Janela partidária altera forças políticas, fortalece o PL e expõe perdas de siglas tradicionais
A janela partidária encerrada na sexta-feira (3) resultou em uma reconfiguração significativa na Câmara dos Deputados, com mais de 20% dos parlamentares mudando de legenda. O movimento, impulsionado pela proximidade das eleições, ainda pode crescer após a formalização completa das filiações, informa a CNN Brasil.
Segundo a apuração, ao menos 119 deputados titulares trocaram de partido durante o período de 30 dias, iniciado em 5 de março. A janela partidária é prevista na legislação eleitoral e permite que parlamentares mudem de sigla sem punições, uma exceção à regra da fidelidade partidária, que determina que o mandato pertence ao partido.
O PL saiu como um dos principais beneficiados do processo, ampliando sua bancada para 100 deputados. A sigla, que elegeu 99 parlamentares em 2022, contava com 87 integrantes antes da abertura da janela e conseguiu não apenas recuperar perdas anteriores, como também atrair novos filiados.
Já o União Brasil foi o partido que mais perdeu deputados, com 28 saídas. Apesar disso, a legenda registrou 21 novas adesões, encerrando o período com 51 integrantes — sete a menos do que antes da janela — e mantendo-se como a terceira maior bancada da Casa.
O PT, partido do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, teve uma baixa relevante: a deputada Luizianne Lins (CE) deixou a sigla após 37 anos para se filiar à Rede. Ainda assim, o partido segue como a segunda maior força na Câmara, com 66 deputados.
Entre os demais destaques, o PSDB apresentou saldo positivo, com 11 novas filiações e sete saídas, alcançando 19 parlamentares. Em contrapartida, o PDT teve desempenho negativo proporcionalmente, com apenas uma adesão e oito perdas.
Outras legendas, como PP, PSD e Republicanos, registraram movimentações equilibradas entre entradas e saídas. O Podemos chamou atenção ao conquistar 13 novos filiados, apesar de ter perdido dois deputados.
No geral, o balanço das movimentações revela um cenário de intensas articulações políticas, com partidos buscando reforçar suas bancadas de olho nas eleições de 2026. Após o fim da janela, o foco agora se volta para as convenções partidárias, etapa em que serão definidos os candidatos que disputarão o pleito. O primeiro turno está marcado para 4 de outubro de 2026.
No Senado, onde a regra da fidelidade partidária não se aplica da mesma forma, também houve mudanças relevantes. O PSD perdeu três integrantes, incluindo Rodrigo Pacheco, que migrou para o PSB e é apontado como possível candidato ao governo de Minas Gerais. A senadora Eliziane Gama (MA) deixou o PSD para se filiar ao PT, enquanto Angelo Coronel (BA) ingressou no Republicanos.
Por outro lado, o PSD recebeu o senador Carlos Viana (MG), oriundo do Podemos. O PL também ampliou sua presença no Senado com a chegada de Sergio Moro (PR) e Efraim Filho (PB), ambos vindos do União Brasil. Já o PSDB ganhou a filiação da senadora Dra. Eudócia Caldas (AL), que deixou o PL.
As mudanças refletem o início de um novo ciclo político, marcado por rearranjos partidários estratégicos e pela preparação das legendas para a disputa eleitoral que se aproxima.
Fonte: Brasil 247 com informações da CNN Brasil
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