A ex-assessora parlamentar Gardênia Morais, que denunciou um suposto esquema de “rachadinha” no gabinete do deputado federal Mario Frias (PL-SP), recebeu cerca de R$ 237 mil da Câmara dos Deputados enquanto manteve vínculo funcional com o parlamentar. Ela trabalhou no gabinete entre fevereiro de 2023 e maio de 2024.
Somente em salário líquido, Gardênia recebeu R$ 183,6 mil no período. Auxílios, gratificação natalina e vantagens indenizatórias somam pouco mais de R$ 53 mil, segundo levantamento feito com base na folha de pagamento disponibilizada pela Câmara dos Deputados.
O caso foi revelado pelo g1, que teve acesso a comprovantes de pagamento e extratos bancários. Os documentos indicam que Gardênia devolveu parte do salário ao então chefe de gabinete de Frias, Raphael Azevedo, e a parentes dele, além de pagar despesas familiares do deputado.
Um dos comprovantes mostra um PIX de R$ 1 mil enviado à mãe de Mario Frias, Maria Lucia Frias, em janeiro de 2024. A reportagem também reproduziu um comprovante de pagamento de cartão de crédito de Juliana Frias, esposa do parlamentar, no valor de R$ 4.832,32.
Gardênia afirmou que outras pessoas do gabinete também teriam devolvido parte dos salários. Além dos repasses, a ex-funcionária disse ter contraído cinco empréstimos consignados e declarou que parte dos valores teria sido transferida ao então chefe de gabinete.

Após a denúncia, o PSOL apresentou, na terça-feira (26), uma representação por quebra de decoro parlamentar contra Mario Frias e pediu a cassação do mandato do deputado. Parlamentares do PT também acionaram a Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o ex-secretário de Cultura do governo Jair Bolsonaro.
A PGR recebeu ainda uma representação do deputado federal Chico Alencar (PSOL-RJ), que pede investigação de Frias por suspeita de prática de “rachadinha” em seu gabinete. O pedido cita as reportagens que apontam transferências feitas por Gardênia ao então chefe de gabinete e pagamentos ligados a familiares do parlamentar.
Na representação, Chico Alencar afirma que os fatos podem indicar peculato, concussão, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Segundo o documento, Gardênia teria devolvido parte do salário recebido como assessora parlamentar “todos os meses”.
“Os documentos obtidos pelo g1 demonstram que, entre fevereiro de 2023 e março de 2024, Gardênia realizou transferências que totalizam R$ 35.116 em favor do então chefe de gabinete Raphael Azevedo, de sua ex-esposa e de outra parente, sempre em datas próximas ao recebimento da remuneração”, afirmou Chico Alencar.
A peça também sustenta que o uso de verba de gabinete para bancar despesas privadas ou alimentar devoluções salariais representaria “grave desvio de finalidade na aplicação de recursos públicos”.
O deputado pede que a PGR abra procedimento preliminar, solicite documentos à Câmara, colha depoimentos e avalie eventual pedido de inquérito no Supremo Tribunal Federal (STF), já que Frias tem foro privilegiado.
Fonte: DCM com informações do G1
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