sexta-feira, 22 de maio de 2026

Operação abafa: Bolsonaro tenta conter crise de Flávio Bolsonaro no caso Vorcaro e evitar implosão no bolsonarismo

Ex-mandatário aconselha senador a esclarecer relação com o dono do Banco Master e busca impedir que tensão familiar amplie a fissura no bolsonarismo

       Jair Bolsonaro, Flávio Bolsonaro, Michelle Bolsonaro e Daniel Vorcaro

Jair Bolsonaro (PL) tem atuado nos bastidores para tentar reduzir o desgaste político enfrentado pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência da República, e evitar que a crise provoque um racha ainda maior dentro do núcleo bolsonarista. O ex-mandatário ficou incomodado com a forma como vieram à tona detalhes da relação política e financeira de Flávio Bolsonaro com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

De acordo com interlocutores ouvidos pelo jornal O Globo, Bolsonaro avaliou que a condução do caso agravou a crise ao transmitir a impressão de que informações estavam sendo ocultadas e reveladas apenas sob pressão.

Nesta linha, Bolsonaro aconselhou o filho a "contar toda a verdade" sobre a relação com Vorcaro e também sugeriu uma "prestação de contas definitiva" envolvendo o filme biográfico Dark Horse, produção ligada à trajetória do ex-mandatário.

Após a conversa com o pai, Flávio anunciou que pediu transparência sobre os recursos do longa-metragem. "Pedi à produtora que se organize para fazer uma prestação de contas do filme, de forma transparente. Nossa ideia é divulgar isso em até 30 dias", declarou o senador na terça-feira (19).

Flávio Bolsonaro passou a ser citado no contexto do Caso Master após a divulgação de que o banqueiro Daniel Vorcaro ajudou a financiar um filme sobre Jair Bolsonaro. Vorcaro teria pago R$ 61 milhões no projeto. o senador também admiti que se encontrou com Vorcaro após ele ter sido preso pela Polícia Federal pela primeira vez.

A avaliação de que houve falhas na gestão política da crise passou a ser compartilhada inclusive por integrantes da pré-campanha presidencial de Flávio Bolsonaro. Coordenador político da articulação, o senador Rogério Marinho (PL-RN) afirmou que o grupo perdeu o controle da narrativa pública do caso.

"Passou a ser criminalizado porque se perdeu o controle da narrativa, se colocou como se fosse ruim. Deveria ter se antecipado a situação, mas não se falou em tempo hábil que aquela relação existia", disse Marinho.

Nos bastidores do PL, o desgaste enfrentado por Flávio alimentou discussões sobre alternativas para a sucessão do bolsonarismo. De acordo com aliados ouvidos pela reportagem, o nome da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro voltou a circular entre lideranças evangélicas e dirigentes partidários preocupados com os impactos negativos da crise sobre a pré-candidatura do senador.

Bolsonaro, porém, tem reagido contra qualquer movimento de substituição do filho e, segundo interlocutores, reafirmou que pretende manter a candidatura de Flávio "até o final". Ele teria descartado uma eventual candidatura de Michelle à Presidência da República.

Reservadamente, o ex-mandatário tem dito que Michelle "ainda não tem experiência política" suficiente para disputar o Palácio do Planalto. A estratégia desenhada para ela, segundo aliados, continua sendo uma candidatura ao Senado pelo Distrito Federal.

A crise política também ampliou tensões dentro da própria família Bolsonaro. Durante um evento do PL Mulher em Brasília, Michelle foi questionada sobre o caso envolvendo Flávio e evitou sair em defesa do enteado. "Flávio, você tem que perguntar para ele", respondeu a ex-primeira-dama.

A declaração provocou desconforto entre aliados do ex-vereador Carlos Bolsonaro e do ex-deputado federal cassado Eduardo Bolsonaro, que interpretaram a postura de Michelle como uma tentativa de preservar sua imagem em meio ao desgaste político do senador.

Segundo pessoas próximas à família, os filhos do ex-mandatário esperavam uma manifestação mais explícita de solidariedade pública. Já aliados de Michelle afirmam que ela está concentrada nos cuidados com Bolsonaro e lembram que o relacionamento entre ela e os filhos do ex-mandatário atravessa desgastes antigos.

Entre os episódios citados está o mal-estar gerado após Flávio sinalizar apoio a uma aliança com Ciro Gomes (PSDB) no Ceará, movimento criticado publicamente por Michelle nas redes sociais. Desde então, a ex-primeira-dama teria se afastado da pré-campanha presidencial do senador.

Outro ponto que aumentou o desconforto dentro do entorno bolsonarista foi uma declaração de Michelle sobre o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). "Vou profetizar aqui, porque Deus transformou Saulo em Paulo. Nosso irmão em Cristo, Alexandre de Moraes, liberou o cabeleireiro", disse Michelle durante um evento do PL Mulher. A fala ocorreu após Moraes autorizar a entrada de um cabeleireiro na residência onde Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.

Segundo aliados, Jair Bolsonaro passou a atuar diretamente para impedir que a crise envolvendo Flávio evolua para um confronto público entre Michelle e os filhos do ex-mandatário. A avaliação do entorno é que uma disputa familiar aberta poderia acelerar o enfraquecimento político da candidatura do senador e antecipar a disputa interna pelo comando do eleitorado conservador.

Fonte: Brasil 247 com informações do jornal O Globo

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