a discussão sobre a transferência avança, a estratégia da defesa do banqueiro está concentrada na análise conduzida pela Procuradoria-Geral da República. O órgão também examina o conteúdo da proposta de colaboração apresentada por Vorcaro.

A expectativa dos advogados é que a manifestação da PGR tenha impacto direto sobre os próximos desdobramentos do caso. A avaliação da Procuradoria é considerada decisiva para a definição do futuro da negociação envolvendo o possível acordo.

Nos bastidores da investigação, entretanto, há preocupação entre integrantes da Polícia Federal quanto à possibilidade de a proposta ser aceita pela PGR, mesmo após a rejeição da corporação responsável pelas apurações.

● Resistência dentro da Polícia Federal

De acordo com a reportagem, uma ala influente da PF entende que uma eventual concordância da Procuradoria com a segunda proposta de delação poderia gerar questionamentos futuros sobre a condução do processo.

Investigadores avaliam que o material entregue por Vorcaro não apresenta elementos considerados relevantes ou suficientes para justificar a celebração de um acordo de colaboração premiada.

Na visão desse grupo, as informações fornecidas pelo banqueiro não agregariam fatos novos de grande relevância para as investigações em andamento, o que enfraqueceria a viabilidade jurídica da proposta.

● Avaliação sobre eventual homologação

Outro ponto levantado por integrantes da Polícia Federal diz respeito à possibilidade de homologação do acordo pelo Supremo Tribunal Federal. Segundo essa avaliação, seria pouco provável que André Mendonça validasse uma colaboração premiada construída sem consenso entre os órgãos diretamente envolvidos na investigação.

A mesma corrente dentro da corporação considera que a ausência de alinhamento entre PF e PGR poderia representar um obstáculo significativo para o avanço das negociações.

Ainda segundo investigadores ouvidos pela coluna, o material apresentado por Vorcaro tem sido classificado internamente como uma “delação elitista”. De acordo com essa interpretação, a colaboração seria limitada e seletiva, concentrando-se em informações que já são conhecidas ou parcialmente conhecidas pelas autoridades responsáveis pelas investigações.

Fonte: Brasil 247 com informação divulgada pelo portal Metrópoles.

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