Levantamento mostra também que população brasileira se divide quanto ao uso do dólar americano como moeda no comércio internacional
Fotografia de Chefes de Estado e de Governo dos países-membros, parceiros e de engajamento externo do BRICS (Foto: Ricardo Stuckert / PR)
Os BRICS – bloco econômico formado pelo Brasil e outros 10 países, entre eles os também fundadores Rússia, Índia, China e África do Sul – entraram na pauta política, após o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, impor uma taxação maior a países que têm negociado com o bloco. Em julho, a cidade do Rio de Janeiro sediou a 17ª Cúpula do BRICS.
Pesquisa inédita da Nexus aponta que 48% dos brasileiros defendem um estreitamento maior das relações políticas e econômicas com os integrantes do BRICS, desenvolvendo ainda mais parcerias e acordos comerciais. Outros 33% são favoráveis a um afastamento do bloco econômico e a buscar outros parceiros internacionais, enquanto 18% não souberam ou quiseram responder.
O apreço pelos BRICS é maior entre o público masculino entrevistado (52% são a favor do estreitamento das relações, enquanto 35% são contrários e 11% não souberam responder) do que no universo feminino, onde 44% são a favor, 33% contra e 23% não opinaram.
No público jovem (16 a 24 anos), o apoio ao estreitamento de relações foi de 53% contra 29%. Por sua vez, a população acima dos 60 anos é a que menos nutre apoio e se mostrou dividida – 39% defendem mais parcerias com o BRICS e 38% preferem outros parceiros internacionais e 22% não souberam/quiseram responder à pergunta.
“Quase metade da população apoia o fortalecimento dos BRICS, mas significativos ⅓ são contrários. Isso é reflexo da polarização política, pois 1 em cada 3 brasileiros são contrários provavelmente apenas porque não concordam com o governo, e não necessariamente porque entendem que os BRICS sejam desvantajosos para o Brasil”, analisa Marcelo Tokarski, CEO da Nexus.
Para aqueles que declararam ter votado no presidente Lula no segundo turno das eleições de 2022, o apoio aos BRICS foi de 55%, enquanto 29% optaram pelo distanciamento do Brasil com o bloco e 16% não souberam responder. Já no eleitorado do ex-presidente Jair Bolsonaro, houve uma inversão de tendência: 44% querem distanciamento do bloco, e 42% desejam mais aproximação com o bloco formado pela China, Rússia, Índia e mais sete países além do Brasil. “O cruzamento com o voto na eleição de 2022 é um sinal claro de como a polarização política interfere nesse debate”, reforça Tokarski.
◈ Brasileiros se dividem quanto ao uso do dólar
A preferência pelo estreitamento das relações com o BRICS não é a mesma quando o assunto é a utilização do dólar no comércio internacional. A pesquisa da Nexus detectou uma clara divisão da população sobre o assunto.
Atualmente, 44% dos brasileiros se declararam favoráveis a procurar novas alternativas para substituir o dólar americano no comércio internacional. Por sua vez, 43% preferem a manutenção da moeda, por ser a mais utilizada no mundo, trazendo segurança e estabilidade às negociações. Outros 12% não souberam responder ao tema.
Mulheres são mais inclinadas a buscar novas alternativas (45%) do que a manter a utilização do dólar (39%). Esse é o mesmo sentimento da população entre 41 e 59 anos (48% contra 40%) e do Nordeste (49% a 36%).
Já entre homens, os dados da Nexus mostram que a predileção é pela continuidade do uso da moeda americana (48% contra 44%). Essa também é uma tendência do público de 16 a 24 anos (48% a 42%), do Sul (48% a 40%), daqueles que recebem mais de cinco salários mínimos (52% a 46%).
◈ Jovens entre 16 e 24 anos são os que melhor avaliam EUA e China
A pesquisa da Nexus também mediu a imagem de Estados Unidos e China na opinião dos brasileiros. Para 46%, a visão dos americanos é positiva, enquanto 43% acham negativa. Já os chineses são bem avaliados por 45% e vistos negativamente por 43%.
“Esse dado chama a atenção. Historicamente, os Estados Unidos sempre tiveram entre os brasileiros uma imagem melhor do que a China. Ver que essas percepções hoje se equivalem é um forte indicativo de desgaste da imagem norte-americana, que perdeu parte da admiração para os chineses”, explica Marcelo Tokarski.
Os dados da pesquisa também mostram que 23% dos brasileiros têm imagem positiva dos dois países e 21% têm imagem negativa dos dois países. Por outro lado, 23% dos entrevistados têm imagem positiva só dos EUA e 22% possuem imagem positiva só da China. Outros 11% não souberam responder ou não quiseram responder.
