quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

Como a maioria dos brasileiros enxerga a prisão de Bolsonaro, segundo pesquisa


        Bolsonaro cercado por agentes da PF. Foto: Fábio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil

A prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em regime fechado, em uma sala da Superintendência da Polícia Federal, é vista pela maioria dos brasileiros como consequência direta de atos praticados por ele próprio ou por integrantes de sua família. Segundo pesquisa Genial/Quaest realizada em dezembro com 2.004 entrevistados, 52% avaliam que a detenção decorreu de atitudes que agravaram a situação jurídica do ex-presidente.

Apenas 21% atribuem o episódio a uma suposta “perseguição política” do Supremo Tribunal Federal (STF) ou do ministro Alexandre de Moraes. Os dados foram divulgados na coluna da jornalista Mônica Bergamo.

Entre os entrevistados que responsabilizam Bolsonaro e seus familiares, a percepção predominante é de que houve descumprimento de medidas judiciais. Dentro desse grupo, 32% afirmam que a prisão ocorreu porque Bolsonaro “danificou a tornozeleira eletrônica” que utilizava quando estava em prisão domiciliar.

Outros 16% apontam que a decisão foi motivada por “risco de fuga para o exterior”. Já 4% mencionam como causa a atuação do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que organizava uma vigília nas proximidades do condomínio onde o ex-presidente morava, argumento que teria sido apresentado oficialmente para justificar a adoção de uma medida mais rígida.

A tese de perseguição política aparece de forma minoritária no conjunto da população, mas ganha força entre os eleitores que se declaram bolsonaristas. Nesse segmento específico, 52% dizem acreditar que Bolsonaro foi preso por perseguição do STF.

Bolsonaro com advogado diante de Alexandre de Moraes em interrogatório da ação sobre a tentativa de golpe
Bolsonaro com advogado diante de Alexandre de Moraes em interrogatório da ação sobre a tentativa de golpe – Gustavo Moreno/STF

Ainda assim, mesmo entre seus apoiadores mais fiéis, há divisão: 18% afirmam que a prisão se deu por violação da tornozeleira eletrônica. A hipótese de tentativa de fuga, por outro lado, quase não encontra respaldo entre bolsonaristas, sendo citada por apenas 2% deles, contra 16% no total da amostra.

O levantamento também investigou a percepção sobre a legitimidade da prisão. Para 51% dos entrevistados, Bolsonaro “merece estar preso”. O índice varia de maneira acentuada conforme a preferência política. Entre eleitores que se identificam com o PT, o percentual chega a 91%.

Já entre bolsonaristas, apenas 4% concordam com a afirmação. O contraste evidencia o grau elevado de polarização política em torno do ex-presidente e do papel desempenhado pelas instituições judiciais.

Além da avaliação moral, a pesquisa mediu o impacto político da prisão. Para 56% dos brasileiros, Bolsonaro ficou “mais fraco” após a detenção. O resultado indica que, para a maioria do eleitorado, o episódio representa desgaste e perda de força política, com possíveis reflexos sobre o futuro do bolsonarismo.

Ao mesmo tempo, o fato de a narrativa de perseguição seguir predominante entre seus apoiadores sugere que o caso continuará sendo utilizado como elemento de mobilização do grupo, ainda que não encontre respaldo majoritário no país.

Fonte: DCM

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