terça-feira, 26 de maio de 2026

Quem é o argentino preso em Minas após atacar criança com insultos racistas: "quero levar como escravo"

O homem fotografou e filmou o menino sem autorização e compartilhou as imagens em uma conversa

Turista, de 63 anos, foi preso após fotografar criança negra e enviar mensagens racistas durante passeio entre São João del-Rei e Tiradentes (Foto: Reprodução)

Um cidadão argentino de 63 anos foi preso em flagrante suspeito de cometer injúria racial contra uma criança de 7 anos durante um passeio de Maria Fumaça entre São João del-Rei e Tiradentes, na Região Central de Minas Gerais, no domingo (24). O caso ocorreu dentro do trem turístico e gerou reação de passageiros, funcionários e familiares da vítima.

As informações são do g1. Segundo a Polícia Civil de Minas Gerais, o homem fotografou e filmou o menino sem autorização e compartilhou as imagens em uma conversa acompanhadas de mensagens de teor racista, escritas em espanhol.

O suspeito foi identificado pela polícia como Eduardo Ignacio. Ele foi detido ainda no local após ser contido por passageiros e funcionários até a chegada da Polícia Militar. Depois da prisão, foi encaminhado ao sistema prisional em São João del-Rei, onde ficou à disposição da Justiça.

De acordo com o boletim de ocorrência, a família da criança havia embarcado no passeio por volta das 10h. A viagem fazia parte de uma comemoração pelo aniversário da mãe do menino. Durante o trajeto, uma passageira percebeu que o homem registrava imagens da criança e alertou a mãe.

Ao ser confrontado, o suspeito inicialmente negou que tivesse feito fotos e vídeos do menino. Ele também teria se recusado a mostrar o celular. Segundo o relato da mãe, a comunicação foi dificultada pelo sotaque do homem. Depois, ele desbloqueou o aparelho, e ela conseguiu verificar o conteúdo.

No celular, foram encontradas imagens da criança acompanhadas de mensagens racistas. Em uma delas, o homem afirmou que poderia “levar [a criança] como escravo”. Em outra mensagem, segundo a mãe, ele dizia querer levar um escravo para cuidar das netas da pessoa com quem conversava.

A situação provocou revolta dentro do vagão. Passageiros e funcionários impediram que o suspeito deixasse o local antes da chegada da polícia. A Polícia Militar realizou a prisão em flagrante, e o caso foi encaminhado às autoridades competentes.

Na segunda-feira (25), o argentino passou por audiência de custódia. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva, e ele permaneceu no sistema prisional em São João del-Rei.

A mãe da criança relatou o impacto do episódio e afirmou que tentou reagir ao perceber o teor das mensagens, mas foi contida por outras pessoas dentro do trem.

“A gente se hospedou em São João Del Rei. A gente nunca tinha saído do Rio. E na hora em que aconteceu, o meu instinto de mãe parte para cima. Algumas pessoas me seguraram dentro do trem, alegando que era para eu não perder a razão”.

Ela também disse que pretende seguir com a denúncia até o fim. “A gente vai até o fim porque isso não pode acontecer'", disse.

Segundo a mãe, o menino compreendeu o que havia ocorrido e ficou emocionalmente abalado após o episódio. A família permaneceu em São João del-Rei depois do caso.

“Meu filho está muito assustado. Meu filho está literalmente constrangido com a situação, está quieto, não está legal. Eu vejo meu filho acuado, coagido, um olhar triste”, desabafou.

A Polícia Civil informou que a prisão em flagrante foi ratificada pelo crime de injúria racial. O celular do suspeito foi apreendido e será analisado no curso da investigação.

O inquérito segue para apurar o conteúdo das mensagens, a forma como as imagens foram produzidas e compartilhadas e todas as circunstâncias envolvendo o caso ocorrido durante o passeio turístico na Maria Fumaça.

Fonte: Brasil 247 com informações do G1

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