Os jovens de 16 a 24 anos nutrem melhor avaliação aos Estados Unidos (58% veem positivamente aquele país e 34% não são favoráveis) e à China (57% contra 36%). A imagem de ambas as nações é desfavorável entre os brasileiros acima de 60 anos. Destes, 46% veem os Estados Unidos com maus olhos, enquanto 38% avaliam positivamente. Sobre a China, 45% não aprovam e 40% são favoráveis.
A imagem americana é mais positiva para jovens de 16 a 24 anos (58% x 34%), moradores do Sul (56% x 37%), pessoas com ensino superior (52% x 39%) e homens (50% x 42%). Já a visão mais negativa dos EUA está centrada no Nordeste (54% x 35%), em pessoas com ensino fundamental (51% x 35%), de idade entre 41 e 59 anos (50% x 40%) e mulheres (45% x 43%).
Os chineses são melhor avaliados dentre jovens de 16 a 24 anos (57% x 36%), pessoas com ensino superior (53% x 39%), homens (52% x 40%), pessoas que recebem de dois a cinco salários mínimos (50% x 40%) e moradores do Sudeste (48% x 42%).
A imagem da China é mais negativa entre quem recebe até um salário mínimo (49% x 36%), no Nordeste (49% x 42%), com ensino fundamental (45% x 38%) e acima dos 60 anos (45% x 40%).
◈ Para 56% dos brasileiros, a liderança dos EUA é negativa
O impacto político e econômico e a liderança de Estados Unidos e China para o Brasil também foi medido pela pesquisa da Nexus. Os americanos ficaram em desvantagem: 56% avaliam a liderança do país como negativa e 32% veem como positiva. Já a liderança chinesa é vista como positiva por 47%, enquanto 39% enxergam de forma ruim.
“Embora em termos de imagem positiva os dois países ‘empatem’, atualmente mais brasileiros aprovam o papel que a China exerce sobre o Brasil mais do que aprovam o papel dos EUA. Aqui, a atual política norte-americana parece ter tido forte impacto na opinião pública brasileira”, destaca Tokarski.
A rejeição à liderança americana se mostrou maior entre nordestinos (63% x 25%), pessoas que ganham até um salário mínimo (62% x 23%), na faixa de 41 a 59 anos (61% x 34%) e mulheres (58% x 28%).
Por sua vez, a liderança dos chineses apresentou seus maiores índices entre pessoas de ensino superior (54% x 39%), que recebem de dois a cinco salários mínimos (52% x 37%) e têm entre 16 e 24 anos (52% x 37%).
◈ Brasileiros se dividem quanto à aproximação comercial
Considerando que Estados Unidos e China são atualmente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, há uma divisão clara na opinião dos entrevistados sobre qual a melhor nação para estreitar relações comerciais.
43% preferem uma relação mais firme com os americanos, enquanto 42% são pró-chineses. Nessa pergunta, 12% não souberam responder e 2% não responderam.
Os EUA ganharam preferência entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos (50% x 44%), de 16 a 24 anos (49% x 42%), do Sul (47% x 38%) e com ensino médio (46% x 41%). Já a aproximação com a China foi mais recomendada por pessoas nordestinas (47% x 37%), de 41 a 59 anos (45% x 39%), que ganham de um a dois salários mínimos (43% x 39%) e com ensino fundamental (41% x 37%).
Por sua vez, a liderança dos chineses apresentou seus maiores índices entre pessoas de ensino superior (54% x 39%), que recebem de dois a cinco salários mínimos (52% x 37%) e têm entre 16 e 24 anos (52% x 37%).
◈ Brasileiros se dividem quanto à aproximação comercial
Considerando que Estados Unidos e China são atualmente os dois maiores parceiros comerciais do Brasil, há uma divisão clara na opinião dos entrevistados sobre qual a melhor nação para estreitar relações comerciais.
43% preferem uma relação mais firme com os americanos, enquanto 42% são pró-chineses. Nessa pergunta, 12% não souberam responder e 2% não responderam.
Os EUA ganharam preferência entre pessoas que recebem mais de cinco salários mínimos (50% x 44%), de 16 a 24 anos (49% x 42%), do Sul (47% x 38%) e com ensino médio (46% x 41%). Já a aproximação com a China foi mais recomendada por pessoas nordestinas (47% x 37%), de 41 a 59 anos (45% x 39%), que ganham de um a dois salários mínimos (43% x 39%) e com ensino fundamental (41% x 37%).
◈ Metodologia
A Nexus entrevistou 2.005 cidadãos com idade a partir de 16 anos, nas 27 Unidades da Federação, entre os dias 15 e 19 de agosto. A margem de erro da amostra é de dois pontos percentuais, com nível de confiança de 95%.
Fonte: Brasil 247