segunda-feira, 6 de abril de 2026

Irã rejeita proposta de cessar-fogo e diz que Estados Unidos não merecem confiança

Chancelaria iraniana diz que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de acordo e critica negociações sob ameaça

        Imagem ilustrativa de bandeiras dos EUA e do Irã - 18/06/2025 (Foto: REUTERS/Dado Ruvic)

O governo do Irã rejeitou uma proposta de cessar-fogo relacionada à campanha militar conduzida por Estados Unidos e Israel, afirmando que a iniciativa não oferece garantias reais de segurança e pode servir apenas como pausa estratégica para novas ofensivas. A posição foi apresentada pelo porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Esmaeil Baqaei, em coletiva realizada nesta segunda-feira (6), conforme informou a agência Tasnim News.

Baqaei destacou que prazos ou pressões não devem comprometer as ações de defesa do país. Ele argumentou que experiências anteriores demonstram que cessar-fogos muitas vezes funcionam como intervalos para reorganização militar antes de novos ataques, e afirmou que “nenhuma pessoa racional” aceitaria esse tipo de dinâmica. Segundo ele, o Irã exige que suas demandas sejam respeitadas, ao mesmo tempo em que busca evitar ciclos repetitivos de guerra e trégua.

O porta-voz também criticou o papel das Nações Unidas, afirmando que a organização frequentemente atua como instrumento de potências globais. Diante disso, ressaltou que, em questões de segurança nacional, o Irã precisa garantir medidas que impeçam a continuidade de agressões externas.

Sobre a proposta de cessar-fogo em discussão, Baqaei declarou que a posição iraniana já foi expressa anteriormente. Ele mencionou que, dias antes, um plano com 15 pontos foi apresentado por intermediários, mas considerado “excessivo e irracional” pelo governo iraniano. Ainda assim, afirmou que o país elaborou suas próprias condições, alinhadas aos interesses nacionais.

O representante enfatizou que o Irã não evita apresentar suas demandas legítimas e esclareceu que expressar posições não deve ser interpretado como sinal de recuo. Ele destacou ainda que, enquanto as Forças Armadas iranianas seguem atuando, a diplomacia também desempenha papel essencial.

Baqaei afirmou que os critérios do país são baseados em seus interesses nacionais, na segurança e nas decisões do povo iraniano. Segundo ele, a posição do governo permanece clara e pronta para ser comunicada quando necessário.

Ao comentar a atuação de mediadores, o porta-voz afirmou que a troca de posições não é incomum, mas criticou negociações realizadas sob ameaça. Ele declarou que dialogar diante de ultimatos e crimes de guerra é inadequado, especialmente quando há intensificação das ações militares por parte do adversário.

O porta-voz classificou como crime de guerra as ameaças feitas pelos Estados Unidos contra a infraestrutura iraniana, além de acusar Washington de permitir ataques a alvos civis. Ele afirmou que qualquer país envolvido em tais ações deve ser responsabilizado e alertou que a colaboração com os Estados Unidos, nesse contexto, deve ser considerada passível de investigação.

Em resposta a declarações de autoridades norte-americanas sobre a intensificação de ataques simultaneamente à abertura de negociações, Baqaei afirmou que as ações dos EUA no último ano comprometeram sua credibilidade diplomática. Ele citou, como exemplo, a saída do país de cerca de 70 acordos e documentos internacionais nos últimos meses, classificando isso como quebra de confiança e desrespeito às normas internacionais.

Fonte: Brasil 247 com informações da agência Tasnim News.

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