“Dark Horse”, cinebiografia do ex-presidente Jair Bolsonaro. Foto: Divulgação
O cineasta olavista Josias Teófilo afirmou que “era óbvio que Dark Horse ia dar merda”, considerando o filme uma produção “completamente fora da realidade do mercado e às vésperas da eleição”. A declaração foi dada à coluna de Mariana Sanches no UOL após a divulgação de mensagens em que Flávio Bolsonaro (PL-RJ) solicitava R$ 134 milhões a Daniel Vorcaro para financiar a cinebiografia de seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro.
Teófilo, diretor do documentário sobre Olavo de Carvalho “O Jardim das Aflições”, comparou o orçamento de Dark Horse com outros filmes nacionais. “Investimento de R$ 134 milhões em um filme não existe, nem nunca existiu, no cinema brasileiro. Nem grandes filmes, midiáticos, como Bruna Surfistinha, viram algo assim. Completamente fora do mercado nacional”, disse, citando o longa baseado na vida da garota de programa que arrecadou R$ 4,2 milhões em 2011.
O cineasta detonou a atuação de Flávio Bolsonaro na captação de recursos. “Todo filme tem que ter alguém que fale por ele junto a patrocinadores ou investidores. Não faz sentido ver o Flávio fazendo captação diretamente, sem ser produtor executivo nem nada. Se era pra falar com Vorcaro, Flávio até podia dizer: ‘irmão, vou te colocar em contato com fulano sobre o filme’. Agora, ele mesmo cobrar, foge da prática comum”, afirmou.
Teófilo também questionou o papel de Mário Frias, produtor executivo do filme, que alegava ter obtido investimento norte-americano. “Parece que mentiram pra todo mundo. Imagino que Jim Caviezel não esteja entendendo o que está acontecendo”, declarou, citando o ator que interpreta Bolsonaro.

O diretor descreveu a triangulação de parte do dinheiro arrecadado com Vorcaro para um fundo no Texas, administrado por Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro, antes do repasse à produtora, como um ponto fora do padrão de gestão cinematográfica.
Segundo ele, a prática financeira do filme se afasta das normas usuais, que preveem que o montante captado seja centralizado na produtora para posterior distribuição e pagamento dos envolvidos. “Todo mundo que faz produção de um filme tem direito a uma pequena porcentagem do que é levantado, isso é legal e está previsto, até onde sei, tanto no Brasil quanto nos EUA. Mas o normal é ter uma conta em nome da produtora, que recebe os valores e faz os pagamentos”, disse Teófilo.
O cineasta, que também trabalhou em produções como “Recife Frio” e “O Som ao Redor”, disse que, mesmo atuando à direita politicamente, conhece profundamente o mercado cinematográfico e os riscos de uma produção de grande orçamento sem base sólida. Ele ainda afirmou que o caso “Dark Horse” mistura idealismo, amadorismo e megalomania, o que contribuiu para a percepção de fracasso do projeto.
Fonte: DCM com informações do UOL

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